Título Original: Memoirs of an Imaginary Friend
Autor: Matthew Dicks
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 328
Sinopse
Um romance perfeito para quem já teve um amigo – verdadeiro ou não.
Matthew Dicks inspirou-se no imaginário de uma criança autista que conheceu e criou uma calorosa história de amor e lealdade, narrada por uma personagem improvável: Budo, o amigo imaginário de Max, o menino autista.
Budo é uma voz original e inesquecível, pois é capaz de falar sobre a vida, o amor, a amizade, a infância, a morte, e a paternidade, como uma personagem poderosa e inteligente dentro da cabeça de uma criança autista.
Mas os amigos imaginários só podem existir desde que os seus amigos reais continuem a acreditar neles. Mas um dia Max deixa de acreditar!
E quando Max fica em perigo, mesmo tendo a criança deixado de acreditar nele, Budo arrisca tudo, incluindo a sua existência, para salvá-lo, ou melhor resgatá-lo do que todos à sua volta querem que Max seja e que nunca poderá ser.
Matthew Dicks inspirou-se no imaginário de uma criança autista que conheceu e criou uma calorosa história de amor e lealdade, narrada por uma personagem improvável: Budo, o amigo imaginário de Max, o menino autista.
Budo é uma voz original e inesquecível, pois é capaz de falar sobre a vida, o amor, a amizade, a infância, a morte, e a paternidade, como uma personagem poderosa e inteligente dentro da cabeça de uma criança autista.
Mas os amigos imaginários só podem existir desde que os seus amigos reais continuem a acreditar neles. Mas um dia Max deixa de acreditar!
E quando Max fica em perigo, mesmo tendo a criança deixado de acreditar nele, Budo arrisca tudo, incluindo a sua existência, para salvá-lo, ou melhor resgatá-lo do que todos à sua volta querem que Max seja e que nunca poderá ser.
Opinião
7*
Matthew cresceu numa cidade pequena de Massachusetts com
dois irmãos, dois perdidos mas reencontrados meio-irmãos, uma mãe adorável e um
padrasto malvado. Foi escuteiro, saltador de vara, flautista e baixista e um
orgulho membro do corpo de tambores da escola. Ah, e morreu duas vezes aos 18
antes de ser reanimado pelos paramédicos. Com a mesma idade deixou a cada onde
viveu para viver de maus trabalhos até que aos 23 foi morrendo de vez e,
finalmente, ganhou juízo e foi para a faculdade.
Graduou-se em Artes Liberais, Inglês e em Ensino e tornou-se
professor, profissão que exerce até hoje. Também tem e gere uma companhia de DJ
que actua em casamentos. Em 2006 casou-se e hoje é pai de duas crianças.
Escreveu o primeiro livro dois anos depois e está agora a trabalhar no seu
quarto livro bem como em vários projectos. No tempo livre, ouve música, atende
telefonemas e dedica-se ao golfe, no qual é um desastre, e ao basquetebol em
que é muito melhor.
Memórias de Um Amigo
Imaginário é o seu terceiro trabalho e o de maior sucesso. Foi publicado em
2012 e está traduzido para catorze línguas.
Há livros complexos que tendem a ser cheios de subtilezas e reviravoltas,
de momentos elucidativos através de palavras caras e expressões eloquentes mas
às vezes basta um livro simples, um livro inocente, quase infantil, um livro
cuja mensagem nos toque e nos marque profundamente, um livro que mude a nossa
forma de pensar e que nos ensine algo importante. Memórias de Um Amigo Imaginário é um desses livros, uma história
desenvolvida com simplicidade através de uma escrita fluída, terna e comovente
que nos alerta para a necessidade de ter alguém em quem nos apoiarmos, de
sentirmos segurança, de não estarmos sozinhos. Contada do ponto de vista de um
ser imaginário, um ser com as dúvidas e o conhecimento da criança que o
imaginou, esta é uma história que nos abala quase sem darmos conta, é uma
história cujo final nos deixa com um sorriso banhado a lágrimas.
Primeiro fala-nos da
amizade, do seu poder, como dois seres se unem de tal forma pela compreensão e
companheirismo que se entendem como se vivessem na pele um do outro. Da forma
como este sentimento nos pode proteger e enfraquecer, de como precisámos de
alguém sempre ao nosso lado nos bons e maus momentos, sejam reais ou não. Fala-nos
do crescimento, daquele momento em que se ganha confiança, do momento em que
deixámos de ser indefesos para nos sabermos mostrar, aquele momento em que
finalmente somos nós e só nós que tomámos as rédeas de quem seremos e queremos
ser. E depois, fala da diferença, da incompreensão, de como a inocência pode
ser malvada e injusta. Max vive num mundo muito seu, um mundo que nem todos
compreendem ou aceitam. É uma criança especial mas que os outros veem quase
como inválido, com um ser à parte. E depois há Budo, o seu amigo imaginário,
aquele que o entende como ninguém.
Budo é o narrador deste livro. É por ele que sentimos e
vemos cada momento. Através dos seus olhos conhecemos a realidade dos amigos
imaginários, como são tão importantes no crescimento de uma criança e como são
tão ténues na sua existência. Budo apresenta-nos todo o tipo de amigos
imaginários, tão diferentes quanto a imaginação e o conhecimento de a criança
que os imaginou, mostra-nos a dor ou a alegria de já não serem necessários, o
amor que dedicam àqueles que acompanham momento a momento. Com ele, aprendemos
o verdadeiro valor da amizade, a apreciar as pequenas coisas da vida, a
compreender a coragem, como às vezes temos de tomar decisões difíceis mesmo que
nos magoemos para salvar outrem. Budo é a voz, a alma, aquele que nos comove
indefinidamente.
Com um enredo quase básico, Matthew mostra-nos como
funcionam as relações familiares, como a compreensão e o amor em casa são
importantes mas também a importância da vida escolar na formação dos mais
pequenos, o quanto necessitam de se sentirem bem e seguros nesta segunda casa. Mostra-nos
como perdas irreparáveis podem mudar uma pessoa, como podem afectá-la até ao
limite, como dores pessoais podem prejudicar terceiros.
As personagens, tão suaves acabam por cada uma marcar
fortemente a narrativa e em cada um deles podemos rever-nos ou rever alguém
querido. Cada uma tem uma forma de agir e pensar, cada uma marca Budo e Max à
sua maneira e todas elas tocam-nos bem no fundo da nossa alma. Mas são os
amigos imaginários a grande presença, os verdadeiros heróis desta história pois
mesmo sabendo que um dia perderam o amor do que deles precisam continuam a
amá-los, a protegê-los, a salvá-los.
Comovente, único, brilhante. Assim é Memórias de Um Amigo Imaginário, uma história que não deixará
ninguém indiferente e que mostrará que ainda podemos aprender algo e que nos
deixará sem palavras e com o coração cheio de todas as coisas boas.
7*

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