sábado, 28 de dezembro de 2013

Opinião - D. Maria II, Tudo por um Reino

Título Original: D. Maria II - Tudo por Um Reino
Autor: Isabel Stilwell
Editora: Esfera dos Livros
Número de Páginas: 687

Sinopse
Com apenas 7 anos, Maria da Glória torna-se rainha de Portugal. Um país do outro lado do oceano que nunca havia pisado. A sua infância foi vivida no Brasil, entre o calor e os papagaios coloridos que admirava na companhia dos seus irmãos e da sua adorada mãe, D. Leopoldina. A ensombrar esta felicidade apenas Domitília, a amante do seu pai, imperador do Brasil e D. Pedro IV de Portugal. Em 1828 parte rumo a Viena para ser educada na corte dos avós. Para trás deixa a mãe sepultada, os seus adorados irmãos e a marquesa de Aguiar, sua amiga e protetora. Traída pelo seu tio D. Miguel, que se declara rei de Portugal, e a quem estava prometida em casamento, D. Maria acaba por desembarcar em Londres onde conhece Vitória, a herdeira da coroa de Inglaterra a quem ficará para sempre ligada por uma estreita relação de amizade. Aos 15 anos, finda a guerra civil, D. Maria pisa pela primeira vez o solo do seu país. Seria uma boa rainha para aquela gente que a acolhia em festa e uma mulher feliz, mais feliz do que a sua querida mãe. Fracassada a sua união com o tio, agora exilado, casa-se com Augusto de Beauharnais que um ano depois morre de difteria. Maria era teimosa, não desistia assim tão facilmente da sua felicidade e encontra-a junto de D. Fernando de Saxo-Coburgo-Gotha, pai dos seus onze filhos, quatro deles mortos à nascença.

Opinião

  Aos 21 anos estreou-se no jornalismo no Diário de Notícias, mais tarde, viria a fundar e dirigir a revista Pais&Filhos. Foi directora da Notícias Magazine e do jornal Destak, o primeiro durante 13 anos e este último até ao final de 2012 mas para além do jornalismo, Isabel sempre se dedicou a vários projectos, desde a sua participação na Antena 1, encontros em escolas ou conferências e à escrita, tendo escrito contos, ficção ou histórias para crianças mas foi com os seus romances históricos que a jornalista se afirmou enquanto escritora.

  Em 2007, a autora publicou D. Filipa de Lencastre, o primeiro dos seus quatro romances históricos de sucesso sobre rainhas portuguesas e que já vai na 25ª edição. D. Maria II foi publicado o ano passado, tendo já vendido mais de 45 mil exemplares e teve mesmo direito a edição especial para o mercado brasileiro.

  Já há muito tempo que desejava ler esta autora, não só pelo enorme sucesso mas por se dedicar às rainhas da nossa história e foi com este livro que finalmente me estreei e só posso dizer, que estreia absolutamente fabulosa. Isabel Stilwell dá vida e humanidade a algumas das personagens mais marcantes da nossa história e apresenta-nos um outro lado de uma das épocas mais conturbadas do nosso país através de uma escrita cuidada e vivaz, que mistura ficção e pormenores históricos numa narrativa fluída e interessante que demonstra que os nossos também podem ser grandes protagonistas e que não só lá fora se escreve ficção histórica como deve ser.

  Num enredo marcado pelas acções, pensamentos, amores e ódios de uma rainha dividida por dois países, pela família e pelo dever, não falta controvérsia, intriga e um certo humor mordaz que tornam esta leitura não só fascinante mas um quadro colorido de uma época em que dois mundos se combatiam em terras portuguesas, o passado e o futuro, sem se conseguirem conjugar. A história é nos apresentada por partes referentes às mulheres que marcaram a vida de D. Maria II e das cartas que estas trocaram referentes à rainha em diferentes fases da sua vida, o que nos aproxima não só da personagem como nos apresenta as formas como a rainha foi vista ao longo da sua vida, que nos mostra as qualidades porque era apreciada e o quanto os seus defeitos eram bem conhecidos por todos, bem como não só a visão de D. Maria da Glória como também daqueles que com ela conviveram.

  É enquanto filha, aluna, amiga, rainha, mãe e esposa, que conhecemos esta mulher, rainha de um país do qual só tinha ouvido histórias, que marcada pelo casamento problemático dos pais e pela intriga política constante dos dois lados do Atlântico sempre tentou impor-se num mundo de homens sem esquecer o seu papel de mulher, sendo ela que brilha em cada página deste romance da sua vida pela visão única e inédita que nos é dada a conhecer. As suas decisões incompreensíveis, a sua relação com os homens que a rodeavam, o crescimento no Brasil e o reinado em Portugal, a paixão pela família, tudo isto é nos contado através da personalidade forte e tempestiva desta rainha que ao longo das páginas consegue levar-nos a exasperação até conquistar a nossa admiração e algum carinho.

  A autora conseguiu não só apresentar de uma forma única personagens como o Duque de Saldanha, Costa Cabral, D. Pedro IV e até a Rainha Vitória, como conseguiu conjugar de uma forma cuidada ficção e história, sendo poucos os erros a apontar quanto aos pormenores históricos que preencheram as muitas páginas deste livro. Aliás, a autora não só não se esqueceu dos momentos mais marcantes da vida de D.Maria II como ainda adicionou pormenores pouco conhecidos como a amizade com a rainha Vitória e a relação com Costa Cabral, criando assim um romance encantador e tão espontâneo quanto esta rainha.

  Uma estreia com esta autora, D. Maria II foi uma surpresa que me adoçou a boca e será certamente seguido dos restantes livros de Stilwell pois não é todos os dias que se conta a história do nosso país em romances com esta qualidade.


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