sábado, 17 de agosto de 2013

Opinião - O Príncipe da Neblina

Título Original: El Príncipe de la Niebla (#1 Trilogia Neblina)
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 208


Sinopse
 Um diabólico príncipe que tem a capacidade de conceder e realizar qualquer desejo... a um preço muito elevado.
O novo lar dos Carver, numa remota aldeia da costa sul inglesa, está rodeado de mistério. Respira-se e sente-se a presença do espírito de Jacob, o filho dos antigos donos, que morreu afogado.
As estranhas circunstâncias dessa morte só se começam a perceber à medida que os jovens Max, a irmã Alicia e o amigo Roland vão descobrindo factos muito perturbadores sobre uma misteriosa personagem de seu nome… o Príncipe da Neblina.

Opinião

  Nascido em 1964 em Barcelona, Carlos Ruiz Zafón nasceu sobre o signo chinês do dragão numa cidade onde estes vigiam muitos dos monumentos e, talvez por isso, coleciona estas figuras desde pequeno, tendo uma colecção com mais de 400 dragões. Tal como o animal mítico, Carlos é uma criatura nocturna, pouco sociável e pouco amigo de cavaleiros andantes. Escritor há vinte anos, começou com livros YA até que em 2001 publicou o seu primeiro livro de literatura adulta e o seu maior sucesso, A Sombra do Vento. Desde 1994 que vive em Los Angeles e escreve roteiros para filmes para além dos seus livros.


  O Príncipe da Neblina foi o seu primeiro livro. Publicado em 1993, traduzido para vinte e uma línguas, foi vencedor de três prémios literários e é o primeiro volume da Trilogia da Neblina.


  Este é o primeiro livro que leio de Carlos Ruiz Zafón e as expectativas eram muito, muito altas. Não vou dizer que me senti defraudada mas realmente esperava muito mais deste autor depois de todas as coisas boas que tenho ouvido sobre ele e este livro soube- me a pouco mas penso que foi uma boa ideia começar por este e não pelo A Sombra do Vento, que é considerado o seu melhor livro. Apesar de não ter sido magnífico como estava à espera, a verdade é que pelo menos uma coisa correspondeu às expectativas. A escrita do autor, ainda não no seu auge, nem no seu melhor, é já contudo bela, envolvente, dramática e triste, uma escrita que nos envolve e nos obriga a absorver as palavras como se não houvesse amanhã e que dá um brilho a uma história que contada por outro poderia não ser nada de especial.


  Sendo uma narrativa de terror, fiquei um pouco decepcionada com o tamanho do livro e o tempo que a acção demora a acontecer. Em metade do livro não se passa nada e depois passa-se tudo muito depressa. Não que a narrativa não esteja bem pensada porque está mas soou demasiado simples, demasiado cliché e, até por vezes, demasiado repentina. Contudo, muitos dos momentos do livro deixaram-me arrepiada graças às fantásticas descrições mas, tirando isso, a parte de terror precisava de ser mais desenvolvida para puder ser um excelente livro. Quanto ao mistério, foi bastante surpreendente, não estava nada a espera e melhorou em muito o final que foi soberbo.


  As personagens precisavam de mais desenvolvimento e Max não me convenceu enquanto protagonista. Aliás, acho que essa foi uma das fraquezas do livro, as personagens. Não é fácil identificarmo-nos com elas ou sentirmos alguma ligação, o que tira logo um dos pontos fulcrais de uma leitura. Depois o próprio príncipe precisava de uma aura mais sombria, mais assustadora, algo mais real. Em momento algum me pôs a espreitar por cima do ombro ou tive mesmo medo, ou seja, faltou-me as emoções típicas deste tipo de história.


  Não foi um início auspicioso mas sem dúvida que fiquei com a pulga atrás da orelha com os outros livros do autor que espero gostar muito mais. Apesar de tudo, esta não foi uma má leitura, só não correspondeu ao que estava à espera.

5*

4 comentários:

  1. Já li 3 livros de Záfon e este foi de fato o mais fraco. Nem parece do mesmo autor! E ao contrário de si, foi o meu ultimo... não me desconsolei porque conhecia os outros e não dei muita importância a este. Leia os outros, leia que vai gostar e muito!

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    1. Irei de certeza ler mais deste autor apesar de O Príncipe da Neblina não ter sido o que estava à espera... Obrigada pelo conselho Maria João!

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  2. Pensei exactamente o mesmo quando li o livro. Estava à espera de melhor, tendo em conta a reputação do autor. Mas não é um mau livro, em todo o caso. Penso que foi o primeiro que o escritor editou, por isso dou-lhe uma desculpa :)

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    1. Foi o primeiro sim, e também foi por isso que o desculpei ;)

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