quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Opinião - O Vampiro Lestat, 2º Volume

Título Original: The Vampire Lestat (#2.2 Crónicas Vampíricas)
Autor: Anne Rice
Editora: Publicações Europa-América
Número de Páginas: 264

 Sinopse
 Na sequela de Entrevista com o Vampiro, Lestat é um excêntrico e sedutor vampiro que, ao longo de várias eras, procura as suas origens e quer desvendar o segredo da sua obscura imortalidade. Essa vertiginosa viagem leva-o da Inglaterra dos druidas aos lupanares de Paris do século XVIII e à Nova Orleães finissecular.
Avesso ao código de honra dos vampiros, que lhes impõe o silêncio sobre a sua condição, Lestat revela-se na esperança de que os imortais se unam para descobrirem o mistério da sua existência. E é então que Lestat, o caçador, se transforma numa presa.

Opinião

  Nasceu Howard Allen O’Brien mas é como Anne que gosta de ser conhecida apesar de muitos de nós lhe chamarmos “a mãe dos vampiros”. Criada em escolas católicas em Nova Orleães, mudada para o Texas, habituada a São Francisco, Anne regressaria à cidade onde nasceu não só fisicamente como a tornaria o palco da sua mais famosa obra. Autora de A Entrevista com o Vampiro, o volume que iniciaria as suas Crónicas Vampíricas, escreveria sobre bruxas, anjos, lobisomens, Belas Adormecidas e Cristo mas nenhuma destas histórias suplantaria às de vampiros.

  Imortalizado por Tom Cruise e Stuart Townsend no cinema e por Hugh Panaro na Broadway, Lestat Lioncourt é a personagem mais famosa de Anne e o protagonista de As Crónicas Vampíricas. Depois de o dar a conhecer em A Entrevista com o Vampiro, a autora escreveria O Vampiro Lestat, o livro que contaria a história da criação deste vampiro. Publicado em 1985, este segundo volume foi traduzido para 35 países e teve direito a um musical em 2005.

  Um ano depois de ter lido o primeiro volume de O Vampiro Lestat regressei ao relato da vida de Lestat, um vampiro sedutor, ostensivo e ingénuo que nos arrebata e nos enreda pelos caminhos mais obscuros e solitários de uma existência imortal cujos momentos felizes são efémeros e as dúvidas quanto ao seu papel nesta vida sempre muitas e, tal como havia acontecido anteriormente, fiquei fascinada, extasiada com a beleza e crueza das palavras de Anne Rice. Através dos confins do passado vampírico, por viagens solitárias de auto-descoberta, a autora consegue novamente exprimir a excentricidade, obscuridade e fragilidade que marcam os seus vampiros num relato mais introspectivo e filosófico que aquele que encontrámos na primeira parte.

  Este relato é marcado por momentos decisivos, encontros que mudarão a vida de Lestat e que terão repercussões no futuro, personagens que deixarão uma marca no passado e que assombraram o seu presente até ao regresso inesperado no futuro. Na vida, cada experiência, cada lição, cada pessoa amada, marca-nos de formas irrefutáveis e isto é o que vemos acontecer a Lestat. Enquanto a sua ousadia cresce, enquanto o tempo passa por ele nos lugares mais variados e exóticos, as suas dúvidas crescem, a sua necessidade de conhecimento torna-se voraz, o seu descaramento aumenta com a sua solidão. Completamente sozinho, perdido dos que amou, ele procura as razões desta sua vida imortal, procura desesperadamente por um mito que será o único que lhe poderá dar as respostas que ele precisa. Apesar de ser mais fraca em acção, esta segunda parte ganha pelo aumento das sensações que provoca, pela intensidade das personagens e da história, por nos levar a uma viagem sem regresso, onde nos confins da História descobrimos o início desta raça e a forma como ela evoluiu até aos acontecimentos presentes.

  Marcado mais uma vez pela separação ou perigosa aproximação entre o pagão e o cristão, pelo sentimental e pelo racional, não é de espantar a época escolhida para a transformação de Lestat, visto que o próprio mundo está a mudar tão rapidamente quanto o instinto assassino do vampiro. Em viagens ricas, pelos lugares mais famosos ou exóticos, o vampiro vai-se descobrindo e vai-se deixando levar pelas questões que o assombram sempre. Estando mais poderoso, cada vez mais audaz e perigoso, a verdade é que também a fragilidade, a inocência de Lestat se torna cada vez mais visível e é ela que o vai levar mais longe do que a qualquer outro vampiro. A sua solidão, a sua vontade de amor, é outra coisa que este livro mais exprime, principalmente os seus sentimentos não só por personagens mais recentemente conhecidas como por aquelas que já conhecemos: Louis, Claudia e Armand.

  Tantas vezes demente, tantas vezes triste, esta história é extremista em sensações e dá-nos uma nova luz sobre o que ainda aí virá. Personagens importantes aparecem aqui pela primeira vez e a expectativa para os acontecimentos futuros cresce de uma forma quase obsessiva. Quanto aos acontecimentos de A Entrevista com o Vampiro, somos confrontados com o lado de Lestat, com o seus sentimentos e o seu passo, o que acaba por nos elucidar sobre as verdades das acções deste. Depois temos a viagem pelo passado de um outro vampiro que nos irá apresentar o lado mais animalesco, mais perigoso e sedento dos vampiros, que nos levará às respostas procuradas e a ainda mais perguntas.

  De uma forma magnífica, obscura e de uma lassidão envolvente, Anne desbrava-nos os caminhos do passado, aguça-nos a curiosidade para o futuro e faz-nos amar ainda mais Lestat. Uma obra de culto, um verdadeiro conto gótico, O Vampiro Lestat termina aqui de forma soberba e abre-nos um apetite voraz por A Rainha dos Malditos.

7*

As minhas opiniões da série

2 comentários:

  1. Não foi dos meus livros favoritos da escritora, mas não deixa de ser bom, sem dúvida alguma.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu ainda só li "A Entrevista do Vampiro" e o "Vampiro Lestat" mas acredito que ela tenha livros melhores, esta segunda parte apesar de ser muito boa acaba por ser muito filosófica...

      Eliminar