quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Opinião - Dracula

Título Original: Dracula
Autor: Bram Stoker
Editora: Canterbury Classics
Número de Páginas: 368


Sinopse
 Irish author Bram Stoker introduced the character of Count Dracula and provided the basis of modern vampire fiction in his 1897 novel entitled Dracula. Written as a series of letters, newspaper clippings, diary entries, and ships’ logs, the story begins with lawyer Jonathan Harker journeying to meet Dracula at his remote castle to complete a real estate transaction. Harker soon discovers that he is being held prisoner, and that Dracula has a rather disquieting nocturnal life. Touching on themes such as Victorian culture, immigration, and colonialism, among others, this timeless classic is sure to keep readers on the edge of their seats! Now available as part of the Canterbury Classics singles series, Dracula is a must-have addition to the libraries of all classic literature lovers.


Opinião

  Abraham Stoker nasceu em 1847 em Dublin inválido, recuperando miraculosamente aos sete e mais tarde evidenciando-se como atleta, e foi o terceiro filho dos sete que a feminista Charlotte Mathilda Blake Thornely teve com Abraham Stoker, de quem o autor de Dracula herdou o nome. Criado na religião católica irlandesa, formou-se no Trinity College com honra em Matemática e envolveu-se em várias actividades onde exerceu papéis de relevo. Durante os anos 70 do século XIX escreveu um livro de não ficção e críticas de teatro para um jornal pertencente a um escritor de horror, o que o levou a conhecer o actor Henry Irving e o colocou no mundo do teatro tendo sido agente de actores e mais tarde gerente do Irving’s Lyceum Theatre em Londres durante 27 anos, cargo que o permitiu conhecer a alta sociedade londrina e autores como Sir Arthur Conan Doyle. Casou com Florence Balcombe de quem teve um filho e cujo o ex-pretendente era Oscar Wilde.


  Dracula, a sua grande obra, viria a nascer após o encontro de Bram com um escritor hungáro que através das suas sombrias histórias sobre os Cárpatos influenciou ainda mais a paixão de Stoker pelo folclore europeu e mitos vampíricos e levou a publicação, em 1897, do livro que criou todo um mito. Hoje o clássico mais amado do horror tem mais de 1000 edições podendo ser encontrado em papel, ebook ou áudio e inspirou quase uma centena de filmes.


  Escrito em forma de cartas, entradas de diários, telegramas ou notícias, Dracula é o livro por trás da lenda, aquele que depois de séculos de mitos e histórias criou toda uma moda, uma visão e mesmo paixão, pela figura mitológica do vampiro, tendo dado um nome àquele que é considerado o pai de todos, Dracula. Inspirado em figuras históricas como o Príncipe Vlad Tepes ou a Condessa Erzsébet Bathory, recriado a partir de mitos, este livro é a obra prima de Stoker e a inspiração de dois séculos de histórias em papel ou tela. Aterrorizador, denso e sombrio, Dracula é uma leitura apaixonante que Stoker nos apresenta há um ritmo tortuoso, cheio de mistérios e momentos de terror através de uma escrita cuidada e envolvente que impõe entusiasmo e um horror delicioso ao leitor.


  Com um enredo cheio de pistas que levam o leitor de hoje rapidamente às grandes revelações mas que não o deixam de encantar, esta é uma leitura de reviravoltas, de falsos passos, de convicção e grande coragem que nos delicia com pormenores que, apesar de hoje serem conhecidos por qualquer um que goste da temática ou tenha visto um filme com vampiros nos deixa presos ao feitiço que é a história de Dracula. Se nos diverte as superstições já passadas de moda, a verdade é que elas enquadram-se na perfeição na história e faz nos perceber porque séculos depois, sem nunca termos lido o livro antes, conhecemos cada uma delas com grande detalhe. Nunca em momento algum podemos esquecer a idade deste livro e o que ele significou para os tempos e o género de horror e, rapidamente, percebemos porque é ele imortal e tão actual.


  Envolvendo em mistério e terror a figura de Dracula, Stoker criou um pesadelo sem igual cuja presença assombra cada palavra, cada momento, cada personagem. A influência do Conde é sentida durante toda a narrativa e, em cada página, conseguimos sentir a tensão e o desespero que assolam o variado leque de personagens e a crueldade e poder de Dracula em seu redor. Das várias vozes que ficámos a conhecer, duas se destacam a meu ver: Mina Murray e Dr. Van Helsing. Não é que as restantes não sejam interessantes mas sendo estas duas das quatro personagens que melhor conhecemos, sem dúvida que se destacam do Dr.Seward ou Jonathan Harker. Este começa bem nos primeiros capítulos mas quando regressa a narrativa já estámos demasiado presos à inteligência e argúcia de Mina e à presença marcante de Van Helsing. Já o Dr. Seward, sendo a personagem com mais tempo de antena acaba por ficar relacionado tanto com as partes mais aborrecidas como as mais agitadas do livro, porque relata quase toda a acção.


  O único defeito deste livro acaba por ser o ritmo incerto. Ora agarra por completo o leitor, ora perde-se em pormenores mal explicados e em descrições de pouca importância o que acaba, não por tirar a piada do livro mas nos leva a lê-lo mais devagar e a ter quebras de atenção. Quanto ao machismo e catolicismo presentes, não me fez qualquer impressão visto que se adequa ao pensamento da época em que Dracula foi escrito e acho que mesmo assim, Stoker ainda dá um grande papel de relevância à Mina.


  Um clássico de terror, a inspiração de toda a mitologia moderna dos vampiros, o pai dos vampiros, Dracula é um livro a ser lido por todos os fãs do horror, do sobrenatural, dos vampiros… e por todos os outros. Um exemplo de como um livro vive para lá das suas páginas, a obra-prima de Stoker marcou e continuará a marcar gerações de leitores.



2 comentários:

  1. nunca li o livro mas o filme do Francis Ford Coppola é um dos meus preferidos. Tb tenho acompanhado a série que estreou há umas semanas com o Jonathan Rys Meyers e estou a gostar bastante, embora eu ache que muitas coisas de que falam não estão no livro. Mas pronto é série e não adaptação com fim :D
    Falas da inteligência da Mina e eu acho que na série eles tornaram-na numa mulher inteligente e que sabe o que quer. No filme ela é mais uma figura romântica :)

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    1. Eu adoro o filme do Coppola *.* Mas é uma versão mais romântica do livro. Ainda só vi o primeiro episódio da série e está diferente mas gostei das voltas que eles deram, sempre usam a história com originalidade que também é preciso quando feito com qualidade.
      Reparei nisso no episódio que vi e foi uma das coisas que mais gostei porque a Mina acaba por ser a mente guardada pela força bruta dos meninos =D

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