Título Original: Dracula
Autor: Bram Stoker
Editora: Canterbury Classics
Número de Páginas: 368
Sinopse
Irish author Bram Stoker
introduced the character of Count Dracula and provided the basis of
modern vampire fiction in his 1897 novel entitled Dracula.
Written as a series of letters, newspaper clippings, diary entries, and
ships’ logs, the story begins with lawyer Jonathan Harker journeying to
meet Dracula at his remote castle to complete a real estate transaction.
Harker soon discovers that he is being held prisoner, and that Dracula
has a rather disquieting nocturnal life. Touching on themes such as
Victorian culture, immigration, and colonialism, among others, this
timeless classic is sure to keep readers on the edge of their seats! Now
available as part of the Canterbury Classics singles series, Dracula is a must-have addition to the libraries of all classic literature lovers.
Opinião
Abraham Stoker nasceu em 1847 em Dublin inválido, recuperando
miraculosamente aos sete e mais tarde evidenciando-se como atleta, e foi o
terceiro filho dos sete que a feminista Charlotte Mathilda Blake Thornely teve
com Abraham Stoker, de quem o autor de Dracula
herdou o nome. Criado na religião católica irlandesa, formou-se no Trinity
College com honra em Matemática e envolveu-se em várias actividades onde
exerceu papéis de relevo. Durante os anos 70 do século XIX escreveu um livro de
não ficção e críticas de teatro para um jornal pertencente a um escritor de
horror, o que o levou a conhecer o actor Henry Irving e o colocou no mundo do teatro
tendo sido agente de actores e mais tarde gerente do Irving’s Lyceum Theatre em
Londres durante 27 anos, cargo que o permitiu conhecer a alta sociedade
londrina e autores como Sir Arthur Conan Doyle. Casou com Florence Balcombe de
quem teve um filho e cujo o ex-pretendente era Oscar Wilde.
Dracula, a sua
grande obra, viria a nascer após o encontro de Bram com um escritor hungáro que
através das suas sombrias histórias sobre os Cárpatos influenciou ainda mais a
paixão de Stoker pelo folclore europeu e mitos vampíricos e levou a publicação,
em 1897, do livro que criou todo um mito. Hoje o clássico mais amado do horror tem
mais de 1000 edições podendo ser encontrado em papel, ebook ou áudio e inspirou
quase uma centena de filmes.
Escrito em forma de cartas, entradas de diários, telegramas
ou notícias, Dracula é o livro por
trás da lenda, aquele que depois de séculos de mitos e histórias criou toda uma
moda, uma visão e mesmo paixão, pela figura mitológica do vampiro, tendo dado
um nome àquele que é considerado o pai de todos, Dracula. Inspirado em figuras históricas como o Príncipe Vlad Tepes
ou a Condessa Erzsébet Bathory, recriado a partir de mitos, este livro é a obra
prima de Stoker e a inspiração de dois séculos de histórias em papel ou tela. Aterrorizador,
denso e sombrio, Dracula é uma
leitura apaixonante que Stoker nos apresenta há um ritmo tortuoso, cheio de
mistérios e momentos de terror através de uma escrita cuidada e envolvente que impõe
entusiasmo e um horror delicioso ao leitor.
Com um enredo cheio de pistas que levam o leitor de hoje
rapidamente às grandes revelações mas que não o deixam de encantar, esta é uma
leitura de reviravoltas, de falsos passos, de convicção e grande coragem que
nos delicia com pormenores que, apesar de hoje serem conhecidos por qualquer um
que goste da temática ou tenha visto um filme com vampiros nos deixa presos ao
feitiço que é a história de Dracula. Se nos diverte as superstições já passadas
de moda, a verdade é que elas enquadram-se na perfeição na história e faz nos
perceber porque séculos depois, sem nunca termos lido o livro antes, conhecemos
cada uma delas com grande detalhe. Nunca em momento algum podemos esquecer a
idade deste livro e o que ele significou para os tempos e o género de horror e,
rapidamente, percebemos porque é ele imortal e tão actual.
Envolvendo em mistério e terror a figura de Dracula, Stoker
criou um pesadelo sem igual cuja presença assombra cada palavra, cada momento,
cada personagem. A influência do Conde é sentida durante toda a narrativa e, em
cada página, conseguimos sentir a tensão e o desespero que assolam o variado
leque de personagens e a crueldade e poder de Dracula em seu redor. Das várias
vozes que ficámos a conhecer, duas se destacam a meu ver: Mina Murray e Dr. Van
Helsing. Não é que as restantes não sejam interessantes mas sendo estas duas
das quatro personagens que melhor conhecemos, sem dúvida que se destacam do
Dr.Seward ou Jonathan Harker. Este começa bem nos primeiros capítulos mas
quando regressa a narrativa já estámos demasiado presos à inteligência e argúcia
de Mina e à presença marcante de Van Helsing. Já o Dr. Seward, sendo a
personagem com mais tempo de antena acaba por ficar relacionado tanto com as
partes mais aborrecidas como as mais agitadas do livro, porque relata quase
toda a acção.
O único defeito deste livro acaba por ser o ritmo incerto. Ora
agarra por completo o leitor, ora perde-se em pormenores mal explicados e em descrições
de pouca importância o que acaba, não por tirar a piada do livro mas nos leva a
lê-lo mais devagar e a ter quebras de atenção. Quanto ao machismo e catolicismo
presentes, não me fez qualquer impressão visto que se adequa ao pensamento da
época em que Dracula foi escrito e
acho que mesmo assim, Stoker ainda dá um grande papel de relevância à Mina.
Um clássico de terror, a inspiração de toda a mitologia
moderna dos vampiros, o pai dos vampiros, Dracula
é um livro a ser lido por todos os fãs do horror, do sobrenatural, dos
vampiros… e por todos os outros. Um exemplo de como um livro vive para lá das
suas páginas, a obra-prima de Stoker marcou e continuará a marcar gerações de
leitores.


nunca li o livro mas o filme do Francis Ford Coppola é um dos meus preferidos. Tb tenho acompanhado a série que estreou há umas semanas com o Jonathan Rys Meyers e estou a gostar bastante, embora eu ache que muitas coisas de que falam não estão no livro. Mas pronto é série e não adaptação com fim :D
ResponderEliminarFalas da inteligência da Mina e eu acho que na série eles tornaram-na numa mulher inteligente e que sabe o que quer. No filme ela é mais uma figura romântica :)
Eu adoro o filme do Coppola *.* Mas é uma versão mais romântica do livro. Ainda só vi o primeiro episódio da série e está diferente mas gostei das voltas que eles deram, sempre usam a história com originalidade que também é preciso quando feito com qualidade.
EliminarReparei nisso no episódio que vi e foi uma das coisas que mais gostei porque a Mina acaba por ser a mente guardada pela força bruta dos meninos =D