sábado, 14 de setembro de 2013

Opinião - A Dama do Retrato

Título Original: The Painted Lady
Autor: Maeve Haran
Editora: Porto Editora
Número de Páginas: 432


Sinopse
 Quando chega à corte da Restauração, Frances Stuart, de apenas dezasseis anos, depressa descobre que tanto a sua beleza como a sua inocência são altamente prezadas – invejadas pelas damas e cobiçadas pelos cavalheiros. O rei Carlos II, loucamente apaixonado por ela, está disposto a tudo para a tornar sua amante. Mas Frances não é apenas um rosto bonito, ela está determinada a fazer as suas próprias escolhas de vida, e a conquistar o homem que ama.

Conseguirá ela escapar às armadilhas resultantes da obsessão do monarca, dos ciúmes da rainha, e da maldade da amante mais influente do rei e levar a sua avante?

Tendo como pano de fundo a Grande Praga e o Grande Incêndio de Londres, A Dama do Retrato é a imagem vívida da vida na decadente corte de Carlos II e da coragem de uma mulher que luta pelo seu próprio destino.


Opinião

  Licenciou-se em Direito na Universidade de Oxford mas Maeve acabaria por trabalhar em jornalismo e televisão até começar a escrever. O seu primeiro livro tornou-se um bestseller internacional e até teve direito a uma minissérie na Coreia. A autora more na parte norte de Londres com o marido e tem três filhos.

  Começou a sua carreira literária com romances contemporâneos mas há quatro anos virou-se para os romances históricos com The Lady and the Poet e em 2011 publicou o seu último trabalho, também um romance histórico, A Dama do Retrato, ainda só traduzido em português e turco. A ideia de escrever este livro apareceu após a autora se ter casado na casa de La Belle Stuart trezentos anos depois de esta lá ter vivido.

  A Dama do Retrato não é apenas uma história sobre uma das mulheres mais belas da História de Inglaterra. É sobre uma época, um reinado, uma sociedade, um país. É uma história repleta de glamour, intrigas e paixões que nos deslumbra através de uma escrita fluída, cuidada e encantadora que nos dá um romance onde ficção e factos são equilibrados de uma forma assaz brilhante. Maeve Haran demonstra que uma boa pesquisa conjugada com talento e prazer podem criar uma obra de extrema qualidade e beleza, capaz de cativar o leitor e o incitar a saber mais sobre a história do livro. Um romance sobre uma das épocas mais conturbadas e interessantes da História da Inglaterra, este livro é um retrato magnífico de uma dama e de uma corte.

  Com um enredo ricamente detalhado e descrições deliciosas, neste livro nada foi deixado ao acaso, desde os pormenores do vestuário às descrições dos palácios, das relações entre a nobreza e o monarca às intrigas e preocupações políticas, da forma como o povo via a corte aos acontecimentos mais marcantes destes anos como a Grande Praga ou o Incêndio de Londres, tudo é descrito com o máximo cuidado e de uma forma bastante visual permitindo-nos imaginar na perfeição cada detalhe. Mesmo sem aprofundar muito, a autora conseguiu apresentar com o máximo rigor possível não só os acontecimentos reais como também a política, a questão religiosa, a questão dinástica e os relacionamentos externos de Inglaterra, principalmente com a Holanda. Conseguiu também, conjuga-los na perfeição com a parte romantizada do livro.

  Não se centrando apenas na vida de Frances Stuart mas englobando todos os que consigo conviveram, a narrativa apresenta-nos de uma forma maravilhosa esta personagem que ainda hoje pode ser encontrada a representar Britânia, deixando-nos entrever os seus prazeres, rivalidades e segredos bem como a sua posição firme à perseguição cerrada do rei. Não há como não adorar esta jovem que se manteve firme aos seus princípios e ao seu amor durante cinco anos apesar de muitas vezes as coisas poderem quase ter corrido mal para o seu lado. Através dos seus olhos conhecemos um rei, uma corte e uma cidade por vezes leviana, por vezes puritana, cujas regras apenas se cumpriam quando convinha aos interesses de cada um. Com ela, convivemos com as personagens mais importantes do seu tempo mas mais importante, conhecemo-la. Frances Stuart não deixa ninguém indiferente e é facilmente uma personagem que se adora.

  Todas as personagens são brilhantemente caracterizadas mas são sem dúvida, Carlos II, Catarina de Bragança, Lady Castlemaine e Mary Villiers as principais personagens, para além da protagonista que mais nos aguçam a curiosidade através dos seus temperamentos e acções mas tenho de evidenciar a forma fantástica como a autora caracterizou não só Catarina de Bragança como os seus acompanhantes portugueses, muito bom sem dúvida.

  Maeve Haran consegue assim imiscuir-se na minha lista de autores preferenciais deste género com um livro tão romântico quanto trágico. A Dama do Retrato é um dos melhores romances históricos que li e aconselho-o a todos os que gostem do género ou se interessem pela época.

6*

2 comentários:

  1. Primeiramente queria parabenizar pela resenha, bem completa, deixa a gente com vontade de ler.
    Não sou muito fã de romances de época mas fiquei com curiosidade, por isto anotei aqui.

    Estou seguindo seu blog para acompanhar as atualizações e sempre que puder fazer uma visita.
    Abraços

    http://reaprendendoaartedaleitura.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Obrigada Fernando!
      Se tiveres oportunidade de ler este livro espero que gostes =)

      Também já sigo o teu blogue!

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