quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Opinião - Sob o Céu que Não Existe

Título Original: Under The Never Sky (#1 Under The Never Sky)
Autor: Veronica Rossi
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 296


Sinopse
O mundo mantinha-os separados, mas o destino reuniu-os. Aria viveu toda a vida no Casulo protegido de Reverie. Este era o seu mundo e nunca pensou sobre o que estaria para lá das fronteiras. Mas, quando a mãe desaparece, Aria vê-se confrontada a sair para o exterior para a procurar, e a sobrevivência no deserto o tempo suficiente para a encontrar parece impossível. Então Aria encontra um estranho chamado Perry. Ele também está à procura de alguém.

Mas é um Externo, um Selvagem, contudo é a única pessoa capaz de a manter viva na travessia do deserto. E se conseguirem sobreviver serão a esperança um do outro para encontrar respostas às perguntas que vão surgindo à medida que se vão conhecendo.


Opinião


  Nasceu no Rio de Janeiro mas foi na Califórnia que continuou os seus estudos, tendo estudado em Los Angeles e em São Francisco a chamada fine art. Adora todos os cães em que mete os olhos em cima, dá nomes aos seus computadores (o actual chama-se Romeo), é uma grande fã de saias e vestidos com bolsos, gostava de conhecer o mundo inteiro e gosta de Os Jogos da Fome. Como é que sei? Ela é team Finnick (resta saber se o é antes ou depois de terem escolhido o actor para o papel).


  Veronica continua a viver na Califórnia com o marido e os dois filhos e tornou-se escritora publicada em 2012 com Sob o Céu que Não Existe. Os direitos das suas trilogias estão vendidos para vinte e cinco países e os direitos para filme já foram vendidos a Warner Bros. Quando não está a escrever, Veronica lê, pinta a óleo e conta os minutos até poder voltar as suas histórias.

  Desde que foi publicado Sob o Céu que Não Existe chamou-me a atenção e após as muitas críticas positivas tornou-se claro para mim que este livro era algo de sensacional ou, pelo menos, assim o esperava só que, este livro, não foi nada do que seria expectante. Foi sim, uma caixinha de surpresas que estranhei bastante e que, quando me apercebi, estava completamente entranhada na minha mente. O primeiro livro de Veronica Rossi começa de forma abrupta, somos atirados de forma violenta para um mundo totalmente novo e temos de descobrir por nós mesmos afinal o que é Reverie, o que são os Moradores, o que são os Selvagens. Nas primeiras páginas, estranhei a escrita e o mundo, as personagens deixaram-me de pé atrás mas há meio do livro tudo soava natural e sensacional, tudo mudou e eu percebi o porquê do sucesso fulgurante de Veronica Rossi.

  A escrita continuou a soar-me estranha e difícil mas nada é simples ou fácil neste livro. Aliás, a escrita conjuga-se perfeitamente com o mundo complicado e bastante rastreiro de Rossi, um mundo que custa a perceber mas cujas peças nos vão sendo dadas ao longo da leitura para nosso maravilhamento e deleite podermos descobrir o complexo puzzle que é este mundo. Com um sentido de humor delicioso e uma subtileza quase vil, a autora dá-nos uma história que à primeira vista nos pode ser estranha e até desadequada mas que se vai entranhando de tal forma que, quando damos conta, estamos completamente viciados nela tal é o poder de reviravolta da autora.

  Ao longo da leitura somos apresentados a um mundo fascinante e complexo, um mundo difícil de desbravar, cheio de enigmas que incita-nos a ler vorazmente e nos deixa salivar por mais no fim. Se no início parece tudo muito exagerado, desencaixado ou perdido a partir de um momento importante tudo faz sentido, tudo encaixa, tudo se torna mais vívido. Mas desenganem-se se pensam que a primeira parte deste livro é má. Não é, faz todo o sentido para a história e para a relação dos personagens, é essa estranheza que nos faz perceber o quão genial a imaginação e o poder de persuasão de Rossi são. Ao longo de todo o enredo, muitas são os momentos fortes em emoções, muitos são os momentos que podem acelerar ou parar um coração, sejam eles perfeitamente executados ou mais primitivos mas é o sentido de humor da autora e a sua percepção da alma humana que realmente nos conquistam.

  Numa leitura cheia de acção como esta, pode-se facilmente esquecer os momentos mais introvertidos mas Rossi não deixa que isso aconteça. Também em momentos mais parados podemos ser atacados pelas emoções e são nesses momentos que percebemos as diversas camadas que um pensamento, um sentimento, uma acção podem ter aos nossos olhos e aos demais. Cheia de pormenores subtis, esta narrativa cativa cada vez mais conforme avançámos na leitura e muitas são as revelações e surpresas que nos guarda. Graças a essa subtileza a história acaba por ter muito por onde crescer, deixando a expectativa para os próximos bem alta e a curiosidade quase a roçar o desespero de saber o que acontece a seguir.

  Tal como a narrativa também as personagens soaram desadequadas ao início. Aria e Perry não me convenciam nem me suscitavam qualquer tipo de ligação até que de repente ela lá estava e página a página aprendi a adorar este casal de protagonistas que não só cresce bastante ao longo da história como revelam grandes qualidades e fundos bem mais agradáveis do que as suas superfícies. A verdade é que eles não são perfeitos e ao vermos primeiro os seus defeitos torna mais fácil gostarmos das suas qualidades portanto a autora foi bastante inteligente em deixar-nos ver primeiro o pior. O restante elenco de personagens é surpreendente e parece-me ainda têm muito para nos mostrar.

  Depois de terminar este livro a certeza é uma. Tudo era verdade, este livro é sensacional e pode-se tornar uma distopia tão adorada ou mais do que Divergente e Jogos da Fome afinal, o próximo livro promete ser ainda melhor. Sob o Céu que Não Existe mostra assim, que ainda há muitas cartas a dar neste género e que Veronica Rossi merece a legião de fãs que já conquistou.

6*
 

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Sem dúvida Marta ;) Esta ainda vai dar muito que falar! Lá fora já é um sucesso!=D

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  2. Já tinha lido algumas opiniões favoráveis a esta escritora. inclusive no Brasil parece que se encontram rendidos à mesma e vejo que também adoraste. Parece ser mesmo muito interessante e fiquei ainda curiosa por experimentar. :)

    Beijinhos e parabéns pelo novo visual do blogue! :D

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    1. De facto os elogios são merecidos, desde os EUA ao Brasil todos têm adorado esta trilogia e ainda bem que as minhas expectativas foram correspondidas. Penso mesmo que esta saga puderá ter ou suplantar o sucesso de "Jogos da Fome" e "Divergente", veremos ;)
      Experimenta que vale a pena!

      Muito obrigada e beijinhos!=D

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