sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Opinião - A Chama de Sevenwaters

Título Original: Flame of Sevenwaters (#6 Sevenwaters)
Autor: Juliet Marillier
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 424

Sinopse
 Dez anos depois do terrível incêndio que quase lhe custou a vida, Maeve, filha de Lorde Sean de Sevenwaters, regressa a casa. Traz nas mãos disformes as marcas desse acidente e dentro de si a coragem férrea de Liadan e Bran, os pais adoptivos, e um dom muito especial para lidar com os animais mais difíceis. Embora as cicatrizes se tenham fechado, Maeve ainda teme as sombras do passado — e o regresso a casa não se faz sem dificuldades. Até porque Sevenwaters está à beira do caos.



Opinião

  Abrir pela primeira vez A Filha da Floresta é uma experiência que deixa marcas, uma experiência que muda a nossa concepção de fantasia, uma experiência que não mais poderá ser esquecida ou comparada a outras. Sevenwaters é um mundo especial. É um mundo que nos acolhe, que nos apaixona, que nos faz recordar com carinho a primeira vez que percorremos os seus caminhos, que nos deixa saudades atrozes, cujo regresso é sempre feito com nostalgia e amor. 

  Juliet Marillier deu-nos este mundo. Fez-nos adorar as suas personagens, viver cada história como se fosse a nossa, sonhar para lá do inimaginável. E provocou-nos a maior dor que um leitor pode ter, a despedida. Não uma, mas duas vezes. Despedir-me de Sevewaters uma vez foi suficientemente doloroso mas despedir-me outra vez partiu-me o coração. Quero pensar que este também não é um adeus definitivo mas talvez um até já, mesmo que longínquo.

  A Chama de Sevenwaters é o último volume da fantástica saga Sevenwaters. Terceiro volume fora da trilogia original, este livro foi publicado o ano passado e ainda só foi traduzido para português e holandês. 

  Depois de dois volumes onde o feitiço de Sevenwaters transpareceu, num mais forte do que noutro, heis um volume onde o antigo feitiço desta floresta encantada transbordou, cheio de toda a magia e encanto, de toda a glória que fez tantos apaixonarem-se por ela. A Chama de Sevenwaters restitui o verdadeiro espírito de Sevenwaters, numa demanda cheia de sacrifícios, testes, actos de coragem e destino, tudo aquilo que tornou a saga mais famosa de Juliet Marillier num sucesso literário, conseguindo, dos três livros escritos posteriormente, ser o mais fiel e o que mais restituirá sorrisos aos fãs da saga. 

  Mantendo o estilo de escrita com que nos conquistou, aquele dom de bardo que poucos têm, Juliet conta-nos uma história que bem podia ser um conto de fadas, uma história de amor e coragem, de beleza interior e sacrifício, que nos prende da primeira à última linha. Escrito com mestria e encanto, este livro recorda as histórias antigas, contadas de geração em geração à volta de uma fogueira pois, tal como essas histórias, esta tem muitas lições a dar e está repleta de magia, obscuridade e laços feitos pelo destino. Repleta de esperança e temores, esta narrativa é uma demanda pelo fim do Mal, na qual os heróis estão onde menos se esperam, os sacrifícios são necessários e o perigo pode estar no sorriso mais afável. Como em qualquer livro de Marillier, os nossos protagonistas são postos à prova, devendo ultrapassar os seus medos mais profundos e inseguranças, demonstrando que na alma mais simples ou atormentada pode encontrar-se algo único. Os sentimentos, como sempre, transcendem-se através de expressões e gestos, de uniões de amor, sangue ou ódio, provocando no leitor uma tempestade de sensações, prendendo-nos a cada momento da nossa leitura.

  Maeve é uma protagonista inesperada. Frágil, desiludida, racional, forte de carisma e carácter, ela é a filha que Liadan e Bran não tiveram. Nela encontrámos pedaços destas duas personagens, bem como dos seus pais, Sean e Aisling, e um traço muito próprio que nos faz, não só adorá-la como admirá-la. Tal como ela, toda a história é inesperada, feita de reviravoltas e acasos, de encontros destinados, de amores que, por mais inesperados, se formam da confiança, do carinho e do companheirismo. Uma história que encaixa na perfeição com Maeve, alguém que dedica amor aos mais fracos, que faz da fragilidade força, que é leal até ao âmago e corajosa mesmo não sabendo. A sua própria história de amor é uma surpresa, um pedaço que nos fará chorar e suspirar, que tornam este conto em algo poderoso e mágico.

  Finbar, a outra grande personagem desta história faz-me lembrar alguém e isso fez-me sorrir de saudade quase durante toda a leitura. Demasiado sério, às vezes inocente, ele sabe que nada será fácil mas em momento algum é capaz de desistir ou trair os desígnios. Mas, no fundo, a história não se faria sem outra personagem, a do meu querido Ciáran, que neste livro tem um papel crucial. Foi com muita saudade, carinho e desgosto que acompanhei esta sua aventura e, mais do que nunca, lamentei tudo o que lhe aconteceu e recordei, com uma grande dor no peito, cada perda e infortúnio. Ele é, sem dúvida, para mim, a grande personagem deste livro e uma das maiores desta saga.

  A Chama de Sevenwaters é uma despedida agridoce, um adeus que não sei se é para sempre mas que me doeu tanto como o primeiro. Mais uma vez, Juliet partiu-me o coração mas deixou outras tantas recordações maravilhosas.

7*
 
As minhas opiniões da série

2 comentários:

  1. A história está muito bem contada sem dúvida, apesar de a escritora manter sempre a mesma matriz: casa, viagem,casa. A trilogia Sevenwaters atingiu o seu ponto alto com o 3º livro 'A Filha da Profecia', depois disso a qualidade e o rigor histórico deixaram de existir. Foi um 'Grand Finale' , porque 6 livros já são demais. Esta literatura é suposta ser para adultos, mas o vocabulário, os factos, a própria história não é para adultos, é direcionada para um público feminino e jovem, talvez daí não ter tanta aderência por parte do público masculino e com mais idade.

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    1. Olá Elsa!

      Não penso que a qualidade tenha diminuído, já a complexidade e profundidade que os primeiros três livros têm isso já não encontrámos nestes últimos. "A Filha da Profecia" fechou um ciclo e estes livros são outro no mesmo mundo mas tenho de concordar que espero que termine por aqui tanto por nós como pela autora que já deve estar farta de escrever a mesma coisa.

      Quanto há ser para um público feminino bem aí já não concordo, acho que sim há elevadas expectativas em redor desta autora que para fãs mais acérrimos não se cumpriram. Quanto à ser para um público mais jovem, as protagonistas destes três têm a mesma idade que Sorcha, Liadan ou Fianne, são sim é histórias mais simples. Penso que acaba por existir um certo preconceito (não encontro outra palavra) em relação ao termo livros juvenis que se cola a estes livros.

      No fundo, o que acaba por acontecer, na minha opinião, é que os leitores de Juliet precisam de algo novo e mais complexo.

      Obrigada pelo seu comentário!

      Beijinhos e boas leituras!

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