quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Aquisições *JANEIRO*

Primeiro mês do ano, primeiro mês das desgraças!

E não é que até me portei bem??
 Das novidades só comprei um (mas há outro que há-de vir cá parar, ai vai, vai!)*, acabei uma saga muito adorada e enchi o Kobozinho de muitas coisas boas e gratuitamente e ainda aproveitei as promoções da Bertrand.

Resultado: muito bom comportamento...que me cheira não ir continuar no próximo mês, desgraça!

Pessoal as comprinhas deste mês:



Uma Casa de Família, Natasha Solomons *Opinião*
Os Dragões do Assassino, Robin Hobb *Opinião*

*Última compra do mês ;_; Não resisti!

 
Ebooks:

Gratuitamente da Revista SÁBADO e do jornal O Diário de Notícias



Gratuitamente de sites editorias como Carina Press, Harlequin e Kobo ou da própria autora











Comprados





segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Opinião - Uma Casa de Família

Título Original: The Novel in The Viola
Autor: Natasha Solomons
Editora: Edições ASA
Número de Páginas: 416

Sinopse
 Na primavera de 1938, a ameaça nazi paira sobre a Europa. Em Viena, a família Landau vê desaparecer muitos dos seus amigos e teme pela sua segurança. Decidem fugir do país mas não poderão partir juntos. Elise, a filha mais nova, é enviada para Inglaterra, onde a espera um emprego como criada de uma família aristocrática. É a única forma de garantir a sua segurança. Para trás deixa uma vida privilegiada. Em Tyneford, ela tenta encontrar o seu lugar na rígida hierarquia da casa. É agora uma das criadas, mas nunca antes trabalhou. Tem a educação e os hábitos da classe alta, mas não pertence à aristocracia. Enquanto areia as pratas e prepara as lareiras, usa as magníficas pérolas da mãe por baixo do uniforme. Sabe que deve limitar-se a servir, mas não consegue evitar o escândalo ao dançar com Kit, o filho do dono da casa. Juntos vão desafiar as convenções da severa aristocracia inglesa numa história de amor que tocará todos os que os rodeiam. Em Tyneford, ela vai aprender que é possível ser mais do que uma pessoa. Viver mais do que uma vida. Amar mais do que uma vez.

Opinião

Nascida em 1980, Natasha é argumentista juntamente com o marido, David e também escritora, tendo já publicado dois romances. Mr Roseblum’s List, o seu primeiro romance e finalista dos Galaxy National Book Award é um bestseller internacional e Uma Casa de Família, originalmente publicado em 2011, já conta com mais de 30 traduções e tem sido muitas vezes comparado à premiada série Downton Abbey. O romance foi inspirado na aldeia fantasma de Tyneham, assunto sobre o qual a autora sempre quis escrever e ao qual deu vida após ler um artigo sobre as judias que escaparam ao Nazismo sendo criadas na Grã-Bretanha.
Apesar de não dispensar a lareira nos dias mais frios do Inverno, assim que os primeiros narcisos começam a nascer Natasha regressa ao seu local de escrita preferido, o pavilhão de verão que se encontra no fundo do seu jardim. Amante do campo, a autora nasceu e continua a residir nos espaços verdes de Dorset.
Sem dares conta, o teu mundo pode mudar de um dia para o outro. Pequenos sussurros, sorrisos estagnados, olhos em baixo e palavras menos sinceras, são pequenos sinais de que a vida que sempre conheceste se está a desmoronar, peça a peça, sem que haja nada que possas fazer para o impedir. As pessoas que conheceste desaparecem sem aviso, em locais onde eras bem-vinda fecham-te a porta na cara, a tua família feliz e perfeita está sempre alerta enquanto rugas de preocupação se formam nas suas faces onde antes só havia sorrisos. Algo mudou mas mesmo quando deixas para trás tudo o que conheces e amas ainda não percebes que o teu mundo já não existe nem voltará a existir. Judia vienense, Elise parte de umas das cidades mais belas do mundo e de uma vida de regalias para um canto esquecido de Inglaterra, um sítio onde lavará escadas, polirá as pratas e acenderá lareiras. Um sítio onde descobrirá uma nova vida e uma nova casa, onde irá amar, onde se irá tornar noutra pessoa. Um local onde, enquanto o mundo se quebra, irá viver os momentos mais felizes e tristes da sua existência.
A escrita de Natasha é o que se pode chamar uma escrita doce, delicada e sentimental, que marca a narrativa ao compasso de uma melodia que nos aconchega e enche de saudades enquanto nos arrebata com a profunda tristeza que toda a história nos causa. Quadro de uma época atroz, este livro mostra-nos uma faceta que poucos se lembram de retratar, a dos que ficaram em casa, dos que sentiram o flagelo das armas mas foram esquecidos, dos que deram mais do que a vida para uma guerra que lhes levaria toda uma forma de existência, dos que abandonaram tudo por causa de uma palavra que até aí não tinha tanto significado na sua vida. Num relato delicado mas cheio de profundidade, não revivemos apenas a vida de uma rapariga longe de casa, da família e da sua cultura mas também o fim de um local esquecido mas abençoado, o término das grandiosas casas de campo, pertenças do passado e transmissíveis por heranças de séculos, a morte do idílico paraíso inglês, tão verde e silencioso.
Um hino à beleza e felicidade de um mundo perdido, Uma Casa de Família é um sussurro subtil, um chamamento ao passado e às ligações, onde podemos encontrar um pensamento e uma sociedade que já não existem através das palavras de uma jovem, conotada como judia mas que pouco ligava importância a esse facto até perder tudo por causa dela, que irá crescer e mudar longe da cidade onde nasceu e da sua família, que irá apaixonar-se e descobrir o seu lugar no mundo, que descobrirá uma nova casa para a voltar a perder. Enquanto Elise aprende uma nova língua e costumes e sofre pelos que estão longe, ela descobre que casa é onde está o nosso coração e que memórias e lembranças devem ser vividas através de sorrisos e não de lágrimas. Vienense de nascimento e inglesa por amor, esta jovem aprenderá vivendo e revivendo e descobrirá, que seja qual a língua em falemos é a nossa alma que dita qual a verdadeira.
Encontrámos neste livro personagens tão subtis quanto profundas, personificações de um espírito e de uma época, archotes de ideais que há muito se perderam mas que nunca desistiram nem quando o fim era uma certeza tanto nas mentes como nos corações. Capazes de dar novas oportunidades e de renascerem das ruínas de outrora serão incansáveis, passando por cima das suas crenças para continuarem a dar vida a um mundo sombrio e destruído. Entre a calmaria e a tempestade, entre a rebeldia da juventude e a sensatez dos que já passaram a idade das tropelias, as nossas personagens, uns com voz mais sossegada e mão de ferro, outros com o estrondo dos risos e a ferocidade da paixão, transportam-nos para outra altura, para a imponência de Tyneford e o verdadeiro significado de lar.
Apesar das referências à série Downton Abbey, este livro é um romance próprio, com uma história própria e não tem quaisquer parecenças com a série, tirando o facto de se passar numa casa grande de campo e mostrar a azáfama dos criados no seu dia-a-dia mas não deixa por isso de ser menos apreciável ou mais irrealista. Sem ser o que estava a espera, Uma Casa de Família conquistou-me pela sua força subtil e pelo seu relato inocente, por me fazer regressar a um tempo e lugares onde as brisas traziam mudanças mais duradouras e sofridas e por me dar uma nova visão de uma época que não deixa de nos atormentar.

6*

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Opinião - E Tudo o Vento Levou

Título Original: Gone With the Wind
Autor: Margaret Mitchell
Editora: Editorial Minerva/Contexto Editora
Número de Páginas: 1º vol. 586 / 2º vol. 585

Sinopse
Romance épico da guerra civil americana, o livro acompanha o destino de Scarlett O'Hara durante os períodos da Secessão, da Guerra Civil e da reconstrução do pós-guerra. Scarlett irá passar do luxo à miséria total, e casar-se-á três vezes, uma delas com a sua paixão de adolescência, Rhett Butler. E Tudo o Vento Levou (1936), da americana Margaret Mitchell, é também um impressionante fresco de uma época decisiva dos Estados Unidos. Se o filme protagonizado por Vivien Leigh e Clark Gable ajudou a celebrizar o livro, a verdade é que este já tivera um sucesso de vendas sem precedentes. Conquistou o Pulitzer em 1937, e passou ao cinema em 1939.
                                                     

Opinião
Nascida em 1900 em Atlanta, no estado de Geórgia, Margaret era filha de um advogado e de uma sufragista e toda a vida ouviu histórias sobre a Guerra de Secessão, quer de parentes, quer de veteranos que haviam lutado do lado da Confederação, histórias que a obcecavam e faziam com que ainda criança, se levantasse a meio da noite para registar as suas ideias para peças e livros e que haviam de inspirar um dos livros mais grandiosos de sempre, E Tudo o Vento Levou, primeira e única obra da jovem sulista. Publicado em 1936, vendeu em quatro meses mais de um milhão de cópias e iria valer a Margaret um Pulitzer no ano seguinte e seria para sempre considerado um dos livros mais populares alguma vez escritos, estatuto para o qual o filme homónimo, realizado em 1939, terá contribuído.
Com o apoio de personalidades como F. Scott Fitzgerald e William Faulkner na realização do roteiro, E Tudo o Vento Levou imortalizou para sempre Vivien Leigh e Clark Gable na história do cinema. Um dos filmes mais nomeados de sempre, venceu onze óscares e o produtor David O. Selznick nunca se deve ter arrependido dos $50 000 que pagou para levar esta história para as telas de cinema.
Uns dizem que foi uma guerra pelos direitos civis, muitos sabem que foi a primeira guerra industrial e o momento que tornaria os Estados Unidos da América aquilo que eles são hoje. Uma guerra onde mais do que entes queridos e fortunas, se perdeu modos de vida, formas de pensar e se disse adeus à uma sociedade que não mais voltaria, a Guerra de Secessão foi um virar da página, um capítulo sanguinário e de derrotas, do qual apenas os mais fortes sobreviveram e que ainda faria correr muito sangue mesmo após o seu fim. Retrato de um dos lados dessa contenda, do lado derrotado, E Tudo o Vento Levou é a história do Sul, de uma sociedade, do algodão e de uma mulher, é o reviver da perda da serenidade, da morte atroz e da força da sobrevivência. Uma história familiar, do apego à terra, uma história sobre o amor em todas as suas vertentes e efeitos, esta é uma obra magistral que apaixonará e revoltará em grande escala a alma de qualquer leitor.
 Narrado através de uma escrita pautada por paixão e força, este livro exige a nossa atenção e o nosso coração com total liberdade, levando-nos a amá-lo com tal intensidade que as suas palavras ficarão para sempre marcadas na nossa memória. Margaret deixou-nos um relato sublime, uma história cheia de poder e força de vontade, um livro que nos faz rir e chorar, que nos revolta contra as injustiças e a incompreensão, que nos faz orgulhar do espírito e da garra, que nos faz entender a profundidade da alma e do coração como poucos livros alguma vez fizeram. Senhora das suas palavras, ela descreve-nos a serenidade e a alegria de outrora, a dor e o sofrimento de uma guerra em que muitos lutaram de coração mas poucos que entenderam, do levantar dos corpos cansados e tristes para uma luta feroz pelo que foi e pelo que agora é. Fala-nos de honra e lealdade, de entreajuda e orgulho, de coragem e insensatez. Conta-nos uma história de amor intemporal, uma história que nos magoará e tocará, da paixão entre duas almas perdidas, duas almas gémeas que sempre se tocarão mas nunca compreenderão.
Com momentos históricos eximiamente relatados, E Tudo o Vento Levou devolve a vida ao Sul, relembra a dor e a perda, o sangue que manchou um país, o ódio que levou à morte de tantos, através de descrições tão ultrajantes quanto sublimes, que nos farão pensar, que nos prenderão de tal forma a leitura que perdemos o sentido de lugar e de tempo pois todo o nosso ser é transportado para as paisagens de terra vermelha onde a pureza do algodão esconde um encanto e uma profundidade inimagináveis. Do antes ao depois, vivemos a vida dos que se revoltam e dos que se conformam, dos que não baixam a cabeça e dos que vêem mais além. Perseguimos sonhos e inimigos com a mesma intensidade, amámos e odiámos com todo o nosso ser, chorámos as perdas, rimos com as vitórias. A autora foi capaz de incutir tanta complexidade, tanta humanidade na sua história, que é difícil não sentirmos, não sermos arrebatados por tudo o que é o Sul, a sua calma, a sua força, a sua languidez, a sua profundidade.
Tal como a narrativa, este livro é feito de personagens sublimes, profundas, mestras em complexidade, verdadeiros espelhos da alma humana. Dos derrotados aos que não desistem, dos anjos aos pecadores, dos doces amores de infância à paixão atroz de uma alma gémea. Nunca casal nenhum foi e é tanto quanto Scarlett e Rhett. Nunca moça mais mesquinha e detestável foi tal heroína, tal exemplo de força feminina, tal amante da terra que a viu nascer. Nunca maior patife foi o exemplo mais perfeito do homem apaixonado, do homem que dá tudo, do homem que nunca desiste. Incompreendidos, orgulhosos e capazes de tudo, são eles que nos apaixonam, se eles que levam as nossas emoções ao rubro. Nunca, autora alguma, irá conseguir transpor para páginas, protagonista mais malandro, mais doce e mais apaixonado que Rhett Butler e poucas entenderam os erros do amor e do orgulho como Margaret faz neste livro.
Não há palavras suficientes para descrever o que este livro me fez sentir, o que ele é e porque o deviam ler. Dez anos depois de ter visto o filme, o meu preferido de sempre, nunca pensei que ia voltar a apaixonar-me por esta história mas foi exactamente o que aconteceu. É difícil, é sofredor e intenso, uma sensação de outro mundo quando um livro nos arrebata de tal forma como este me arrebatou a mim, tornando-se um dos meus preferidos de sempre. Um livro que merece voltar a ser editado, que merece ser lido por gerações, um livro que continua a ser tão grandioso como no dia em que foi escrito. 

7*

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O Chaise Comemora o Seu Segundo Aniversário




Hoje é um dia muito especial aqui neste cantinho. E sabem porquê? Porque faz hoje 2 anos que este blog foi criado, que o primeiro post foi escrito e que esta aventura  começou. Não tenho palavras para vos dizer como sinto ao olhar para este número pois parece que ainda ontem começou, que estava a dar os primeiros passos e afinal, há 24 meses e 730 dias que o Chaise faz parte das vossas vidas.

Em números, este é 0 403º post publicado e contámos com uns maravilhosos 137 seguidores, o que há dois anos parecia quase impossível e, se foi possível, foi graças a vocês que estão desse lado, que se dão ao trabalho de ler as minhas palavras e de dar feedback. Sem vocês, este blogue não existiria ainda ou, então, seria muito mais solitário. Muito, muito obrigada a todos os que lêem, seguem e comentam, aos que me apoiam em alta voz e em silêncio e que nunca foram devidamente recompensados por isso.
Prometo-vos que o espírito deste blogue nunca será alterado e que espero continuar a evoluir e a melhorar, sempre na vossa companhia, e que se sintam tão satisfeitos como eu com aquilo que está a vossa frente. Parabéns a mim e a todos nós que damos vida ao Chaise Longue!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Opinião - A Melodia do Amor

Título Original: Gypsy
Autor: Lesley Pearse
Editora: Edições ASA
 Número de Páginas: 520

Sinopse
 Liverpool, 1893. Os sonhos de Beth são desfeitos quando ela, o irmão Sam e a irmã mais nova, Molly, ficam órfãos. As suas vidas, até então tranquilas e seguras, sofrem uma dramática reviravolta. Para escapar a um futuro de miséria e servidão, Sam e Beth decidem arriscar tudo, atravessar o Atlântico e partir à conquista do sonho americano. Mas Molly é demasiado pequena para os acompanhar e os irmãos vêem-se obrigados a tomar uma decisão que os marcará para sempre: deixá-la em Inglaterra, a cargo de uma família adoptiva.
A bordo do navio para Nova Iorque não faltam vigaristas e trapaceiros, mas o talento de Beth com o violino conquista-lhe a alcunha de Cigana, a amizade de Theo, um carismático jogador de cartas, e do perspicaz Jack. Juntos, os jovens vão começar de novo num país onde todos os sonhos são possíveis.
Para a romântica Beth, esta será a maior aventura da sua vida. Conseguirá a Cigana voltar a encontrar um verdadeiro lar?

Uma história de amor incondicional e coragem sem limites. Um livro irresistível, da autora de Nunca me Esqueças, Procuro-te e Segue o Coração.

 Opinião

Com fãs por todo o mundo, Lesley já vendeu mais de 7 milhões de exemplares dos seus livros, demonstrando que não é apenas amada pelos leitores britânicos. Capaz de escrever sobre os mais variados temas e géneros, esta autora nunca consegue evitar dar-nos uma personagem feminina marcante que irá percorrer um caminho doloroso até ao merecido final que pode, ou não, ser feliz. Autora de vinte livros, escritos entre 1993 e 2012 e um novo trabalho em caminho, a autora já deu mais do que exemplos suficientes do porquê da sua escrita ser tão aclamada.

A Melodia do Amor, publicado em 2008, retrata, mais uma vez, a corrida ao ouro e a emigração de ingleses para a América em busca de uma vida melhor, tema esse que predominava no primeiro livro da autora e pelo qual me apaixonei. Estavam assim reunidos os ingredientes para mais uma leitura empolgante e desesperante que não permitiria pousar o livro.

A música não é um sonho mas um talento que a faz feliz, algo que lhe permitirá esquecer a mágoa e o sofrimento que as imagens mais inexplicáveis e as confissões mais inesperadas lhe provocaram. Ao correr atrás de um sonho que não é seu, Beth descobrirá o amor, a paixão, a amizade e a lealdade, descobrirá que o destino não a espera no serviço de criada ou de empregada de loja e que a herança longínqua que o pai amava e a mãe repudiava, continuará a ser o seu único modo de ser ela própria. Entre as mesas de jogo, os palcos e a corrida ao ouro, Beth terá de passar por todas as provações, de crescer mais rápido do que desejaria para descobrir que o sonho, muitas vezes, caminha ao nosso lado.

Mais um drama, bem à medida de Lesley, mais um romance histórico onde a corrida ao ouro pode mudar a vida das nossas personagens. A escrita fluída e limpa da autora continua a surpreender-me pois quem mais é capaz de nos dar todo o drama, horror e tragédia e, mesmo assim, conseguir com que seja impossível largar o livro? Numa viagem ímpar da vida burguesa de Liverpool aos locais dos criados, de Nova Iorque a Filadélfia até chegar ao Canadá, a autora transporta-nos por todos os lugares e faz-nos conhecer todo o tipo de gente enquanto vemos Beth e os seus companheiros a crescerem, a mudarem com cada experiência. Este é um livro de dissabores e contrassensos, um livro que tanto gostei como odiei, um livro onde faltou a chama que aquele longínquo Segue o Coração me deu, onde os exageros e dramatismos da autora, desta vez, me deixaram a assoprar de cada vez que mais uma desgraça acontecia.

Através de uma narrativa empolgante, cheia de aventuras e viragens do destino, quatro companheiros apoiam-se, vivem lado a lado e colmatam as falhas uns dos outros, nunca sonhando o que a manhã seguinte lhes trará. Recheado de detalhes históricos interessantes sobre uma época e um acontecimento de que pouco se fala neste tipo de romances, Lesley agarra-nos, fazendo com que revivamos cada esforço e batalha que milhares, senão mais, de emigrantes tiveram de viver para conseguir alcançar uma vida próspera na terra prometida. Com cada situação, a autora fala de experiências e desamores, da coragem para sobreviver, para o ser humano conseguir ultrapassar-se. Em cada um dos protagonistas conseguimos visualizar um tipo de pessoa, um tipo de vida, um tipo de sonho, conseguimos compreender e admirar a forma como lutaram para alcançar o que queriam mas, desta vez, a história criada pela autora consegue falhar exactamente na construção destas mesmas personagens.

Um dos pontos obrigatórios de um livro desta autora é ter uma protagonista perfeita. Venerada pelos homens e admirada ou invejada pelas mulheres, cheias de coragem, beleza e garra, acompanhadas de muito bom senso, assim se pode resumir todas elas e Beth não é excepção, só que, desta vez, Beth foi o ponto mais irritante da leitura, talvez por ser tão demasiado perfeitazinha, talvez por nos ser impossível conceber que alguém assim faça tão más escolhas no campo amoroso, talvez porque ela acabou por me parecer demasiado extremista. Pelas suas escolhas e pelas razões delas, Beth foi para mim, o ponto da irritabilidade desta leitura e sendo a protagonista, acabou por estragar o restante efeito do livro. Quem salvou a leitura e foi o verdadeiro herói deste livro foi o Jack que, apesar de ver a mulher que ama a renega-lo por um parvalhão só porque não tem estudos, nunca deixa de estar ao lado e acaba por ser a força do grupo em todos os momentos, nunca desistindo, nunca perdendo a esperança.

Esta foi uma leitura que me tirou um pouco da vontade de voltar a ler a autora e que acabou por me desiludir um pouco e não é um livro que aconselhe a quem queria experimentar a autora mas que deve ser lido antes do memorável Segue o Coração.


 3*Opinião Clube BlogRing seguindo a classificação do Goodreads

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Teaser Tuesday #43

Regras:

  • Pegar no livro que estamos a ler
  • Abrir numa página à sorte
  • Partilhar duas frases dessa página. Não incluir spoilers!
  • Partilhar o título e o autor do livro



"O sorriso dele patenteava tal impudência e na sua boca pairava uma expressão tão irónica que Scarlett ficou com a respiração suspensa. Sabia que qualquer outra rapariga que se encontrasse no seu lugar se sentiria ofendida em fase de tão manifesto atrevimento e irritou-se consigo própria ao ver que não experimentava o menor ressentimento perante o insulto."
p.131, E Tudo o Vento Levou vol1, Margaret Mitchell 

Rubrica original do blog Should Be Reading

domingo, 20 de janeiro de 2013

Opinião - The Pleasure of Your Kiss

Título Original: The Pleasure of Your Kiss
Autor: Teresa Medeiros
Editora: Simon and Schuster
Número de Páginas: 506

Sinopse
 Ashton Burke is a legendary adventurer who has spent the past ten years roaming the globe to forget the girl he left behind. His devil-may-care life is interrupted when he's hired to rescue his brother's kidnapped fiancée from a sultan's harem. Too late, he discovers she is none other than Clarinda Cardew, the very same girl who made off with his jaded heart a decade ago.

The last thing Clarinda wants is to be trapped in a palace of sensual delights with the man whose irresistible kisses still haunt her sleepless nights. Although he vows he is only doing his job, Clarinda quickly realizes that allowing Ashton to rescue her may put her yearning heart in even greater peril. In a journey that takes them from the delicious intrigues of a sultan's court to the glittering ballrooms of London, Ashton and Clarinda resume the steps of their dangerous dance only to discover the most seductive pleasure of all may be love itself.


Opinião
Finalista do Prémio Rita por oito vezes, vencedora do Waldenbooks Award for Bestselling Fiction duas vezes e do Romantic Times Award for Best Historical Love and Laughter, Teresa Medeiros é um nome que está constantemente na lista de bestsellers do New York Times, USA Today e Publishers Weekly, sendo das poucas autoras que consta da Lista de Honra das Romance Writers of America. Publicado em 2011, The Pleasure of Your Kiss, o mais recente trabalho de Teresa é o início de uma nova série cuja continuação será publicada no próximo mês.
Escritora desde os 21 anos, Teresa já escreveu vinte e três livros de sucesso e deixou há muito a vida de enfermeira para trás para se puder dedicar à escrita dos seus romances. Já vendeu mais de dez milhões de cópias e os seus livros encontram-se traduzidos em dezassete línguas. Uma das autoras mais queridas do género, Teresa tem somado sucessos e prémios ao longo da sua carreira. Actualmente vive no Kentucky com o marido e dois gatos.
Longe da clausura de uma sociedade fechada, cheia de regras e etiquetas, existe um outro mundo, um mundo exótico com outras regras, outra forma de pensar, um mundo que parece ter parado no tempo e que traz ao de cima os desejos mais fundos da tua alma, que te mostra que longe de corpetes, conversas de circunstância e controlo das emoções, podes ser tu mesma e que nesta parte do mundo não há limitações sobre a pessoa que amas e perdeste e que, contra tudo o que podias prever, reencontrarás num ambiente de sedução e misticismo, onde poderás esquecer o passado e reescrever o futuro.
Nove anos separam-na da menina que foi e daquele que partiu, nove anos depois dirige-se a um mundo pelo qual o seu amor ansiou e onde ela agora poderá recuperar o coração que ele partiu mas neste lado do globo existem aventuras que ela nunca pensou viver, perigos perdidos no tempo e uma vida que ela apenas leu nos livros mas essa vida é diferente, mais perigosa, mais sedutora. Quase uma década depois, ele ainda anseia por ela e o vasto mundo que viu não chegou para se perdoar nem para esquecer os olhos verdes que ainda o perseguem de noite e, nem os mil pecados e lascívia deste local escondido, o conseguem fazer amar outra vez. Amigos de infância, primeiros amores, Clarinda e Ashton partilharam mais do que as picardias da amizade um dia. Partilharam beijos e sonhos mas segredos e ambições separaram-nos e a tragédia e o desgosto perseguiu-os até os seus olhares se reencontrarem mais uma vez no mais improvável dos lugares. Mais do que o típico casal deste tipo de livros, Clarinda e Ashton são uma lufada de ar fresco. Donos de uma personalidade forte, incapazes de ceder à vontade do outro mas nunca indiferentes ao que sentem, eles acabam por ser uma conjugação equilibrada que nos proporciona uma história de amor magnífica que nos fará devorar este livro até a última página.
Personagens complexas, cheias de humor e sensibilidade, são o que encontrarão neste livro de Medeiros. Tão diferentes como os mundos ou as regras da casa onde foram criados, as suas personagens estão longe de ser estereotipadas, são antes irreverentes, misteriosas e tão belas quanto apaixonadas, cada uma à sua maneira. Numa história cheia de intrigas e seduções, onde o ambiente das Mil e Uma Noites é a chave para uma narrativa de sucesso, mais do que uma história de amor, este livro é um livro de aventuras onde as emoções estão sempre ao rubor e nem sempre têm a ver com desejo. Com desenvolvimentos inesperados que acabam por apimentar e dar força à história, Teresa consegue criar um livro único num género repetitivo. Através de uma escrita deliciosa, cheia de humor mordaz e tentação, a autora leva-nos a outro lugar através das suas descrições quentes e exóticas que nos farão lembrar mistério e liberdade.
Quanto à parte romântica da história, nenhuma romântica poderá desiludir-se com o amor de Clarinda e Ashton. Ela é a representante certa do sexo feminino, cheia de poder e garra e ele é o inebriante aventureiro, cheio de carisma que nunca deixou de estar louco por ela. Entre discussões acesas e momentos de puro desejo, eles irão arrepiar-nos e emocionar-nos, fazendo-nos torcer por eles do início ao fim. Gostava de ter visto mais do outro par romântico mas ainda guardo esperança que seja para outro livro.
Quando o amor é a palavra de ordem mas já se sente farta de ler sobre o mesmo, pegue neste livro e volte a apaixonar-se, volte a sonhar e leia até não puder mais. Um livro que merecia ser traduzido para a nossa língua e que penso iria agradar todas as leitoras e não só.

7*