domingo, 31 de março de 2013

Aquisições *MARÇO*

Tenho a informar-vos que...bem...ahmm....o meu bom comportamento foi-se!

Sim, eu sei! Estava a portar-me tão bem mas este mês foi uma desgraça gigantesca e culpo as promoções e novidades maravilhosas deste mês e eu queria tão pouquinhas, eram só três, mas faltava uma de Janeiro e a minha mãe decidiu comprar um livro por causa da capa (e quando ela escolhe costuma ser bom sinal!) e depois recomendaram-me outro e depois foi as promoções e no final do mês...resultou nisto tudo e eu não consigo deixar de estar feliz com tanta coisa boa e linda que agora tenho na estante.




Incendiário, Chris Cleave
A Sábias, Roger R. Talbot
 

Delírio, Lauren DeStefano
Cidades de Papel, John Green *Opinião*

Acácia, Outras Terras, David A. Durham *Opinião*
Anjo Mecânico, Cassandra Clare

Irmãs de Sangue, Barbara & Stephanie Keating
A Marca das Runas, Joanne Harris



Angelopolis, Danielle Trussoni
*Opinião*
 

sábado, 30 de março de 2013

Opinião - Paixão

Título Original: Passion (#3 Anjo Caído)
Autor: Lauren Kate
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 264

Sinopse 
 Luce era capaz de morrer por Daniel.
E a verdade é que morreu. Uma e outra vez. Ao longo dos tempos, Luce e Daniel encontraram-se e foram brutalmente separados: Luce morreu, Daniel ficou sozinho e despedaçado. Mas, talvez não tenha de ser assim para sempre…
Luce tem a certeza de que algo — ou alguém — pertencente a uma vida anterior poderá ajudá-la no presente. Por isso, dá início à mais importante viagem da sua vida… recuar no tempo, através dos séculos, para testemunhar em primeira mão o nascimento do seu romance com Daniel . . . e, finalmente, descobrir o segredo que fará o amor entre ambos durar.


Opinião

Num ano, Lauren publicou dois livros e se um quase passou despercebido, o outro tornou-se um bestseller que esteve seis meses na lista do New York Times e que viria a resultar numa série de quatro livros e uns quantos contos e que irá ser adaptado ao cinema pela Disney. Falo-vos de Anjo Caído, o livro que Lauren escreveu depois de ter lido uma passagem no Genésis que descrevia o quanto os anjos achavam as mulheres mortais bonitas, que a levou a ter aulas de Literatura sobre a Bíblia e que tanto lhe deu a volta como mudou a sua vida. Inspirada pela obra de Gabriel Gárcia Marquez, Cem Anos de Solidão, a jovem autora quis recriar o realismo mágico dessa obra, a Queda e as repercussões de um amor imortal e da existência das almas gémeas.

Paixão, o terceiro livro da série, não era para ter existido mas a autora teve a necessidade de o escrever para puder explicar a relação de Lucinda e Daniel, tornando-o a seu ver o livro mais romântico da série.

Lauren Kate vive com o marido, a filha e o cão em Los Angeles e está neste momento a começar uma nova série.

Ao longo de milénios eles apaixonam-se à primeira vista de forma intensa, única e, de todas as vezes que se voltam a cruzar, basta um beijo, uma palavra para Daniel perder Lucinda mais uma vez, para a voltar a reencontrar noutra encarnação, para que ela volte a conhece-lo e amá-lo mas nesta encarnação, Luce está diferente e pela primeira vez há uma pequena esperança, pela primeira vez eles podem ficar juntos ou nunca mais se encontrarem. Amaldiçoados, eternamente apaixonados, eles têm de aprender, uma e outra vez, a voltarem a confiar um no outro, a conhecerem-se nesta vida e na próxima e, em cada lugar e tempo, Daniel não sabe quanto tempo lhe resta, quem ela irá ser, apenas sabe que as suas almas são como encaixes perfeitos uma da outra. Agora, eles vão reviver cada momento das suas vidas passadas e terão de perceber se o amor é mesmo eterno e como irão quebrar a maldição que os separa.

De cada vez que me lembro do quanto gostei de Anjo Caído tento perceber onde a magia se perdeu ou se afinal ela nunca existiu e a resposta é simples, perdeu-se em Tormento e por causa dele quase desisti da série mas mais de um ano depois ganhei coragem para a continuar. Lauren tinha uma ideia gira para esta série mas não basta só ter a ideia, é preciso dar-lhe vida e manter os leitores interessados ao longo dos livros, é preciso ir resolvendo mistérios e dar respostas e Paixão devia ser um livro de respostas, um livro que explicasse finalmente o porquê e o como do amor de Lucinda e Daniel e da maldição que os atormenta mas as respostas continuam sem ser dadas, os motivos continuam sem ser entendidos e a única coisa que este livro repete e que os anteriores já haviam repetido vezes sem conta é que eles se amam, que o amor deles é mais importante que a Guerra entre o Céu e o Inferno, que ao longo de vidas infindáveis eles encontraram-se e apaixonaram-se ou seja este livro não traz nada de novo, antes coloca ainda mais dúvidas e repete até a exaustão o que toda a gente já percebeu.

A narrativa é repetitiva, aborrecida e não passa do mesmo. Ao longo destas páginas, eles voltam atrás, ela a procura de respostas, ele atrás dela sem nunca a encontrar e assim sucessivamente até que finalmente descobre-se o porquê da maldição mas esta é a única resposta que vão encontrar. Sendo o objectivo deste livro revisitar as vidas passadas de Luce, até aí o enredo está bem conseguido mas passa-se tudo demasiado rápido e as respostas que parecem satisfazer Luce e convencê-la de que Daniel realmente a ama, coisa que já se percebeu no primeiro livro, não são convincentes, não tem a força e convicção que um amor destes deveria ter, parece que falta qualquer coisa que ainda nos está a escapar.

Mas, não retirando todo o crédito à autora, apesar deste ser possivelmente o livro mais fraco da série consegue pelo menos ser giro pelas épocas e situações escolhidas para as vidas passadas, mudando pelo menos o cenário do livro e trazendo uns pormenores até engraçados só que não era isto que eu queria, eu queria desenvolvimento, respostas, explicações e estas nem aparecem nem convencem. A verdade é que este livro é repetitivo em acontecimentos e em ideias e consegue apenas demonstrar a fraqueza da personalidade das personagens.

Confesso que houve uma altura em que achei que Luce ia ser uma protagonista diferente mas neste livro ficou claro que ela consegue ser o cúmulo da tontice e “melosice”. A personalidade dela perdeu-se algures e esse é o maior problema desta série porque ela questiona mas depois contenta-se com símbolos e actos que não demonstram assim tão claramente o que ela quer saber e o cúmulo é ainda acreditar numa personagem que se percebe logo que a está a fazer de parva e ainda ter ciúmes dela própria em vez de olhar os seus outros eus de uma perspectiva adulta e coerente. Daniel, bem já não é o Daniel do primeiro livro. É uma concha vazia que grita aos quatro ventos mas nunca se justifica nem mostra o seu lado, pura e simplesmente, ele deixa-se levar pela corrente.

Eu já devia ter aprendido quando acabei o segundo livro e vi a qualidade diminuir e que este livro nem tinha sido planeado que isto não podia acabar bem. Neste momento só quero ler o último livro para perceber o que afinal se passa entre estes dois porque de resto já nem me aquece nem arrefece só tenho pena porque achei que era uma série que prometia e que acabou por ir decaindo e não sei se Lauren irá conseguir sair disto de uma forma brilhante. Um livro que devia ter continuado a ser apenas uma ideia.

3*
As minhas opiniões da série:
Tormento

Opinião - Predestinado

Título Original: Changeling (#1 A Ordem das Trevas)
Autor: Philippa Gregory
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 312

Sinopse
 Estamos em 1453 e todos os sinais apontam para que o fim do mundo esteja iminente. Acusado de heresia e expulso do seu mosteiro, Luca Vero, um atraente jovem de 17 anos, é recrutado por um misterioso estranho para registar o fim dos tempos por toda a Europa.
Obedecendo a ordens seladas, Luca é enviado a cartografar os medos da Cristandade e a viajar até à fronteira do bem e do mal. Isolde, de 17 anos, abadessa, está presa num convento para impedir que reclame a sua enorme herança. Quando as freiras ao seu cuidado enlouquecem com estranhas visões, sonambulismo e exibindo estigmas, Luca é enviado para investigar e todas as provas incriminam Isolde.
No pátio do convento constrói-se uma pira para a queimar por bruxaria. Forçados a enfrentar os maiores medos do mundo medieval – magia negra, lobisomens, loucura – Luca e Isolde embarcam numa busca pela verdade, pelo seu próprio destino e até pelo amor, enquanto percorrem os caminhos desconhecidos até à personagem histórica real que defende as fronteiras da Cristandade e detém os segredos da Ordem das Trevas.


Opinião 

Autora histórica incontestável, escritora de inúmeros sucessos literários, Philippa Gregory é a senhora da ficção histórica no que à História de Inglaterra concerne. Historiadora e escritora, Philippa estreou-se na escrita em 1987 com a trilogia Wideacre mas foi com os seus livros sobre a corte Tudor que atingiu a fama e o sucesso. Agora a escrever uma nova série sobre os Plantagenetas, a autora que sempre se dedicou à ficção histórica decidiu enveredar por outras épocas e géneros literários. Enquanto escrevia A Filha do Conspirador, Philippa decidiu escrever outro tipo de livro, um livro que a divertisse, que reflectisse um tempo histórico mas que não estivesse enraizado tanto na realidade. Assim nasceu o primeiro livro de uma nova série para jovens adultos, uma série de outra época diferente do que a autora já nos habituou.
Publicado em 2012, Predestinado surpreendeu, deixou alguns de pé atrás e dividiu opiniões mas sem dúvida que deixou curiosos os leitores regulares da autora que nunca a tinham lido fora do género do costume e se viram presenteados com esta aventura pela Itália medievalista num mundo prestes a quebrar-se pela perda de Constantinopla às mãos dos infiéis, mais perto do que nunca...
Demasiado inteligente para o seu próprio bem, Luca passa de herege a instrumento da fé, de rapaz órfão a membro de uma ordem que tem de parar a ascensão do Império Otomano a todo o custo e defender a igreja de todos os males e inquiridor do Santo Padre cuja missão é erradicar tudo o que possa colocar em causa a fé cristã neste momento de desordem. Isolde, criada para herdar o poderio do pai e ser a dama e senhora perfeita, acaba por ver todo o seu mundo virado ao contrário quando o pai morre e descobre que afinal de senhora do castelo vai passar a ser abadessa de um convento, um convento que com a sua chegada vai ser palco de bruxaria e desordem. Os destinos de Luca e Isolde unem-se no meio de desconfiança e meias verdades, por entre acusações de bruxaria, visões e crenças, eles vão ter de aprender a confiar um no outro e deixar que os seus caminhos andem lado a lado.
Philippa Gregory é uma escritora que escreve a história como ninguém mas este livro foi como uma facada directa ao coração. Quem está habituado a sua forma de escrever detalhada, clara e verosímil vai, não só, estranhar este livro como sentir-se muito, muito desiludido. Esta não é a praia da autora e nota-se a léguas pois se ela costume encantar-nos com a forma como desenvolve e recria uma história, como entrelaça história e ficção, aqui isso, pura e simplesmente não acontece. A verdade é que esta narrativa é uma trapalhada imensa, sem pés nem cabeça onde os acontecimentos e as personagens parecem que não se ligam, não se conjugam de uma forma natural mas antes de forma confusa e pouco credível. A culpa não será do género escolhido, longe daquele que é o habitual da autora mas parece-me que do facto de que ela não consegue desenvolver algo que não se baseia nem em personagens nem em factos conhecidos, parece que quando se trata de deixar só a imaginação funcionar que a autora se perde e não consegue construir algo que soe ao leitor.
Claro que o seu costume de apresentar detalhes históricos está lá e estes enriquecem a leitura mas não trazem nada de novo, pelo menos a mim que estudo esta área, parece que servem para encher páginas com pormenores e depois não se reflectem na restante narrativa que se desenvolve rapidamente e sem grandes explicações. Muitos dos acontecimentos como a forma como se resolve o mistério do convento acontecem sem nos apercebermos como pois se nos parece que só as personagens não se estão a aperceber do que se passa, de repente, eles sabem tudo e resolvem tudo sem chegarmos a perceber como é que eles fizeram isso. O mistério nunca chega a ser mistério pois desde o início que se percebe como vai acabar, quem está por trás e porquê e, aqui tenho de chamar a atenção para a sinopse bastante enganadora do livro que nada acaba por ter a ver com mais de metade do livro e parece-me que ou a tradução está uma desgraça ou a autora cometeu uns errozinhos ali pelo meio.
Depois temos as personagens e estas não são nada, nada como é hábito em Philippa que escreve personagens de força e presença imensa e aqui não há profundidade, apego ao leitor, nada. As personagens são bidimensionais, pouco credíveis e apelativas exceptuando Freize e Ishraq pois os protagonistas para além de insonsos nem reais parecem. As ligações estre eles são fracas, pouco desenvolvidas e pontuam por momentos estranhos.
Sim este livro foi uma desilusão daquelas e não vou ler o resto da trilogia. Gosto muito da autora em ficção histórica mas neste género ela não tem a presença a que nos habitou, quer se concorde com ela ou não. Sinceramente nem sei que diga sobre este livro, acho que abismada é a expressão certa para o que sinto dele.

2*

quarta-feira, 27 de março de 2013

Picture Puzzle #34 (de novo)

Regras:
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título
Podem consultar a rubrica nos seguintes blogues: Bookeater/Booklover

Como ninguém adivinhou a semana passada, os puzzles voltaram para vos atormentar! 

Puzzle #1

Pistas: traduzido para português; título fantástico


Puzzle #2

 Pistas: traduzido para português; romance sensual; colecção QE das fitinhas; a autora tem dois livros traduzidos


terça-feira, 26 de março de 2013

Opinião - Rendida

Título Original: Bared to You (#1 Crossfire)
Autor: Sylvia Day
Editora: Porto Editora
Número de Páginas: 352

Sinopse
 Gideon Cross apareceu na minha vida como uma luz na escuridão.
Um homem lindo, fascinante, um pouco louco e muito sedutor.
A atração que sentia por ele era diferente de tudo o que tinha experimentado na minha vida até então. Eu desejava-o como a uma droga que me enfraquecia dia após dia.
Gideon encontrou-me fragilizada e carente e entrou facilmente na minha vida.
Descobri que também ele tinha os seus próprios demónios. Tornámo-nos o espelho um do outro; éramos o reflexo das nossas mais profundas cicatrizes e... desejos.
Este amor transformou-me, mesmo que ainda hoje continue a rezar para que os pesadelos do passado não voltem para nos atormentar.


Opinião

Sylvia Day gerou controvérsia por cá por se ter inspirado no livro de E. L. James para escrever Rendida mas Sylvia era já uma autora conceituada antes de E. L. James sequer sonhar fazer fanfiction, com dezenas de prémios no currículo e uma vasta obra de romances e contos. Presidente da Romance Writers of America, esta americana de origem nipónica que adora viajar poderia ter sido treinadora de golfinhos mas o desejo de ser romancista foi mais forte e hoje conjuga a escrita com a vida conjugal e de linguista russa para o Exército dos E.U.A.
Sylvia tem livros publicados em mais de trinta e nove línguas, escreve com dois pseudónimos para além do seu nome e tem sido na literatura erótica que se tem destacado. O primeiro livro da série Crossfire, publicado em 2012 é a sua obra mais conhecida e foi nomeado para dois prémios na categoria de Romance.
Quando 50 Sombras de Grey foi publicado em Portugal provocou uma moda da qual ainda não nós livrámos e, Rendida, foi o seu sucessor sobre o qual caiu todas as expectativas. Foi chamado de cópia, foi considerado melhor, gerou polémica e deixou muitos viciados, a verdade é que não deixou ninguém indiferente.
A atracção pode ser momentânea, pode tornar-se obsessiva, pode abalar o mundo e levar a uma relação de risco, risco de se perder, de se fragilizar, de se apaixonar pela pessoa certa, alguém com tantos fantasmas e medos quanto tu. Gideon e Eva têm em comum passados de abuso, uma atracção fatal e personalidades defensivas que lhes podem custar não só o seu futuro juntos como o respeito e a confiança necessárias para ultrapassar as adversidades. Em clima de pura luxúria, necessidade obsessiva e uma possessividade extrema eles vão ter de baixar as defesas, vão ter de aprender a confiar e acreditar mas para duas pessoas de almas sofridas esse é o maior obstáculo e apesar da intensidade dos seus sentimentos a linha que os une é frágil e pode quebrar-se à mais pequena falha. Por entre o poder e a riqueza, no luxo e na opulência, eles são demasiado tenebrosos, demasiado apaixonados, demasiado focados um no outro.
É impossível não ler este livro e não constatar que não se pode compará-lo com As 50 Sombras de Grey, primeiro porque a escrita das autoras é tão diferente como a água e o azeite, segundo porque a história e as personagens estão longe de ser sequer parecidas. A escrita de Sylvia é a escrita de alguém com experiência, de alguém que sabe o que escreve, de alguém que conhece o seu estilo e por isso não tem as falhas chocantes de E. L. James nem a falta de jeito desta para descrever situações de erotismo e afins, logo aí, este é um livro diferente e por isso de qualidade superior. Quanto à forma como a autora desenvolve o enredo, provoca situações ou enquadra o romance este é sem dúvida um livro que em vez de provocar incredulidade e ataques de riso irá provocar exactamente o que um livro erótico deve provocar, ou seja, preparem-se para corar, ficar com os calores entre outras coisas, pois este livro é erotismo e sexualidade em cada palavra.
Se Rendida cumpre na perfeição o objectivo de um livro erótico quanto à história em si conjuga algumas falhas e elementos que não o deixam ser uma leitura mais consistente. Eva e Gideon são, sem dúvida, protagonistas mais fortes e interessantes mas a autora correu um risco ao unir duas pessoas obsessivas e atormentadas que ainda não confiam uma na outra. O facto de eles terem crises de possessividade e ciúmes a todo o instante e só os resolverem na cama, torna o amor deles senão frágil pelo menos pouco credível e é difícil acreditar na longa duração da relação quando todo o livro não passa disto mesmo. Em termos de personalidades agarram o leitor mas ainda não convencem pois acabam por ceder ambos depressa demais para duas pessoas com tantos problemas de confiança.
Em termos de enredo e personagens secundárias, este livro é muito mais consistente pois tem uma história que abarca segredos, reviravoltas e momentos de tensão e as restantes personagens são bastante credíveis e presentes. O problema é talvez o exagero à volta da homossexualidade que cerca a Eva por todos os lados, ambas as famílias são estranhas e problemáticas e, bem, parece que todos neste livro sofrem de graves problemas psicológicos e tudo o que é demais perde a veracidade.
Ainda não é um género que me tenha convencido mas Rendida acaba por abrir os horizontes e mostrar que erotismo e sexualidade podem ser escritos com qualidade e não se tornar algo assustador e ridículo. Não sei se irei ler o resto da trilogia mas pelo menos tirei as teimas e matei a curiosidade.

4*

segunda-feira, 25 de março de 2013

Desafio Arco-Íris *Cores do Romance*






Porque há por aí umas tipas que acham que eu não tenho mais nada para fazer do que andar a tirar fotos a pilhas de livros com cores específicas, como as meninas do Algodão Doce para o Cérebro, eis então que elas me premiaram/amaldiçoaram com um selo que elas pensavam que me ia OBRIGAR a tirar a dita foto mas a qual eu tirei de livre e espontânea vontade devido ao carinho que sinto pelas ditas criaturas supracitadas.

As regras são:
 

1. Referir quem vos deu o selo
2. Postar uma foto de uma pilha com as cores do arco-íris.
3. Passar o selo a 10 blogs super-hiper-mega coloridos!
 
 
E aqui está ela, a colorida, fantástica e personalizada pilha arco-íris 
 

Transformar-se em Maria Antonieta, Juliet Grey (Verde)
A Corte do Ar, Stephen Hunt (Amarelo)
O Filho de Thor, Juliet Marillier (Laranja)
Avatar de Kushiel, Jacqueline Carey (Vermelho)
As Memórias de Cleópatra vol III, Margaret George (Violeta)
A Espada de Fortriu, Juliet Marillier (Índigo)
Uma Casa de Família, Natasha Solomons (Azul)
 
  
    Quanto aos dez blogues... quem quiser faça a sua pilha e envia para as doceiras da blogosfera =p

quarta-feira, 20 de março de 2013

Opinião - Eterna Saudade

Título Original: Dearly, Departed (#1 Gone With the Respiration)
Autor: Lia Habel
Editora: Contraponto
Número de Páginas: 405

Sinopse
 No ano 2195, em Nova Vitória (uma nação altamente tecnológica baseada nas maneiras, na moral e na moda da antiga era), uma jovem da alta sociedade, Nora Dearly, está mais interessada na história militar e nos conflitos políticos do país do que nos chás e bailes de debutantes. Contudo, após a morte dos pais, Nora fica à mercê da autoritária tia, uma mulher interesseira e esbanjadora que desperdiçou a fortuna familiar e agora pretende casar a sobrinha por dinheiro. Para Nora, nenhum destino poderia ser pior – até que sofre uma tentativa de sequestro por parte de um grupo de mortos-vivos.
Isto é apenas o início. Arrancada do mundo civilizado, vê-se subitamente numa nova realidade que partilha com zombies devoradores, misteriosas tropas vestidas de preto e «O Lázaro», um vírus fatal que ressuscita os mortos tornando o mundo num inferno.


Opinião

Desde pequena que Lia desenvolveu um certo fascínio por coisas classificadas como estranhas tais como filmes de terror, vídeo jogos e romances vitorianos, uma mistura pouco ecléctica mas que a iria moldar e inspirar para o resto da vida. Os seus gostos por monstros, coisas com dentes aguçados e reanimados, assassinos em série e outras parecidas, não diminuíram com o avançar da idade o que fazia a sua mãe perguntar-se o que a filha um dia poderia trazer para casa. Mal ela sabia onde isto a ia levar.

O seu amor à literatura demorou a transformar-se em escrita mas garantiu-lhe um bacharelato em Literatura Inglesa e a sua paixão por coisas antigas impeliu-a a estudar em Inglaterra onde se especializou em Estudos de Museus. O facto de nunca ter conseguido uma carreira a longo tempo resultou no seu primeiro livro que escreveu enquanto esteve desempregada. A viver no meio de gatos e vestidos vitorianos, Lia frequenta encontros steampunk, continua a ver filmes de zombies e coleciona livros vitorianos e eduardianos.

Eterna Saudade, publicado por cá há um ano, é aquilo que se chama uma aposta arriscada devido à mistura de temas que representam bem os gostos e personalidade da autora e que tem dividido os leitores mas que não tem deixado de surpreender.

Um mundo desfez-se, a vida, as normas quebraram-se, a necessidade levou a repensar toda uma forma de viver para aqueles que sobreviveram e, assim, relembrada pela glória e charme do passado, a época vitoriana volta a respirar num futuro onde tudo volta ser como era mas onde ninguém se esqueceu até que ponto o ser humano evoluiu. Sozinha no mundo, perdida numa sociedade onde o que mais gosta é errado, Nora é apanhada em algo que pode bem ser o seu pior pesadelo e descobre que a sua vida está rodeada de segredos e mentiras, que nada é o que realmente parece e que no seu íntimo ela não é uma senhora mas uma rapariga de armas e alma tenaz capaz de se perder por um coração que apenas bate por ela. Num submundo escondido das luzes da civilização, escondem-se seres aterradores, vidas perdidas, esperanças destruídas. Por trás de uma mentira, a vida após a morte continua mas um passo em falso e o terror pode causar selvajaria e abandono, a elegância pode desfazer-se na vontade de sobrevivência e só os mais fortes puderam olhar de frente e combater com todas as suas forças.

Quando abri este livro não fazia a mínima ideia no que me ia meter, não sabia que ia ser apanhada na primeira frase, tentada no capítulo seguinte, conquistada em cada virar de página, não sabia que eu, odiadora oficial de tudo o que tenha zombies, me ia tornar fã deles. Com uma escrita divertida, plena de sarcasmo e imaginação, Lia virou o meu mundo ao contrário e deixou-me assoberbada pelo dela, uma mistura de beleza e horror, de elegância do passado com a tecnologia do futuro, um mundo tão impossível e que ela torna perfeito em cada reviravolta, em cada momento, em cada diálogo. Não é fácil criar algo assim e muito menos fácil é envolver todos estes elementos para que eles encaixem perfeitamente uns nos outros mas neste livro é como se cada elemento pertencesse ali, como se fosse tão natural ver uma sombrinha com luzes eléctricas, uma jovem vestida de forma vitoriana com um telemóvel ou uma rapariga beijar um zombie como outra coisa qualquer que achemos natural, tal é a maneira maravilhosa com que a autora encaixa e muda, tal é a originalidade da sua imaginação.

Ao longo de um enredo onde diversão, estupefacção e maravilhamento são constantes, somos arrastados e assoberbados pelo desenrolar da história, pela forma inteligente como a autora nos leva a gostar e a compreender os seus zombies pois ela torna-os humanos, possíveis de se amar, seres de coragem que merecem toda a admiração e compaixão, consegue trazer ao de cima o que de mais doce podemos sentir, a forma como os sentimentos são capazes de se moldar através do interior de cada um esquecendo que por fora o objecto do nosso amor está morto. Por entre as regras e eloquência da sociedade, a coragem pode revelar-se na maior das fragilidades, nos tempos de desastre o carinho e a dedicação são os mais fortes alicerces e a noção de que o sempre é impossível é o maior desafio e ingrediente de um amor que não estava destinado a acontecer e, tudo isto, transforma Eterna Saudade numa leitura única, assolapadora e viciante.

Nora e Bram são o casal impossível, o casal que por mais que custe a acreditar é o que acaba por soar mais certo, como se o amor deles fosse algo maior, algo que ultrapassa a guerra, o desastre e as perdas, algo que nos faz suspirar e tremelicar, algo em que acabámos por acreditar acerrimamente. Nora foi uma surpresa daquelas boas, uma miúda sem papas na língua, cheia de desenvoltura e coragem, uma miúda que vence os medos para descobrir a amizade, o amor, o significado de família, um miúda que vive as emoções no extremo e compreende que é preciso aceitar que se pode perder para se mostrar que ama. Bram é um zombie mas isso não interessa nada porque ele é um cavalheiro, um soldado cheio de coragem, que devota à miúda que ama um amor capaz de tudo, que é capaz de se arriscar pelos amigos, que nos faz suspirar e esquecer que ele está a cair aos bocados. Pamela, porque se tem de falar nela, é uma doce bomba que pode explodir em todas as direcções e é capaz de soltar as garras e deixar-se da boa educação pelas pessoas que adora. Eles são apenas três das personagens que vos farão adorar ler este livro, eles são toda alma desta história.

Uma caixinha de surpresas feita de veludo e tecnologia, este primeiro livro de Lia Habel é algo que prima pela originalidade, que transpira acção, horror e diversão numa onda de romantismo pouco normal. Feito de coisas impossíveis, Eterna Saudade é o sonho realizado de alguém que lá colocou tudo o que ela é e que se tornou em algo memorável, algo que se construiu numa história concisa de beleza irreverente e charme do passado, algo que se tornou numa das minhas histórias preferidas.

7*