terça-feira, 4 de junho de 2013

Opinião - Predestinados

Título Original: Starcrossed (#1 Starcrossed)
Autor: Josephine Angelini
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 368

Sinopse
 Como se desafia o destino? Uma maldição que nem os deuses conseguem vencer.
Helena Hamilton tem dezasseis anos e passou a vida inteira a tentar esconder o facto de ser muito diferente, o que não é tarefa fácil numa ilha tão pequena e resguardada como Nantucket. E está a tornar-se ainda mais difícil. Pesadelos com a travessia desesperada de um deserto fazem com que acorde desidratada e com os lençóis estragados de sujidade e pó. Na escola, é assombrada com alucinações de três mulheres a chorarem lágrimas de sangue... e, quando se cruza pela primeira vez com Lucas Delos, não percebe que estão destinados a desempenhar os papéis principais numa tragédia que as Parcas insistem em repetir ao longo da história.
À medida que Helena vai desvendando os segredos da sua ascendência, compreende que alguns mitos são mais do que simples lendas. Mas mesmo os poderes de semideuses poderão não ser suficientes para desafiar as forças que compelem Lucas e Helena a juntar-se... e que, ao mesmo tempo, tentam separá-los.

Opinião

  Quando a mulher de um agricultor no Massachusetts ficou grávida pela oitava vez, teve a certeza que ia ter um rapaz, tanta certeza que até escolheu o nome para o mais novo rebento da família, Joseph. Só que quando a criança nasceu era uma menina, mais uma para juntar às outras seis que já tinha lá em casa. Como o nome já estava escolhido e era um bom nome, a senhora decidiu que bastava acrescentar um –ine ao nome do seu bebé, e Josephine passou a ser o nome da mais nova dos Angelini.

  Assim Josephine cresceu rodeada de mulheres mas não umas mulheres quaisquer. As suas irmãs mais velhas eram autênticas amazonas, altas de sorrisos gigantes e um temperamento feroz e Josie, bem, era a mais nova, a mais baixa e tinha a mania que era esperta, uma combinação de trazer problemas. Mais tarde foi estudar artes cénicas para Nova Iorque com especialização em clássicos e hoje vive em Los Angeles com o marido que escreve guiões mas atenção, ela ainda sabe conduzir um tractor.

  Predestinados é o seu primeiro livro e o início de uma trilogia inspirada nos mitos gregos. Publicado em 2011, já foi traduzido para mais de dezasseis países e o último volume da trilogia saiu este ano. Sonhos Esquecidos, o volume seguinte, já está nas nossas livrarias desde o mês passado.

  Dez mil barcos um dia zarparam por um rosto. Durante dez anos, sangue foi derramado, filhos foram perdidos, heróis foram feitos e os deuses caminharam, guerrearam lado a lado com os escolhidos numa guerra que destruiu um povo, numa guerra por um acto insano de amor. Depois disto os filhos de Zeus não mais voltaram, uma jura foi feita e, de novo, o amor está prestes a quebrá-la. 

   Ela sabe que é diferente. Ela sabe que consegue fazer o que mais ninguém consegue. Ela só não sabe porquê até ao dia em que ele chega para lhe abalar o mundo, atiçar a sede de sangue e mostrar-lhe que o amor é o melhor meio para começar uma guerra. Dona de uma herança amaldiçoada, reencarnação da mais bela das belas, Helena está prestes a descobrir que há jogos demasiado perigosos, há leis que são demasiado sagradas e que quando a Sibila fala tudo vai voltar outra vez.

  Os mitos são lições contadas através dos tempos, formas de mostrar as consequências de actos insanos, maneira de glorificar os heróis e Predestinados mostra-nos o que acontece quando não se ouve, quando não se percebe que todas as histórias têm um fundo de verdade e que todo o mito se fez de tragédia, glória e homens. Josephine faz mais do que reavivar o mito, ela conjuga numa aventura de amores trágicos, laços de sangue incorruptíveis e maldições divinas, retalhos daqueles que foram personagens um dia amadas, um dia odiadas e dá-nos uma história moderna onde os ideais clássicos brilham com fulgor, uma narrativa irreverente onde a tragédia e o destino revestem o caminho dos escolhidos, um conto onde, mais uma vez, amor e maldição andam de mãos dadas. 

  Com uma escrita fulgurante, audaz, cheia de adrenalina, segredos e um toque divino, a autora apaixona-nos, prende-nos a cada palavra, obriga-nos a ler sem parar até a um fim que nos faz querer mais nesse preciso instante. Num enredo inteligente, intenso e romântico, as nossas emoções são testadas a cada reviravolta do destino ou da profecia, deixando-nos sem fôlego, quebrando-nos o raciocínio e tentando-nos a cada momento. Mais do que uma história de amores trágicos, este livro é uma batalha entre promessas e sentimentos, entre o que foi e o que será, um teste ao destino e aos escolhidos. 

  Heróis reencarnados, belas poderosas e casas inimigas com dons divinos são os ingredientes principais desta trama que, confesso, nunca pensei que fosse superar tanto as minhas expectativas. Um dos toques especiais da autora e que me agradou imenso, foi ter utilizado personagens que não representam só a Guerra de Tróia mas também outros mitos como o de Teseu, os Argonautas, Pandora ou Édipo, representando cada personagem um pouco daquela em que foram inspirados mas nunca copiando, cada personagem é uma reinvenção moderna que muito apraz. Já as Casas foi outro delírio para mim pois pelo menos as representadas aqui vão buscar reminiscências aos ciclos da mitologia grega e cada deus tem alguma ligação directa a essas mesmas casas. Isto mostra não só que a autora estudou o assunto como teve o cuidado de manter o que pode fiel as histórias originais sem nunca perder a sua capacidade de originalidade e imaginação.

  Cada personagem é, aliás, um mimo. Jovens do nosso tempo reencarnam de forma irreverente e moderna de heróis passados, nunca esquecendo os defeitos e qualidades porque esses mesmos heróis foram relembrados mas não deixam de ter características próprias, ou seja, reencarnações sim mas com personalidades próprias. Quanto ao romance da história, Helena e Lucas conseguem arrebatar-nos de uma maneira que outra Helena e um Páris não conseguem. Condenados a cometer o mesmo erro, eles mostram que não só de amor é feito as vidas e lutarão de todas as maneiras possíveis para evitar uma tragédia que há muito matam demasiados e destruiu de forma irreparável. 

  Tenho de referir outras personagens como a melhor amiga de Helena, Claire um verdadeiro desastre irresistível que me arrancou muitas gargalhadas e Heitor, que para quem adora a personagem de Ilíada é absolutamente irresistível. Outras personagens fantásticas formam um elenco que muito tem de divino e que espero que tenham o prazer de descobrir.

  Predestinados fez-me render à mitologia moderna e trouxe um novo vício cá para casa. De momento um dos meus livros preferidos do género é com anseio que olho para a sua continuação ali na estante e sei que não resistirei muito mais e espero que nenhum de vocês resista a esta trilogia fantástica que a Planeta nos traz.

 7*





6 comentários:

  1. Olá,

    Parece interessante sem duvida, ai a tendência para sagas, impressionante :D

    Bjs e boas leituras :)

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    1. Olá,

      Já não há como fugir às sagas, são parte de mim xD

      beijos e boas leituras

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  2. Fiquei bastante curiosa :) Obrigada pela tua opinião. Mas acho que primeiro tenho de ler o segundo volume de Helena de Tróia da Margaret George, o livro onde sedá a maior parte das desgraças para me lembrar melhor da história...
    Beijinho

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    1. De nada Neptuno =) Eu adorei esses livros da Helena de Tróia, espero que estejas a gostar.

      beijinho

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  3. Serei a única a detestar as traduções de Inês Castro? Horrível!
    Usa nos diálogos e no próprio texto traduções muito à letra, ninguém dialoga daquelas maneiras tipo:
    - Verdade?
    - Sim. Verdade.
    E muitas mais coisas sem nexo.
    Detestei a tradução no "Predestinados" e "Quando aqui estavas", até perdi o interesse de ler a continuação de "predestinados". O pior é que as histórias nem são más, mas considero que ela estraga os livros com a tradução. >.<

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    1. Sinceramente, nunca me fez confusão a tradução desta trilogia =s mas também leio em inglês há pouco tempo e ainda estou muito verde em notar esse tipo de coisas... Talvez seja por isso...

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