sexta-feira, 31 de maio de 2013

Aquisições *MAIO*

  Antes de mais, aviso-vos já que as aquisições da Feira do Livro só serão publicadas no dia em que a Feira terminar isto porque me portei muito mal este mês e se os livros estiverem divididos em dois posts não se nota tanto...espero eu.

  E perguntam então o que se passou este mês? Eu explico-vos. As editoras trocaram-me as voltas publicando livros que eu queria imenso, continuações de sagas/trilogias ou livros pelos quais tenho interesse à algum tempo e isso descarrilou tudo. Ah e o facto de ter juntado algum dinheiro no cartão da Bertand na qual encontrei uma linda colecção de clássicos à qual é impossível resistir mas que tem o grande pecado de não ter o Monte dos Vendavais na colecção -.-'
   E foi isto que aconteceu... Culpo também os nervos de fim de semestre! E prometo que no próximo mês me porto melhor...a sério!

The Brothers Grimm 101 Fairy Tales 1º volume
Great Expectations, Charles Dickens
Pride and Prejudice, Jane Austen

Não são lindos?? Esta é sem dúvida uma colecção que espero fazer senão toda pelo menos quase








Insurgente, Veronica Roth

Uma sequela esperada que me trocou as voltas todas mas que me deixou tão satisfeita.








Outlander - Nas Asas do Tempo, Diana Gabaldon

Um livro que procuro há imenso tempo e no qual aproveitei o dinheiro acumulado no cartão Bertrand






Um Desastre Maravilhoso, Jamie McGuire
Destinos Interrompidos, Lissa Price

O primeiro já me andava a causar curiosidade há algum tempo e o segundo além de ser uma distopia, género que tenho lido imenso, foi lido por causa da presença da autora por cá, como podem ver aqui







O Tempo Entre Nós, Tamara Ireland Stone

Um livro que já andava a namorar também há algum tempo e que será uma das próximas leituras e que chegou ao Kobo pela parceria Leya 







 



Perto de Ti, Anita Notaro
A última leitura concluída deste mês e a próxima opinião a publicar. Também veio da parceria Leya






...Dia 10 publico as aquisições da Feira do Livro...

Opinião - Sombras da Noite Branca

Título Original: Sombras da Noite Branca (#8 A Saga das Pedras Mágicas)
Autor: Sandra Carvalho
Editora: Editorial Presença
Número de Páginas: 560

Sinopse
 O momento de todas as decisões aproxima-se. Halvard, o Filho do Dragão, espera ansiosamente a chegada da Noite Branca para assimilar o Conhecimento Absoluto e tornar-se um deus na Terra. Quase todos os seus inimigos foram destruídos; apenas o rei Ivarr do povo viquingue, os Guardiães das Lágrimas do Sol e da Lua e os Sacerdotes dos Penhascos ainda resistem. Entretanto, a guerreira Kelda da Montanha Sagrada treinou com afinco sob a orientação do feiticeiro Sigarr e está pronta para se tornar mestra da Arte Obscura. Apesar de saber que a celebração desse ritual irá extinguir a luz da sua essência, ela persiste, pois acredita que só assim poderá deter o avanço sanguinário do irmão gémeo. Todavia, a revelação de que o seu destino é concretizar a profecia e não contrariá-la poderá abalar as suas convicções. Terá Kelda a determinação e a força necessárias para cumprir a missão que a Pedra do Tempo lhe atribuiu, enquanto chora a perda do amor do príncipe da Gente Bela? Ou, sobre o Altar do Mundo, cederá ela à tentação do poder e abrirá o seu coração às sombras da Noite Branca? Sombras da Noite Branca é o oitavo volume da série de culto Saga das Pedras Mágicas, que encerra mais um capítulo desta aventura fantástica e apaixonante.

Opinião


  Natural de Sesimbra, Sandra é filha de um pescador e de uma contadora de histórias nata e cresceu entre o mar e a Serra, entre o verde e o azul do mundo. Desde cedo, as histórias fazem parte do seu imaginário e ao longo da vida tem juntado contos, pedaços e retalhos de sonhos que acabariam por formar a sua primeira saga. Apesar de nunca ter pensado publicar o seu trabalho porque escrevia fantasia e não encontrava autores portugueses quando ia as livrarias, a verdade é que Sandra teve a sorte de ter alguém que acreditava mais nela que ela própria e graças ao seu marido, o sonho impossível tornou-se realidade.

  Em 2005, A Última Feiticeira, o primeiro volume da Saga das Pedras Mágicas chegou às nossas livrarias e este ciclo chega agora ao fim. Oito livros, três gerações e um grande carinho por parte dos fãs que como eu cresceram com esta saga ou que a conheceram em idade adulta ou mais tarde, são a materialização do talento de Sandra e da sua afirmação como um nome a apontar no que a fantasia nacional concerne. Sombras da Noite Branca é o último volume desta saga e promete resolver todas as questões e acabar a história da família de Aranwen em beleza.  

  Quando a esperança esmorece até se fenecer, quando quem amámos desiste de nós, quando o único apoio é o maior mal dos nossos, cabe-nos ser mais fortes, sobrevivermos, mostrar o que realmente valemos e finalmente trocarmos as voltas ao destino. Kelda está sozinha do lado errado da contenda mas só ela pode parar um mal sem igual, um poder que ninguém pode vencer, um homem que partilhou com ela o ventre e a olha com olhos iguais aos seus. Na derradeira demanda dos herdeiros de Aranwen a morte espalha-se em todos os caminhos, o caos tomou o mundo e a vitória perde-se nos gritos que padecem mas a coragem, essa ainda resiste, o amor é como uma armadura que não se desfaz e, no fim, a maior prova é o sacrifício. Por todos os que perdemos, por todos os que amámos, por todos os que hão-de vir porque o ódio e a loucura não combatem o que não conhecem.

  Ao longo de oito anos, o mundo de Sandra Carvalho tem vivido na minha imaginação e agora mais um ciclo, este, chega ao fim da maneira mais inesperada. Habituando-nos à sua escrita cuidada e floreada, a autora contou-nos a história de uma família, de três gerações que combateram o mal na sua demanda, que viram os mesmos erros e os mesmos tormentos repetirem-se, que por amor e lealdade, pela família, fizeram tudo ao seu alcance para alcançarem a paz. Num livro mais obscuro, mais poderoso, todas as questões levantadas ao longo da saga são agora resolvidas para que todas as pontas sejam atadas, não nos deixando qualquer dúvida. Sandra esmera-se neste último livro e mostra que o talento nacional também dá cartas na fantasia com a mesma qualidade que alguns autores estrangeiros.

  Desde o último livro que a linha ténue entre a luz e a escuridão se desfez, deixando-nos a braços com sentimentos e emoções muito mais complexas. Ao longo desta leitura, tudo se intensifica, cada momento se encaixa e se desenvolve de forma a chegar ao final, o final de uma aventura imensa que exige uma resolução total. Sofrendo até à última linha, este livro é um prazer e uma provação, é extasiante e esgotante, um misto de sensações que nos faz viver cada pedaço como se da nossa própria vida se tratasse. Um livro onde o sacrifício é necessário para expiar todos os males, onde o fim é um momento agridoce, este incita-nos a devorar cada uma das suas páginas e a desbravar todos os mistérios, a encontrar todas as respostas.

  Uma batalha épica onde as ligações familiares, o sangue e o amor têm um peso desmedido, esta é a derradeira das demandas e nela os amigos podem tornar-se inimigos, os inimigos podem revelar-se companheiros de todas as provações. Dando uma volta imensa à história que conhecemos, vários momentos surpreendentes dão um novo fôlego e complicam ainda mais as decisões finais mas no fim, um fim tortuoso mas feliz, há uma sensação de satisfação insatisfeita, um misto de sensações que só o final de uma saga querida pode deixar. Apesar de esperar mais, sei que só poderia terminar assim mas a leitora que cresceu com estas personagens queria algo ainda mais espectacular e perfeito mas nem aqui a perfeição existe e é aí que reside o seu encanto.

  As personagens desenvolvem-se de forma surpreendente, levando-nos a odiá-las como nunca pensamos ou finalmente a admitirmos a admiração que sempre sentimos por elas. Kelda mostra que é a protagonista certa para fechar este ciclo, e unindo nela o bom e o pior da sua família, ela joga com todas as cartas que tem e cada uma das mulheres a que está ligada deixaram uma marca ainda que ínfima nela. Halvard é para mim, o verdadeiro prazer desta história, o vilão que ultrapassa qualquer um dos outros e que nos faz odiá-lo até ao fim. Já Sigarr, a personagem da qual esperei a redenção desde o início finalmente mostra que sempre estive certa em relação a ele mas o seu fim deixou-me um sabor amargo na boca. 

  Quanto a surpresas, tendo vindo de personagens que já estava a espera, agradaram-me mas o fim de Oriana ficou-me entalado. Confesso que foi personagem pela qual nunca nutri simpatia e o perdão para ela é me impossível dar. As restantes personagens, como sempre encantaram-me mas senti a falta de uma presença mais assídua de algumas delas e os seus fins foram um pouco inconclusivos.

  Um final épico para uma saga com a qual cresci, Sombras da Noite Branca foi agridoce. Um último livro que satisfaz e ao mesmo tempo sabe a pouco, um livro que termina mas continua a deixar algo no ar, um final que deixa saudades. Ao menos pode-se sempre reler e regressar.

6*
 
As minhas opiniões da série

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Lissa Price, autora de Destinos Interrompidos esteve em Portugal

  Na terça feira, 14 de Maio, eu e outras bloggers, encontrámo-nos com Lissa Price no hotel Flórida. Durante uma hora podemos falar com a autora, colocar as nossas questões e descobrir factos muito interessantes sobre a mais recente aposta distópica da Planeta Manuscrito, que nos proporcionou este momento.
Acompanhadas de pipocas de chocolate, podemos descobrir não só as influências literárias para Destinos Interrompidos, como, imagine-se, qual a personagem preferida de Lissa da série A Guerra dos Tronos! Curiosos?

  Primeiro, porque isto deve ser o mais importante para os fãs, ficámos a saber que o segundo e último livro está pronto, prontíssimo, resta-nos saber para quando a sua publicação por cá. Quanto ao filme, a autora já tem o guião pronto mas como as produtoras andaram loucas para saber qual delas ia ficar com a realização do 50 Sombras de Grey, o filme de Destinos Interrompidos ficou em banho-maria, pelo menos para já.7

  Muito simpática, a autora contou-nos ainda quais as suas influências para este livro,  Imperfeitos, Jogos da Fome e Incarceron, e que se no início pensou fazer uma trilogia, acabou por perceber pelas ideias do livro que uma duologia faria muito mais sentido. Aquele que provisoriamente se chamou The Body Bank, foi o conto de fadas da autora e o apoio do seu grupo de escrita do qual ainda faz parte, foi muito importante para a sua realização.

  Finalmente, ficámos a saber que Lissa conhece muito bem outra autora da Planeta, Lauren DeStefano e que a sua personagem preferida de A Guerra dos Tronos é Daenerys e que os dragões são a parte preferida do seu marido.

  No dia seguinte, marquei presença na sua sessão de autógrafos onde apesar dos nervos a autora respondeu às muitas perguntas da assistência que no fim premiu não só com um autógrafo como este ainda veio acompanhado de um marcador da edição original e ainda houve um giveaway de um exemplar com os primeiros capítulos do livro em inglês.


Tentações: Sacrifício de Sangue [Lua de Papel]

Nas suas livrarias a partir de 25 de Junho

Título: Sacrifício de Sangue
Título Original: Flesh and Blood
Autor: Kristen Painter
Editora: Lua de Papel
Número de Páginas: 392
Preço: €16.90
ISBN: 9789892323343



*Kristen Painter* 
 Kristen Painter foi professora de inglês e é autora de numerosos romances de fantasia e paranormal. Tem no seu currículo várias nomeações para os prémios Golden Heart e louvores de alguns escritores bem conhecidos como Patricia Briggs ou Gena Showalter. Kristen, que já viveu em Nova Iorque, mudou-se para a Florida, onde reside atualmente com o marido. Para dar cor às suas histórias recorre várias vezes às suas próprias experiências e à época em que trabalhou no mundo da moda, na Christian Dior, ou como maître para a Wolfgang Puck. Foi ainda Personal Trainer.*


Sacrifício de Sangue
Sinopse: O sangue de Chrysabelle é rico, puro e poderoso... Ela é uma comarré que ousou desafiar o destino.  Chrysabelle nunca imaginou que a liberdade teria um preço tão alto. Estranhos acontecimentos afastaram-na de Malkolm, o vampiro renegado a quem prometeu ajudar a quebrar uma maldição. Mas não por muito tempo, pois a atração que os une é mais forte. Para o salvar, Chrysabelle precisa de encontrar a única pessoa que pode ter a resposta: a Aureliana. Nada parece demover a comarré, nem mesmo quando descobre que cumprir a promessa exige um sacrifício de sangue, do seu próprio sangue. A chegada do enigmático Thomas Creek a Paradise City, também ele atraído pelo poderoso e inebriante sangue da comarré, vai arrastá-la para um perturbante triângulo amoroso. Dividida entre a promessa que fez a Malkolm e que lhe pode custar a vida, e o caminho de luz que Creek lhe tem para oferecer, ela terá de escolher...  Intenso e arrebatador, Sacrifício de Sangue é o segundo volume da série Casa das Comarré, de Kristen Painter, e um best-seller internacional. 

 Porquê?
Depois de ter adorado Direitos de Sangue é com uma expectativa imensa que aguardo este segundo volume. Uma série de fantasia paranormal cujo mundo original, obscuro e versátil a torna diferente do que se tem publicado, A Casa das Comarré é um misto de intrigas, ancestralidade e sensualidade do melhor.
Primeiro livro da série


Podem encontrá-lo em pré-lançamento aqui
 
*informação retirada do site Wook  

terça-feira, 28 de maio de 2013

Opinião - A Justiça de Kushiel

Título Original: Kushiel's Avatar (#3.2 O Legado de Kushiel)
Autor: Jacqueline Carey
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 384

Sinopse
 Kushiel barra o caminho de Phèdre, severo e ameaçador. Numa mão, segura uma chave de bronze, e na outra… um diamante, enfiado num cordão de veludo. Phèdre nó Delaunay, a eleita dos deuses para suportar um indizível sofrimento com infinita compaixão é a vítima perfeita, a "oferenda sem igual" cuja profanação assegurará a ascendência de Angra Mainyu, O Senhor das Trevas. A morrer, pensa Phèdre, será às mãos do amor. Mas o amor é uma força assombrosa, e amor há que desafia todas as probabilidades…

E o Amor reina em força neste volume pungente, a encerrar a saga de Kushiel. O amor de Joscelin por Phèdre, seu Companheiro Perfeito que tudo dá por ela. O amor de Phèdre pela sua rainha, que quer Imriel de la Courcel de volta, o amor de Phèdre por Hyacinthe, seu único e verdadeiro amigo, por toda a eternidade condenado ao cativeiro como Senhor do Estreito. O amor de Phèdre por Imriel, apenas amor simples e destituído de adornos. O Lungo Drom de Phèdre e Joscelin continua, por um lendário rio abaixo até uma terra esquecida de todo o mundo. E até um poder tão imenso que ninguém ousa proferir o seu nome.

Ousará Phèdre? Ousará Phèdre receber o Nome de Deus e com ele obrigar a que libertem Hyacinthe? "Para receber o Seu Nome", instruiu o místico yeshuíta Eleazar ben Enokh, "d'Ele nos deveremos acercar em perfeita confiança e amor, do nosso ser fazer um recetáculo onde o nosso ser não esteja." Logrará Phèdre fazê-lo?

Opinião 


  Formada em Psicologia e Literatura Inglesa, Jacqueline foi desde sempre uma leitora ávida, alguém com uma grande paixão por livros mas a escrita foi um passatempo que apenas lhe adveio na escola secundária. Enquanto esteve a viver em Londres, onde trabalhou numa livraria, o passatempo tornou-se uma paixão e escrever profissionalmente um sonho. Como Jacqueline adora fazer pesquisa sobre os mais variados assuntos, principalmente os de tipo misterioso, e uma grande afinidade por viagens, material para os seus livros não lhe faltava e, uma década depois, essa paixão deu finalmente frutos. 

  O Dardo de Kushiel foi o seu primeiro livro e o início de uma carreira brilhante na fantasia. Fazendo parte de uma trilogia que mais tarde haveria de se tornar em três passadas no mesmo mundo, este livro recebeu vários prémios e críticas entusiastas de autores como George R. R. Martin com quem Jacqueline já colaborou num livro de contos, entre outros autores. Para além das trilogias passadas em Terre D’Ange, a autora tem outra de fantasia épica e duas de fantasia urbana.

  A Justiça de Kushiel é a segunda parte do último volume da Saga de Kushiel, ou seja, é o fim das aventuras de Phèdre e Joscelin, por isso, imensamente aguardado pelos fãs da saga.
Ela foi escolhida para ser um dardo, o dardo de um deus sem misericórdia, um instrumento de dor e tormento. Amaldiçoada, abençoada, Phèdre tornou-se uma lenda, uma personagem de cantigas, histórias sussurradas e gritadas, uma personagem cujo nome percorre as estradas das intrigas e da paz. E, mais uma vez, a sua coragem, a sua entrega é necessária mas esta demanda é a mais preciosa, a mais perigosa que a anguissette já viveu e nela, pode reconquistar alguém dedicado ou perder tudo o que venceu à custa de sangue e lágrimas. Por entre terras imaginadas, há muito perdidas, por pedaços de mundo esquecidos pelos deuses, por caminhos que gelam a vontade dos mais poderosos, Phèdre e Joscelin vão arriscar o que de mais precioso têm e descobrir a verdadeira essência do mote das suas vidas. Ama à tua vontade.

  Com uma mestria incomparável, Jacqueline termina aqui uma saga de intrincados segredos, complexas conspirações e amores atormentados, uma saga que livro a livro tem arrebatado os leitores e que provou que a rendição é a arma mais poderosa que podemos ter. De uma beleza sem par, a escrita da autora enreda-nos numa teia de encantos obscuros e fascínios obsessivos que nos tortura e enfeitiça ao longo de momentos intensos, poderosos, momentos que nos arrancam o fôlego e partem o coração. Do início ao fim, Jacqueline assombra-nos com a elegância, cuidado e complexidade com que dá vida a esta história, uma manta de retalhos de pequenas histórias e lugares aos quais a autora adiciona o negrume, a opulência, a beleza e o poder do seu mundo onde o amor é a chave para todos os actos, o caminho para a redenção e a base para a vida.

  Aqui visitaremos o inferno, o local dos horrores, o sítio onde os desejos mais obscuros nos são arrancados. Aqui conheceremos o paraíso, o lugar onde a paz e a cura devolvem o que abruptamente foi tirado. Aqui compreendemos o que é o amor perfeito, o amor que vence tudo e renasce em glória. Pois esta história é sobre o amor em todas as formas, das mais cruéis às mais doces, e conta-nos como ele jamais pode ser perdido, como ele sempre se encontra. Entre intrigas cortesãs e lendas antigas, por terras inóspitas, longínquas e esquecidas, vemos a imensidão, a complexidade do mundo que Jacqueline criou, um mundo de um requinte tortuoso, de uma voluptuosidade estudada, onde tudo se interliga da forma mais espantosa, onde os sussurros escondem vontades e decisões que podem mudar tudo e todos.

  Na mais perigosa e sentida das demandas, tudo nos é arrancado e se este é o livro mais negro da saga é também o mais luminoso, pois é preciso ver a escuridão total para abarcar a luz etérea. Da destruição ao perdão há um longo percurso, cheio de perigos, monstros e insanidades. Há a probabilidade de a morte nos levar, há a possibilidade de nada sarar mas há destinos, há dores que nos exigem isso e muito mais, por isso, arriscar é a única maneira e a força a única de forma de reconquista. Num relato que nos doí, atormenta, existe também paixão, doçura e ao longo da leitura, percebemos que aquilo que Phèdre é está espelhado em cada momento deste livro. A luz e o escuro, a maldição e a bênção, o prazer e a dor, são dois lados da mesma face, são as raízes dos seus opostos, são os pares inseparáveis porque nesta história, tal como na vida nada é bidimensional.

  Através de personagens apaixonantes, personagens que nos marcam e conquistam, vivemos cada folgo, cada lágrima, cada grito desta aventura que chega agora ao fim e com Phèdre e Joscelin aprendemos o que é amar incondicionalmente, o que é o amor na sua essência. Inesquecíveis, eles são o casal perfeito, e por eles chorámos, bradámos, trememos. Por eles exigimos um final feliz, pois amor como o deles jamais existiu. 

  Estas são personagens em que nos reconhecemos. São humanas, são frágeis e poderosas, têm um bom lado e muito a esconder mas, também têm um lado divino, o lado dos heróis que tudo arriscam e tudo vencem. E é por isso que esta não é uma história de cortesãs mas sim de amores, de deuses, de lendas.

  Sublime, A Justiça de Kushiel é o final que todos esperávamos e mais ainda. Um fim perfeito para uma saga que melhora livro a livro, o fim ideal para uma história de sacrifícios e paixões, este livro prova mais uma vez o imenso talento de Jacqueline e o porquê desta ser uma das melhores sagas da fantasia histórica. Deixa saudades, muitas horas de leitura desenfreada e uma vontade imensa de ler o restante trabalho da autora. Obrigada Jacqueline.

7*
 
As minhas opiniões da série

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Opinião - Corações Gelados

Título Original: Wintergirls
Autor: Laurie Halse Anderson
Editora: ASA
Número de Páginas: 232

Sinopse
 «Eu sou aquela rapariga. Eu sou o espaço entre as minhas coxas, a luz do sol a derramar-se entre elas. Eu sou a auxiliar de biblioteca que se esconde na "Fantasia". Eu sou a aberração de circo enclausurada em cera. Eu sou os ossos que eles querem, ligados num molde de porcelana.» Viajei na terra dos Corações Gelados devido às inúmeras leitoras que me escreveram a contar a sua luta com distúrbios alimentares, automutilação e sensação de andarem perdidas. A sua coragem e sinceridade puseram-me no caminho para encontrar Lia e ajudaram-me a compreender a sua devastação. Embora não seja uma história da vida real, Lia foi inspirada nessas leituras, e por isso lhes estou muito grata.

Opinião

  Laurie começou a escrever no segundo ano e mais tarde viria a tornar-se jornalista freelancer para jornais e revistas mas ela sabia que ainda havia um longo caminho a percorrer na sua escrita. Depois de centenas de cartas de rejeição, Laurie juntou-se à SCBWI, fundou um grupo de apoio crítico e isso fez toda a diferença. Antes da literatura YA ou da ficção histórica, Laurie começou por escrever livros de imagens, infantis ou sobre a História da América, que têm conquistado pais, livreiros e professores mas é pelos seus livros YA que é mais conhecida.

  Vive com o marido, o seu namorado de sempre, os quatros filhos e um cão neurótico numa casa no norte de Nova Iorque com um enorme jardim onde o seu marido construiu uma casinha de campo onde gosta de escrever principalmente quando a neve cai. Continua a correr em maratonas, subir montanhas e a tentar arrancar tomates do solo rochoso do seu jardim.

  Corações Gelados é o seu mais recente trabalho. Escrito vinte anos depois do seu primeiro livro, Grita, conquistou a crítica pela força da sua mensagem. Inspirada em leitoras que contactavam a escritora para lhe contar as suas experiências com os distúrbios alimentares, tem mais de trinta edições, venceu quatro prémios e foi nomeado para outros tantos. 

  Os espelhos mostram o que queremos ver. Podem mostrar a perfeição de sonho ou o horror dos nossos pesadelos. Nunca mostra a verdade, a verdade da mente e do racional. É o nosso coração, é a alma que se espelha naquela superfície brilhante que decide se és bela ou não, que apenas te mostra a verdade mais profundamente guardada em ti. Mas essa verdade pode ser uma teia de mentiras e ilusões, pode ser as tuas ambições e enganos porque tu podes caminhar num trilho tão ténue que a insanidade quase te apanha, quase te leva e ela sussurra-te ao ouvido verdades que só tu e ela vêem, mostra-te uma beleza tão pura que só tu podes alcançar. Só que a visão mundana vê-te como és. Uma carapaça vazia, um receptáculo frágil quase de outro mundo, uma fealdade de dor, egoísmo, loucura. Não te deixes enganar por essa superfície brilhante ornamentada de forma delicada, olha para ti. Olha mesmo.

  Por mais opiniões que tenha lido, por mais avisos que me tenham dado, nunca mas nunca, eu poderia estar preparada para o que este livro é, uma realidade feia mascarada de palavras belas, uma dor que nos paralisa e nos arrasta sem encontrar resistência, uma agonia tão forte que nos desfazemos palavra a palavra até nada restar. Laurie é um monstro da expressividade, alguém que distorce, reflecte e mistura realidade com irreal, verdades com assombrações, e que nos mata, mata e volta a matar até encontrarmos todo o sentido, todo o pleno do horror, dos segredos, do que se pode esconder na porta ao lado, na pessoa encostada a ti. De uma forma dolorosa mas oh tão bela e sublime, a autora conta-te mil histórias numa, apresenta-te raparigas sem cara numa carapaça da dor de todas. Esta não é uma história leve, esta não é uma história que poderás esquecer.

  Ilusões, as ilusões da mente, as certezas da alma. O que só nós vemos e mais ninguém compreende, a sanidade que contém um pouco de loucura. Isto é o que encontrarão nesta história, uma rapariga de certezas inabaláveis que nada são senão mentiras enterradas nela, uma irrealidade que só ela encontra pois quase já não pertence a este mundo. A anorexia é aqui retratada de uma forma que doí até a quem nunca a viu e, que imagino, deve quebrar quem já passou por isto. É de uma fealdade, de um terror, de uma agonia tão intensa que nos deixa cicatrizes tão profundas como se cada corte fosse feito na sua pele. Mas mais do que os distúrbios alimentares, este livro, Lia, é a personificação dos males que nunca vaiem sós, do ciclo vicioso de um erro que trás outro erro, de uma dor que trás outra dor, de um perdão que nunca vem, de uma descrença que só aumenta. A anorexia anda de mãos dadas com a auto-mutilação e ambas abraçam a loucura enquanto à sua volta tudo destroem.

  Lia, Cassie são bombas prestes a explodir. São medidas em gramas, graminhas, pequenos pedacinhos que aos seus olhos crescem, crescem, crescem até as engolir. Elas são o extremo do mal que as invade, elas são quase o fim, são quase belas perfeitas, são quase fantasmas. São ambas duas personagens tão difíceis que é preciso sentir por elas emoções fortes, tão fortes que quase nos afoguem na sua intensidade. Cheguei a odiá-las. A Cassie por atormentar Lia, Lia por me atormentar a mim e à sua família mas se a raiva nunca me largou e a pena parece demasiado pouco para o que elas me fizeram sentir, a necessidade de proteger, de me fazer ouvir ecoou por mim durante toda a leitura. É fácil reconhecer estas raparigas mas é tão difícil entrarmos no seu mundo e compreendê-las sem ter passado pelo mesmo pois elas são donas de corações gelados, corações entorpecidos, corações parados, corações incapazes de sentir.

  Corações Gelados é uma dor infinita que não nos larga mesmo dias depois da sua leitura. É um poder avassalador que desfaz tudo à sua passagem, que fica na memória do todo sempre. Um grande pequeno livro, é uma experiência dolorosa mas porque todos devíamos passar, nem que seja, para não nos deixarmos enganar.

7*