Título Original: The Bone Season (#1 A Estação dos Ossos)
Autor: Samantha Shannon
Editora: Casa das Letras
Número de Páginas: 496
Sinopse
2059. Paige Mahoney tem
dezanove anos e trabalha no submundo do crime da Londres de Scion, na
zona dos Sete Quadrantes, para Jaxon Hall. O seu trabalho consiste em
procurar informações invadindo a mente de outras pessoas. Paige é uma
caminhante de sonhos, uma clarividente - e, no seu mundo, no mundo de
Scion, comete traição pelo simples facto de respirar. Está a chover no
dia em que a sua vida muda para sempre. Atacada, drogada e raptada,
Paige é levada para Oxford - uma cidade mantida em segredo há duzentos
anos e controlada por uma raça poderosa, vinda de outro mundo, os
Refaim. Paige é atribuída ao Guardião, um Refaíta com motivações
misteriosas. Ele é o seu mestre. O seu professor. O seu inimigo natural.
Mas, para Paige recuperar a sua liberdade, tem de se deixar reabilitar
naquela prisão onde tem por destino morrer.
Opinião
Samantha Shannon nasceu em Hammersmith, no oeste de Londres,
há 22 anos e faz parte de uma família numerosa constituída por mais quatro
irmãos e quatro pais. É fã de música antiga e gramofones, filmes mudos, bom
café e livros a sério. Terminou este ano o curso de Língua e Literatura Inglesa
no St. Anne’s College em Oxford com
especialização em Princípios de Crítica de Cinema e no poeta americano Emily
Dickinson e, também publicou o seu primeiro livro, A Estação dos Ossos.
O primeiro de uma série de sete, o primeiro livro de
Samantha foi o grande hype do ano
tendo a autora sido mesmo comparada a J.K. Rowling. Os direitos para o filme
até já foram adquiridos pela Twentieth Century Fox em Outubro deste ano e o
livro já se encontra traduzido para dez línguas.
Este pode ser considerado o livro deste ano, um livro que
fomentou grandes expectativas de uma autora que foi comparada à uma grande
senhora que adoro, A Estação dos Ossos é
aquele livro que todos irão querer ler nem que seja para confirmar todas as
coisas boas que foram ditas sobre ele. Como tantos outros leitores, também o
meu interesse neste livro tem crescido ao longo do ano e quando chegou há
terras lusas, pura e simplesmente, eu tinha de tê-lo, tinha de lê-lo, tinha de
perceber se tudo o que dizem é verdade, se este é realmente o primeiro livro de
uma série que irá arrebatar tudo e todos.
Samantha Shannon criou um mundo original, um mundo promissor
e complexo cheio de pormenores e novos conceitos, um mundo que tem tudo para
arrebatar os leitores. Com uma escrita detalhada, por vezes crua e dura, esta
jovem autora afirmou-se mas será que correspondeu às expectativas? Infelizmente
não. Não vos posso dizer que não gostei deste livro, gostei e irei ler o
próximo mas não o adorei nem esta se tornou uma série obrigatória na minha
estante porque, por mais que ela seja tudo aquilo que adoro numa série,
falta-lhe algo, falta aquela ligação, aquela paixão que sentimos quando um
livro nos conquista por completo. Este não é um livro perfeito, é um livro com
erros que mesmo sendo alguns perdoáveis devido a este ser o primeiro livro da
autora depois de tudo o que se disse dele são difíceis de esquecer, até mesmo
perdoar.
Scion é um projecto ambicioso. Passado num futuro pós-
apocalíptico com características paranormais, é caracterizado por uma
complexidade muitas vezes difícil de discernir, muito por culpa ora da falta de
explicações ora destas serem mal dadas. Existe muita coisa a absorver nesta
história, um governo tirano, uma ralé indesejada com poderes que variam entre
sete classes tendo essas sete classes vários tipos dos chamados clarividentes e
cuja origem é dúbia, um povo estranho com poderes inexplicáveis, uma cidade
secreta, uma linguagem por vezes estranha, entre outras coisas, que tornariam
este livro uma coisa espectacular e sim, um dos melhores livros do ano, se fosse
coerente, o que não acontece. Somos bombardeados com informação e muitos
conceitos diferentes mas não somos presenteados com uma explicação ou alguma
ajuda para entender melhor este mundo, o que não ajuda em nada a sua percepção
ou mesmo o prazer da leitura.
O enredo por outro lado é cheio de acção e tensão,
prende-nos quando é corrente e dá-nos um cheirinho do quão bom este livro seria
sem tanta infodump e se nos tivesse sido dada uma melhor compreensão deste
mundo mas infelizmente não chega para tornar este livro uma excelência. Sim,
tem situações de alto risco, leva-nos pelo passado da protagonista, vai-nos
dando pistas sobre o que realmente se passa mas as emoções escapam-se porque apesar
da atenção dada ao enredo, a falta dela quanto aos pormenores, a interligação
das várias peças e quanto a ligação de personagens deixam com que o leitor
fique a beira do precipício mas nunca salte. Ou seja, nunca nos sentimos
realmente parte da história.
Para além da ligação das personagens parecer tão
maquinizada, infelizmente não houve nenhuma que adorasse ou que me fizessem
sentir alguma coisa, e para mim, esse é o problema mais grave deste livro. A
protagonista, Paige, podia ser alguém espectacular como Katniss, Tris ou Saba,
mas é tão casmurra e parva às vezes que só me apetecia perguntar-lhe o que
pensava ela que estava a fazer. Ela é poderosa atenção, e fria quando quer e
com muita coisa guardada mas o facto de às vezes não usar o cérebro irritou-me deveras.
Quanto às restantes, não é que sejam más personagens é só que, não provocam nada
em mim e isso faz com que seja difícil com que me preocupe com elas.
A Estação dos Ossos acabou
assim por não cumprir as expectativas. Shannon ainda comete muitos erros de
principiante mas irei dar uma oportunidade ao segundo porque apesar de não ter
sido o melhor livro do ano, penso que ainda existe esperança para esta série. Pode
ser que o segundo seja melhor, pode ser que esta série ainda se torne o
espectacular que promete, afinal, este ainda é o primeiro de sete e que esta é uma história cheia de promessas, isso é uma certeza.


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