segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Opinião - Sonhos Esquecidos

Título Original: Dreamless (#2 Starcrossed)
Autor: Josephine Angelini
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 368

Sinopse
 Helena Hamilton é o único Rebento que consegue descer ao Mundo dos Mortos e enfrenta uma tarefa quase impossível. Durante a noite vagueia pelo Hades, para tentar deter o ciclo infindável de vingança que amaldiçoou a família. Durante o dia esforça-se por superar a fadiga que lhe consome com rapidez a saúde mental. Sem Lucas a seu lado, Helena não tem a certeza de possuir forças para continuar. No momento em que está prestes a atingir o ponto de ruptura, um novo Rebento misterioso vem socorrê-la. Divertido e valente, Oríon escuda-a dos perigos do Mundo dos Mortos. Mas o tempo está a esgotar-se, um inimigo implacável conspira contra eles e as Fúrias continuam a clamar por sangue.
Quando o mundo grego antigo colide com o mundo mortal, a vida protegida de Helena em Nantucket desliza para o caos. Mas a tarefa mais difícil será esquecer Lucas Delos. A saga emocionante de Josephine Angelini torna-se ainda mais intrincada e fascinante quando surge um triângulo amoroso inesquecível e o ciclo eterno de vingança se intensifica. Avidamente esperada, esta sequela do best-seller internacional Predestinados, oferece ao leitor uma história de amor plena de acção que excede todas as expectativas.

Opinião


  Oitava filha e sétima rapariga, Josephine, a menina que devia ter sido Joseph, cresceu rodeada de irmãs numa quinta do Massachusetts, tendo mais tarde ido estudar artes cénicas com especialização em clássicos em Nova Iorque. Hoje vive com o marido, escritor de guiões, em Los Angeles mas ainda sabe conduzir um tractor.

  Em 2011 estreou-se na escrita com o primeiro volume de uma trilogia YA de fantasia urbana baseada nos mitos gregos que recebeu críticas bastante positivas quer dos críticos, como de leitores ou autores. “A mitologia moderna nunca foi tão sexy!” foi a frase que marcou esta trilogia, dita pela autora de Paranormalidade. Lauren Kate e Sophie Jordan, autoras de Anjo Caído e A Luz do Fogo, foram outras autoras que também se renderam à magia de Predestinados.

  Segundo volume da trilogia, Sonhos Esquecidos foi publicado o ano passado e conta já com tradução para onze países.

  Num tempo já esquecido, o amor provocou uma guerra, destruiu uma cidade, abalou os deuses e, agora, as promessas feitas poderão ser novamente quebradas e, mais uma vez, o amor será a chama que as incendiará. Reencarnações, semideuses, amaldiçoados, eles são a geração de ouro, os malditos, os invejados. Só eles poderão começar uma guerra com os próprios deuses, só eles poderão desfazer maldições, mas poderão eles clamar vitória? 

  Depois de um primeiro volume de cortar a respiração, as expectativas para esta continuação eram altíssimas e Josephine, mais uma vez, deixou-me maravilhada com a sua imaginação, com a forma como usa os seus conhecimentos e os adapta a sua história, criando algo maravilhoso e ousado que reinventa o mito, dando-lhe um toque moderno e inteligente que torna esta trilogia uma das melhores escritas nos últimos anos. Original, audaz e cheia de adrenalina, esta história de profecias e maldições, heróis e deuses, une um ambiente actual com valores clássicos de uma forma brilhante, captando a nossa atenção a cada desenrolar dos acontecimentos, prendendo-nos com as suas reviravoltas surpreendentes e deixando-nos sem fôlego a cada revelação. Com uma escrita romântica e irreverente, Josephine é uma das estrelas mais fulgurantes deste género, alguém que não só se atreveu como conseguiu fazer melhor.

  Depois do fim inesperado de Predestinados e da fantástica introdução que este livro é, o segundo volume é uma caixinha de surpresas que nos arrasa do início ao fim. A trama adensa-se, novas personagens surgem para nos deixar ainda mais embasbacados e a autora consegue fazer ainda melhor neste livro, como se fosse possível. Somos introduzidos a novos mitos, novas perspectivas sobre o desenrolar dos acontecimentos mas a fatalidade que desde o início marca a história de Helena torna-se cada vez mais uma certeza. O factor tragédia, tão presente na cultura clássica, também aqui se faz sentir sendo uma sombra constante e opressiva que nos faz quase temer virar a página não fosse a história ser tão viciante. O mundo construído por Josephine apresenta mais algumas peças e pormenores que nos dão uma luz sobre o que irá acontecer e que mostram a forma inteligente como a autora retalhou os diversos mitos e tragédias e depois os construiu para dar sentido à trama.

  A inspiração que envolve toda a história é ainda mais notável quando conhecemos novas personagens como as temidas Fúrias ou visitámos todos os lugares do Hades com Helena. É notável como a autora conseguiu criar uma história moderna, cheia de mistérios e mal-entendidos que acabam sempre por levar à concretização dos destinos tecidos e a encaixou com ambientes mitológicos que servem como fundo perfeito para esta narrativa de actos heróicos. Numa narrativa cheia de acção, vários são os momentos em que ficámos de boca aberta pois esta desenrola-se de uma forma surpreendente, com profecias e mentiras a inundarem as mentes das personagens e a condicionar-lhes os movimentos, novos e perigosos poderes e um amor que por mais proibido que seja torna-se cada vez mais forte. 

  O triângulo amoroso que a sinopse promete acaba por não ser o que estava a espera. Ao contrário dos típicos casos de indecisão da protagonista, o novo vértice deste triângulo não é uma razão de discórdia nem de traição, não só devido à relação de Lucas e Helena mas porque Órion é muito mais do que aparenta e a relação dos três passa por muito mais do que um problema amoroso. Este factor acabou por me agradar, apesar de não ser fã de triângulos, porque a história acaba por desenvolver muito mais e algumas pontas soltas são finalmente atadas.

  As personagens tornam-se ainda mais interessantes e complexas neste livro. O grupo dos semideuses encarnam na perfeição as generalidades de quem reencarnam mas sem perderem a personalidade própria sendo capazes de tomarem decisões por si próprios e de apesar de crerem nas profecias são capazes de acreditar que podem mudar o seu destino. Heitor continua a ser uma das minhas personagens preferidas e Lucas apesar de não aparecer tanto, marca pontos pela nova faceta que demonstra. Helena supera-se neste livro e Órion é a grande surpresa deste livro.

  Josephine dá-nos algo mítico que nos faz literalmente sofrer pelo final que aí vem pois pelo fim de Sonhos Esquecidos parece que teremos um fim de cortar a respiração. A verdade é que as expectativas são muitas mas esta já é uma das minhas trilogias preferidas de sempre.

7*
 
As minhas opiniões da série

6 comentários:

  1. Homónima, é a minha leitura actual e, tal como tu, sei já, de antemão, que será uma das trilogias da minha vida. =) Esta mulher é absolutamente genial, e quase me arrisco a dizer que, no original, a “coisa” é ainda melhor—já como aconteceu com o primeiro, estou a ler este em inglês. =)

    Também tenho uma certa aversão a triângulos amorosos e ainda que já tenha surgido um beijo (de certo que sabes de qual estou a falar), é claro (pelo menos, até agora) que este não é um triângulo convencional e que no que diz respeito à componente amorosa, que está quase fora de questão. Para Helen, o Lucas é e sempre será o seu amor (a minha opinião actual, claro que, ainda faltando metade do livro, isto pode mudar).

    Ah, e também adoro o Hector! Aliás, é o meu guilty pleasure desta trilogia. xD <3

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    1. Oh meu Deus tu não sabes o que está aí a vir!!!=O Ela é mesmo genial e esta trilogia é qualquer coisa de wooooowwwww loool acredito, ler na língua original é sempre outra experiência ;)

      Claro que sei!lool não, não é, exactamente por isso, a Helena sabe quem ama e muito bem =D

      Como poderia não ser??xD Ele é fantástico, deuses!

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    2. Eu já ando com teorias da conspiração, acreditas?! Porque depois, assim que começas a pensar que pode ser uma coisa, até parece que começam também a aparecer sinais de que será essa coisa, só não consegues é descobrir como raio lá vais chegar. Lol.

      Pois, isso também. Embora ela tenha um crush pelo Orion, ela sabe que o coração pertence ao Lucas. O que, inacreditavelmente, começa a deixar-me desassossegada uma vez que o Orion is starting to grow on me. Lol. Talvez seja por o Lucas não ter uma presença tão activa neste, mas começo a ficar triste por a Lennie ir ficar com ele.

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    3. Acredito!!xD Este livro tem grandes momentos e até ao final vais ter muitas, muitas surpresas =P

      Eu também gosto muito do Órion mas o Lucas...bem o Lucas é o Lucas *.* Mas espero que ela dê um final decente ao Órion, ele é tão querido!!

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    4. Ontem fiquei quase até às 6h a ler. Cheguei ali a uma parte e simplesmente não consegui parar!

      SPOILER ALERT – READ AT YOUR OWN RISK
      Fiquei estupefacta com o final, aquela cena toda de a Lennie estar consciente da situação da mistura dos sangues e não poder dizer nada durante a luta.... e a cena dela com o Orion junto do rio Lethe (oh, que hilariante!). Este livro foi absolutamente maravilhoso, mesmo, mesmo. *.* E adorei o facto de chegares ao final e... teres mesmo um final. Sentes que se fecha um ciclo, para se abrir outro. Gostei.

      O Hector é o meu favorito, de todos. O Orion é super fofi, é verdade, tem uma personalidade muito, muito agradável mas a faceta mais dark do Lucas também é interessante. Hmm...

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    5. Eu avisei-te!xD

      O final é brilhante!*.* A cena do rio então é o cúmulo, estás a chegar a uma parte importante mas só te dá vontade de rir xD Eu pensava que ela não se conseguia superar mas afinal (e ainda bem) estava completamente enganada! De cada vez que me lembro que vem ai o fim...ai nem sei!

      Também o meu *.* Escolha difícil =P

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