Título Original: Flame of Sevenwaters (#6 Sevenwaters)
Autor: Juliet Marillier
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 424
Sinopse
Dez anos depois do
terrível incêndio que quase lhe custou a vida, Maeve, filha de Lorde
Sean de Sevenwaters, regressa a casa. Traz nas mãos disformes as marcas
desse acidente e dentro de si a coragem férrea de Liadan e Bran, os pais
adoptivos, e um dom muito especial para lidar com os animais mais
difíceis. Embora as cicatrizes se tenham fechado, Maeve ainda teme as
sombras do passado — e o regresso a casa não se faz sem dificuldades.
Até porque Sevenwaters está à beira do caos.
Opinião
Abrir pela primeira vez A
Filha da Floresta é uma experiência que deixa marcas, uma experiência que
muda a nossa concepção de fantasia, uma experiência que não mais poderá ser
esquecida ou comparada a outras. Sevenwaters é um mundo especial. É um mundo
que nos acolhe, que nos apaixona, que nos faz recordar com carinho a primeira
vez que percorremos os seus caminhos, que nos deixa saudades atrozes, cujo
regresso é sempre feito com nostalgia e amor.
Juliet Marillier deu-nos este mundo. Fez-nos adorar as suas
personagens, viver cada história como se fosse a nossa, sonhar para lá do
inimaginável. E provocou-nos a maior dor que um leitor pode ter, a despedida.
Não uma, mas duas vezes. Despedir-me de Sevewaters uma vez foi suficientemente
doloroso mas despedir-me outra vez partiu-me o coração. Quero pensar que este
também não é um adeus definitivo mas talvez um até já, mesmo que longínquo.
A Chama de Sevenwaters
é o último volume da fantástica saga Sevenwaters. Terceiro volume fora da
trilogia original, este livro foi publicado o ano passado e ainda só foi
traduzido para português e holandês.
Depois de dois volumes onde o feitiço de Sevenwaters
transpareceu, num mais forte do que noutro, heis um volume onde o antigo
feitiço desta floresta encantada transbordou, cheio de toda a magia e encanto,
de toda a glória que fez tantos apaixonarem-se por ela. A Chama de Sevenwaters restitui o verdadeiro espírito de
Sevenwaters, numa demanda cheia de sacrifícios, testes, actos de coragem e destino,
tudo aquilo que tornou a saga mais famosa de Juliet Marillier num sucesso
literário, conseguindo, dos três livros escritos posteriormente, ser o mais
fiel e o que mais restituirá sorrisos aos fãs da saga.
Mantendo o estilo de escrita com que nos conquistou, aquele
dom de bardo que poucos têm, Juliet conta-nos uma história que bem podia ser um
conto de fadas, uma história de amor e coragem, de beleza interior e
sacrifício, que nos prende da primeira à última linha. Escrito com mestria e
encanto, este livro recorda as histórias antigas, contadas de geração em
geração à volta de uma fogueira pois, tal como essas histórias, esta tem muitas
lições a dar e está repleta de magia, obscuridade e laços feitos pelo destino. Repleta
de esperança e temores, esta narrativa é uma demanda pelo fim do Mal, na qual os
heróis estão onde menos se esperam, os sacrifícios são necessários e o perigo
pode estar no sorriso mais afável. Como em qualquer livro de Marillier, os
nossos protagonistas são postos à prova, devendo ultrapassar os seus medos mais
profundos e inseguranças, demonstrando que na alma mais simples ou atormentada pode
encontrar-se algo único. Os sentimentos, como sempre, transcendem-se através de
expressões e gestos, de uniões de amor, sangue ou ódio, provocando no leitor
uma tempestade de sensações, prendendo-nos a cada momento da nossa leitura.
Maeve é uma protagonista inesperada. Frágil, desiludida,
racional, forte de carisma e carácter, ela é a filha que Liadan e Bran não
tiveram. Nela encontrámos pedaços destas duas personagens, bem como dos seus
pais, Sean e Aisling, e um traço muito próprio que nos faz, não só adorá-la
como admirá-la. Tal como ela, toda a história é inesperada, feita de
reviravoltas e acasos, de encontros destinados, de amores que, por mais
inesperados, se formam da confiança, do carinho e do companheirismo. Uma história
que encaixa na perfeição com Maeve, alguém que dedica amor aos mais fracos, que
faz da fragilidade força, que é leal até ao âmago e corajosa mesmo não sabendo.
A sua própria história de amor é uma surpresa, um pedaço que nos fará chorar e
suspirar, que tornam este conto em algo poderoso e mágico.
Finbar, a outra grande personagem desta história faz-me lembrar
alguém e isso fez-me sorrir de saudade quase durante toda a leitura. Demasiado sério,
às vezes inocente, ele sabe que nada será fácil mas em momento algum é capaz de
desistir ou trair os desígnios. Mas, no fundo, a história não se faria sem
outra personagem, a do meu querido Ciáran, que neste livro tem um papel
crucial. Foi com muita saudade, carinho e desgosto que acompanhei esta sua
aventura e, mais do que nunca, lamentei tudo o que lhe aconteceu e recordei,
com uma grande dor no peito, cada perda e infortúnio. Ele é, sem dúvida, para
mim, a grande personagem deste livro e uma das maiores desta saga.
A Chama de Sevenwaters
é uma despedida agridoce, um adeus que não sei se é para sempre mas que me
doeu tanto como o primeiro. Mais uma vez, Juliet partiu-me o coração mas deixou
outras tantas recordações maravilhosas.
7*
As minhas opiniões da série

A história está muito bem contada sem dúvida, apesar de a escritora manter sempre a mesma matriz: casa, viagem,casa. A trilogia Sevenwaters atingiu o seu ponto alto com o 3º livro 'A Filha da Profecia', depois disso a qualidade e o rigor histórico deixaram de existir. Foi um 'Grand Finale' , porque 6 livros já são demais. Esta literatura é suposta ser para adultos, mas o vocabulário, os factos, a própria história não é para adultos, é direcionada para um público feminino e jovem, talvez daí não ter tanta aderência por parte do público masculino e com mais idade.
ResponderEliminarOlá Elsa!
EliminarNão penso que a qualidade tenha diminuído, já a complexidade e profundidade que os primeiros três livros têm isso já não encontrámos nestes últimos. "A Filha da Profecia" fechou um ciclo e estes livros são outro no mesmo mundo mas tenho de concordar que espero que termine por aqui tanto por nós como pela autora que já deve estar farta de escrever a mesma coisa.
Quanto há ser para um público feminino bem aí já não concordo, acho que sim há elevadas expectativas em redor desta autora que para fãs mais acérrimos não se cumpriram. Quanto à ser para um público mais jovem, as protagonistas destes três têm a mesma idade que Sorcha, Liadan ou Fianne, são sim é histórias mais simples. Penso que acaba por existir um certo preconceito (não encontro outra palavra) em relação ao termo livros juvenis que se cola a estes livros.
No fundo, o que acaba por acontecer, na minha opinião, é que os leitores de Juliet precisam de algo novo e mais complexo.
Obrigada pelo seu comentário!
Beijinhos e boas leituras!