quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Opinião - A Estação dos Ossos

Título Original: The Bone Season (#1 A Estação dos Ossos)
Autor: Samantha Shannon
Editora: Casa das Letras
Número de Páginas: 496


Sinopse
 2059. Paige Mahoney tem dezanove anos e trabalha no submundo do crime da Londres de Scion, na zona dos Sete Quadrantes, para Jaxon Hall. O seu trabalho consiste em procurar informações invadindo a mente de outras pessoas. Paige é uma caminhante de sonhos, uma clarividente - e, no seu mundo, no mundo de Scion, comete traição pelo simples facto de respirar. Está a chover no dia em que a sua vida muda para sempre. Atacada, drogada e raptada, Paige é levada para Oxford - uma cidade mantida em segredo há duzentos anos e controlada por uma raça poderosa, vinda de outro mundo, os Refaim. Paige é atribuída ao Guardião, um Refaíta com motivações misteriosas. Ele é o seu mestre. O seu professor. O seu inimigo natural. Mas, para Paige recuperar a sua liberdade, tem de se deixar reabilitar naquela prisão onde tem por destino morrer.

Opinião


  Samantha Shannon nasceu em Hammersmith, no oeste de Londres, há 22 anos e faz parte de uma família numerosa constituída por mais quatro irmãos e quatro pais. É fã de música antiga e gramofones, filmes mudos, bom café e livros a sério. Terminou este ano o curso de Língua e Literatura Inglesa no St. Anne’s College em  Oxford com especialização em Princípios de Crítica de Cinema e no poeta americano Emily Dickinson e, também publicou o seu primeiro livro, A Estação dos Ossos.

  O primeiro de uma série de sete, o primeiro livro de Samantha foi o grande hype do ano tendo a autora sido mesmo comparada a J.K. Rowling. Os direitos para o filme até já foram adquiridos pela Twentieth Century Fox em Outubro deste ano e o livro já se encontra traduzido para dez línguas.

  Este pode ser considerado o livro deste ano, um livro que fomentou grandes expectativas de uma autora que foi comparada à uma grande senhora que adoro, A Estação dos Ossos é aquele livro que todos irão querer ler nem que seja para confirmar todas as coisas boas que foram ditas sobre ele. Como tantos outros leitores, também o meu interesse neste livro tem crescido ao longo do ano e quando chegou há terras lusas, pura e simplesmente, eu tinha de tê-lo, tinha de lê-lo, tinha de perceber se tudo o que dizem é verdade, se este é realmente o primeiro livro de uma série que irá arrebatar tudo e todos.

  Samantha Shannon criou um mundo original, um mundo promissor e complexo cheio de pormenores e novos conceitos, um mundo que tem tudo para arrebatar os leitores. Com uma escrita detalhada, por vezes crua e dura, esta jovem autora afirmou-se mas será que correspondeu às expectativas? Infelizmente não. Não vos posso dizer que não gostei deste livro, gostei e irei ler o próximo mas não o adorei nem esta se tornou uma série obrigatória na minha estante porque, por mais que ela seja tudo aquilo que adoro numa série, falta-lhe algo, falta aquela ligação, aquela paixão que sentimos quando um livro nos conquista por completo. Este não é um livro perfeito, é um livro com erros que mesmo sendo alguns perdoáveis devido a este ser o primeiro livro da autora depois de tudo o que se disse dele são difíceis de esquecer, até mesmo perdoar.
 
  Scion é um projecto ambicioso. Passado num futuro pós- apocalíptico com características paranormais, é caracterizado por uma complexidade muitas vezes difícil de discernir, muito por culpa ora da falta de explicações ora destas serem mal dadas. Existe muita coisa a absorver nesta história, um governo tirano, uma ralé indesejada com poderes que variam entre sete classes tendo essas sete classes vários tipos dos chamados clarividentes e cuja origem é dúbia, um povo estranho com poderes inexplicáveis, uma cidade secreta, uma linguagem por vezes estranha, entre outras coisas, que tornariam este livro uma coisa espectacular e sim, um dos melhores livros do ano, se fosse coerente, o que não acontece. Somos bombardeados com informação e muitos conceitos diferentes mas não somos presenteados com uma explicação ou alguma ajuda para entender melhor este mundo, o que não ajuda em nada a sua percepção ou mesmo o prazer da leitura.

  O enredo por outro lado é cheio de acção e tensão, prende-nos quando é corrente e dá-nos um cheirinho do quão bom este livro seria sem tanta infodump e se nos tivesse sido dada uma melhor compreensão deste mundo mas infelizmente não chega para tornar este livro uma excelência. Sim, tem situações de alto risco, leva-nos pelo passado da protagonista, vai-nos dando pistas sobre o que realmente se passa mas as emoções escapam-se porque apesar da atenção dada ao enredo, a falta dela quanto aos pormenores, a interligação das várias peças e quanto a ligação de personagens deixam com que o leitor fique a beira do precipício mas nunca salte. Ou seja, nunca nos sentimos realmente parte da história.

  Para além da ligação das personagens parecer tão maquinizada, infelizmente não houve nenhuma que adorasse ou que me fizessem sentir alguma coisa, e para mim, esse é o problema mais grave deste livro. A protagonista, Paige, podia ser alguém espectacular como Katniss, Tris ou Saba, mas é tão casmurra e parva às vezes que só me apetecia perguntar-lhe o que pensava ela que estava a fazer. Ela é poderosa atenção, e fria quando quer e com muita coisa guardada mas o facto de às vezes não usar o cérebro irritou-me deveras. Quanto às restantes, não é que sejam más personagens é só que, não provocam nada em mim e isso faz com que seja difícil com que me preocupe com elas.

  A Estação dos Ossos acabou assim por não cumprir as expectativas. Shannon ainda comete muitos erros de principiante mas irei dar uma oportunidade ao segundo porque apesar de não ter sido o melhor livro do ano, penso que ainda existe esperança para esta série. Pode ser que o segundo seja melhor, pode ser que esta série ainda se torne o espectacular que promete, afinal, este ainda é o primeiro de sete e que esta é uma história cheia de promessas, isso é uma certeza.



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