sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Opinião - O Homem do Castelo Alto

Título Original: The Man in the High Castle
Autor: Philip K. Dick
Número de Páginas: 363

 
Sinopse
1962. Estados Unidos. Quinze anos depois das Potências do Eixo terem derrotado os Aliados na Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos ficaram sob o controlo a Alemanha nazi e do Império do Japão. A obra de ficção científica mostra uns EUA incapazes de superar a Grande Depressão em 1929 depois do assassinato do presidente Franklin D. Roosevelt e uma URSS que rui em 1941. O Homem do Castelo Alto valeu um Prémio Hugo a Philip K. Dick, reconhecido em meios de ficção científica.



Opinião


  Philip nasceu em Chicago em 1928 e mudou-se para a Califórnia com a mãe após o divórcio dos pais quando tinha quatro anos de idade e aí viveu até a sua morte em 1982. O autor ainda frequentou Filosofia e Alemão na universidade mas desistiu para trabalhar como DJ numa emissora de rádio enquanto mantinha uma loja discográfica. Foi nesta época que começou a escrever e que publicou o seu primeiro conto de ficção científica numa revista, Planet Stories. Paranóico, o autor acreditava mesmo que havia sido contactado por “forças exteriores” durante a década de 70 e foi durante muitos anos vigiado pelo FBI pelas suas ligações ao Partido Comunista.

  Publicou o primeiro livro em 1955 mas apesar de em vinte seis anos ter publicado quase quarenta obras foi um autor pouco reconhecido em vida e acabou por ser o cinema que o haveria de levar junto ao grande público graças às oito adaptações de sucesso que foram feitas dos seus livros. O Homem do Castelo Alto, publicado em 1962, foi o livro que lhe deu o reconhecimento e o único livro que lhe valeu um Hugo. Está traduzido em quase trinta línguas.

  Este livro acabou por não ser nada do que esperava e, se por um lado foi melhor, por outro também foi um pouco desapontante. De uma premissa que coloca em questão todo o futuro do mundo actual, Dick cria uma obra que tanto tem de irónica como de fatalista e que infelizmente se torna demasiado filosófica e pouco deve a acção. Não quer isto dizer que O Homem do Castelo Alto não é genial, é o de facto mas a escrita do autor, pouco usual quase estranha e à qual não nos acostumámos pode ser um entrave à leitura deste livro, que já de si acaba mais por nos fazer pensar do que propriamente entreter-nos pois a verdadeira essência desta história não está no enredo mas nas ideias que este transmite.

  Quase se pode dizer que esta é uma história quase parada pois a acção propriamente dita não existe, existe sim, uma sequência de ideias e actos levados a cabo por intervenção de um oráculo ou melhor, pela leitura das personagens desse oráculo, que levam ao grande final deste livro e que nos demonstra que nunca esteve em causa a vitória dos japoneses e dos alemães porque apesar de apresentar as características politicas, religiosas e sociais de um mundo nipónico/nazi, este livro toca em temas mais profundos e em questões mais existenciais do que “E se tivessem ganho eles a guerra?”. No fundo, este livro não questiona o que teria acontecido se o Eixo tivesse ganho a guerra, questiona sim, se aquilo que pensámos ser a realidade realmente existe ou tudo não passa de uma grande ilusão que fomentámos.

  Exemplo disso são as personagens que, ao contrário de serem presenças que marcam e mudam ou acção e em torna dos quais esta devia girar, são mais instrumentos do destino ou da ideia do autor pois maioritariamente servem para utilizarem o I Ching e demostrarem que através das suas várias perspectivas, meios sociais e nacionalidades, mais que não são do que meios através dos quais o autor demonstra que seja qual for o caminho, o fim será sempre o mesmo, seja qual for a questão ou a forma como esta é feita, a resposta será sempre a mesma. O uso excessivo do I Ching, um oráculo chinês de que a cultura nipónica se apodera e que todos utilizam neste livro, serve para entrar no caminho esotérico da questão e, também, a meu ver talvez para demonstrar que vença quem vencer a guerra, os perdedores continuam vivos pela apreciação da sua cultura e consequentes objectos.

  Exemplo disso é a forma como os marcos da cultura americana são procurados no mercado, o que nos traz um sorriso irónico porque nem japoneses nem alemães eram/são apreciadores da cultura americana e acabam por decorar as suas casas não com objectos da sua cultura superior mas sim com a da cultura derrotada e destruída. Não será esta é uma forma de vitória e um prenúncio da queda? Porque afinal o Eixo, pela visão deste livro, não consegue vinte anos depois manter-se firme e esteve sempre assombrado pelos crimes que cometeu, para além de que sempre foram aliados imprevisíveis com culturas e políticas muito diferentes, daí que a queda de um possa vir pelo intermédio do outro.

  Mas o mais engraçado disto tudo acaba por ser que apesar de ser uma leitura estranha e pesada e por vezes parada, este livro lê-se de uma assentada, mal dei por virar as páginas e muito menos pelo fim chegar.

  Um livro com uma mensagem inesperada e que fugiu por completo ao que esperava dele, O Homem do Castelo Alto acabou por se revelar uma história genial e profunda mas que para mim toca demasiado na filosofia e no esoterismo. 


1 comentário:

  1. Nunca li nada de Philip Dick mas para o ano não me escapa:D Clássico de ficção científica! Beijos

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