sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Opinião - A Herdeira Acidental

Título Original: The Accidental Aprentice
Autor: Vikas Swarup
Editora: ASA
Número de Páginas: 400
 

Sinopse
 A jovem Sapna está destroçada. Obrigada a abandonar a universidade para se dedicar a um emprego medíocre como vendedora de eletrodomésticos em Nova Deli, ela é agora a única responsável pelo sustento da mãe doente e da fútil irmã mais nova. Mesmo para um coração otimista como o seu, é cada vez mais difícil acreditar num futuro melhor... até que um dia, quando o seu desespero é absoluto, algo insólito acontece: um milionário excêntrico quer fazer dela sua herdeira. Sapna pode vir a receber mais dinheiro do que alguma vez sonhou e, com ele, mudar a sua vida e a de todos os que ama. Em troca, terá "apenas" de superar os sete testes do "livro da vida". Sete testes sobre os quais o seu estranho benfeitor mantém segredo absoluto. Assim começa uma viagem rocambolesca que vai testar o seu caráter, a sua coragem e o seu coração. Pelo caminho, conhece pessoas inesquecíveis. De um casal de noivos em fuga a um sex symbol de Bollywood ou a uma insuspeita cleptomaníaca, todos vão, de alguma forma, transformá-la. E quando se depara com o sétimo e último teste - aquele para o qual a vida não a preparara -, Sapna questiona até que ponto será capaz de se sacrificar por um sonho. Vikas Swarup, autor de Quem Quer Ser Bilionário? - que inspirou o filme vencedor de oito Óscares e quatro Globos de Ouro - está de volta com uma história hilariante e dramática, terna e cruel, como o seu próprio país. Tanto a Índia como a sua heroína estão presas entre tradição e modernidade neste romance que nos leva questionar os nossos próprios sonhos e limites.


Opinião 

  Nasceu em Allahabad na Índia numa família de advogados mas estudou História, Psicologia e Filosofia e destacou-se como orador, ganhando campeonatos nacionais. Depois de se licenciar com distinção, juntou-se ao Indian Foreign Service em 1986, que o levou a vários países como Turquia, Etiópia, EUA e Grã-Bretanha como diplomata mas desde 2006 que está colocado na África do Sul na cidade de Pretoria como Alto-comissário Adjunto da Índia. Para além de ler, gosta de ouvir música e jogar críquete e ténis de mesa. É casado com uma artista com quem tem dois filhos.

  Vikas estreou-se na escrita em 2000 com Quem Quer Ser Bilionário?, o livro que o catapultou para a fama e cuja adaptação ganhou oito óscares. O seu segundo romance, Seis Suspeitos está a ser, também, adaptado para cinema. A Herdeira Acidental é o mais recente romance do novelista indiano e foi publicado este ano estando ainda só traduzido para cinco países.

  Marcada pela tragédia e desilusão, Sapna vive cada dia a espera de algo mais até que uma oportunidade lhe surge da forma mais estranha. Sete testes, deliberados pela vida e pelas circunstâncias, decidirão se ela está preparada para viver o sonho mas os seus piores pesadelos serão um entrave até ao fim…

  Depois de ver Quem Quer Ser Bilionário? fiquei curiosa acerca do autor que havia dado vida a esta história e por isso não podia deixar escapar a oportunidade de ler o seu mais recente romance. A Herdeira Acidental é um conto de fadas moderno, uma fábula sobre as escolhas, quem somos e o que nos marca, uma história sobre vidas e sonhos nunca alcançados. Vikas escreve de uma maneira extraordinária, assoberbando-nos com a sua mestria a descrever relações familiares, histórias impossíveis e sonhos enquanto nos descreve o seu país a fundo, desde a sociedade nos seus vários estratos, à política, religião e entretenimento que marcam uma Índia desconhecida e esquecida. Uma narrativa por vezes filosófica, por vezes emocional, este livro toca-nos e ensina-nos, inunda-nos com questões pessoais ou humanitárias, mostrando como a realidade pode ser cruel.

  De Nova Deli a Bombaim, Sapna conhece estrelas e aldeões, vê a liberdade e a opressão, o fanatismo e o desinteresse, a corrupção e a justiça, a alegria e consternação que marcam profundamente não só o seu país, como todos à sua volta, tal como a ela própria, deixando-nos acompanhá-la numa viagem onde demonstrará os seus valores, as suas fraquezas e as suas ambições enquanto o mundo à sua volta se desfaz. Esta é uma história que é muito mais do que se apresenta à primeira vista. Fala-nos de oportunidades, de sonhos e vingança em vários enredos que se envolvem e nos apresentam não só a história de Sapna como de várias personagens que simbolizam o pior e o melhor da Índia actual, representando vários problemas sociais enquanto assistimos à demanda pessoal de Sapna.
Iniciando-se de uma forma que nos mata logo de curiosidade, esta narrativa vai-se tornando mais complexa à medida que vamos lendo, tornando situações à partida normais ou meros acidentes do destino muito mais do que estaríamos à espera. Várias histórias cruzam-se com as de Sapna e algumas escondem verdades tortuosas que irão mudar por completo a vida desta jovem que quando aceita um desafio para se tornar milionária acaba por trazer ao de cima os seus maiores pesadelos. O rumo que a sua história acaba por levar agarra-nos às páginas e faz-nos devorá-las como não houvesse amanhã até chegarmos a um final de cortar o fôlego e completamente inesperado que nos deixa de boca aberta pois não estamos a espera que os acontecimentos, passados e presentes, acabem por se desenvolver da maneira como acontecem. 

  A dada altura, o livro torna-se uma história de mistérios e puzzles profundos e complicados cujo fim mal conseguimos vislumbrar até que todas as peças se juntam e, a partir daí, a acção passa a correr, num misto de adrenalina e desespero onde a premissa inicial acaba por ser esquecida quando confrontada com o terror de estar entre a vida e a morte, com o horror de saber que muitas foram as mentiras que a protagonista viveu ao longo da sua vida. O fim do livro não podia ser mais acertado depois de tudo o que Sapna passou e aprendeu e, se por vezes, a narrativa parece demasiado exagerada pois à dada altura tudo acontece à protagonista de um momento para a outro, a verdade é que a história acaba por estar bem construída e o seu desenvolvimento tem um timing perfeito.

  Marcado por um conjunto de personagens heterogéneo, convincente e interessante, esta história acaba por não ser nada sem elas. Sapna é uma jovem destemida, que tem enfrentado as desilusões da vida com bastante garra e sensatez e que se vai revelando ao longo do livro, fazendo-nos apreciá-la pelas suas atitudes e razões, pelos seus valores e pela forma como nunca desiste quando parece que tudo irá desabar. Ela acaba por ser um livro aberto aos leitores, ao contrário de outras personagens que se revelam verdadeiros enigmas e que nos surpreendem bastante ao longo da leitura mas nenhuma delas consegue deixar-nos indiferentes.

  Como primeiro livro que leio do autor, A Herdeira Acidental revelou-se uma verdadeira pérola, um livro que nunca irei conseguir esquecer e que ultrapassou em muito às minhas expectativas. Vikas ganhou um lugar de destaque na minha estante e espero vir a ler mais deste autor que nos traz aqui mais uma história fantástica.

6*

Tentações: Sangue Maligno [Lua de Papel]

Já disponível na sua livraria Leya


Título: Sangue Maligno
Título Original: Bad Blood
Autor: Kristen Painter
Editora: Lua de Papel
Número de Páginas: 400
Preço: €16.90
ISBN: 9789892324166
 
 
 
 *Kristen Painter* 
   Kristen Painter foi professora de inglês e é autora de numerosos romances de fantasia e paranormal. Tem no seu currículo várias nomeações para os prémios Golden Heart e louvores de alguns escritores bem conhecidos como Patricia Briggs ou Gena Showalter. Kristen, que já viveu em Nova Iorque, mudou-se para a Florida, onde reside atualmente com o marido. Para dar cor às suas histórias recorre várias vezes às suas próprias experiências e à época em que trabalhou no mundo da moda, na Christian Dior, ou como maître para a Wolfgang Puck. Foi ainda Personal Trainer.*
 
 
 
Sangue Maligno
Sinopse: Chrysabelle é uma comarré que ousou desafiar o destino. Agora tem de tomar uma decisão de vida ou morte… Uma série de violentos assassinatos está a semear o pânico em Paradise City. Os alvos são comarrés falsos. Chrysabelle, em casa a recuperar lentamente de graves ferimentos, recusa-se a ver Malkolm. Mas nada conseguirá travar o vampiro, decidido a ver se o amor da sua vida está bem, dê por onde der. Com a ameaça da fusão iminente entre o mundo dos mortais e dos imortais, não há tempo a perder. Malkolm e Chrysabelle partem para Nova Orleães, para recuperar o Anel do Sofrimento. Forçada a tomar uma decisão de vida ou morte, Chrysabelle vai-se aperceber de que a sua relação com Malkolm pode ter consequências fatais e que a força do amor que os une pode não ser suficiente. Intenso e arrebatador, Sangue Maligno é o terceiro volume da série Casa das Comarré, de Kristen Painter, e um best-seller internacional.
 
 
Porquê uma tentação?
  Adoro, adoro esta série e este terceiro volume promete muitas surpresas e desenvolvimentos!
 

Outros livros da série
 
 



 

O Livro Chegou à Vencedora!

  A vencedora do primeiro passatempo do blogue já recebeu o seu livro, A Luz das Runas de Joanne Harris, e partilhou connosco algumas fotos dele. Espero que gostes da tua leitura e obrigada pelas fotos Helena!





É um belo calhamaço com uma capa líndissima e que por aqui já nos conquistou como podem ver pela opinião

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

From Pages to a Movie *A Cidade dos Ossos*






  Um dos filmes porque mais aguardei este ano estreia hoje nas salas de cinema mas graças à Planeta Manuscrito pude ir ontem à ante-estreia no Vasco da Gama, tendo encurtado as férias temporiaramente para o puder fazer tal era o meu entusiasmo em relação a ele e foi com um misto de sensações que vi o ecrã apagar-se pois se fiquei feliz por o ver também fiquei um pouco desiludida com o resultado final.




  O problema deveu-se às muitas cenas que estão completamente diferentes do livro e de algumas mudanças temporais das ocorrências que deixam  quem leu logo de pé atrás porque o livro é bastante visual e não percebo qual o objectivo de mudar coisas mínimas que podiam ter respeitado mas, agora mais calma e com a hippie em mim mais racional, acho que o pior foi mesmo terem estragado o final antes de ele acontecer, ou seja, a grande surpresa é estragada antes de ser revelada, estragando um fim sensacional de cortar a respiração. Ah, e estou chateada por a mota não voar porque penso que teria sido um grande momento visual e tão fixe mas pronto... De resto, houve alguns momentos pouco coerentes e que ficaram um pouco por explicar.

  Quanto aos efeitos especiais, estiveram à altura bem como as cenas de acção. Todas as coisas fantásticas do livro estão bem representadas e foram de grande destaque e as lutas foram adrenalina pura. Os cenários estavam excelentes, principalmente o Instituto e a Cidade dos Ossos que me deixaram quase a babar e a grande atenção que deram a Manhattan foi de louvar. A banda sonora também é qualquer coisa e a caracterização era exactamente como a imaginava e aqui tem de haver um grande destaque aos Irmãos Silenciosos que estavam qualquer coisa.


  O elenco acabou por me surpreender mas não haja dúvida que as estrelas foram Lily Collins e Jonathan Rhys Meyers. A actriz foi uma Clary perfeita e Meyers deu a Valentine um ar ainda mais louco e violento que intensifica a personagem. Apesar de não o achar o Jace perfeito, a minha personagem preferida, Jamie Campbell Bower acabou por representar bastante bem o caçador de sombras e acaba por falhar por não arrancar suspiros às espectadoras. Robert Sheehan também correspondeu às expectativas e foi um excelente Simon. Já Kevin Zegers e Jemima West deixaram um pouco a desejar e Godfrey Gao não foi um Magnus à altura.

Ou seja, se eu não tivesse lido o livro, garanto-vos que tinha adorado o filme mas assim é impossível mesmo que agora consiga ver que não foi tão mau como pensei à partida. Era
excusado ter-se alterado tanta coisa, as cenas à Exorcista e os ritos satânicos mas lá está, é raro o filme que corresponde ao que estámos a espera e este não foi excepção mas tendo se tornado uma das minhas sagas preferidas sim queria muito mais do que isto.



A Cidade dos Ossos *Opinião*
A Cidade das Cinzas *Opinião*

   










sábado, 17 de agosto de 2013

Vou de Férias!

  Mas volto, estejam descansados!

  Amanhã parto de férias até dia 1 de Setembro. Hei-de regressar à Lisboa para ir ver a Cidade dos Ossos (sim estou histérica, sim venho mais cedo para ir ver o filme e sim esperámos que esteja bom!) mas é por poucos dias, e não deve haver muito movimento no blogue, tirando uma opinião ou outra e, claro, o comentário ao filme. Depois parto uma semana de férias sem interrupções.

  Eu sei que são muitos dias mas também é preciso fazer uma desintoxicação da internet e dos livros de vez em quando e aproveitar este tempo fantástico com os amigos enquanto podemos. Piscina, campo, praia, dormir até tarde, ser acordada aos berros, cozinhar, não fazer nenhum, vão ser as ordens destas férias para recarregar energias e vir toda feliz para apreciar as novidades de Setembro e cheia de saudades dos meus livrinhos (eu vou meter o Kobo na mala não vá ter sorte!) e de vocês claro!


  Espero que se divirtam e que tenha muitas saudades do Chaise Longue!=D


 

 

Opinião - O Príncipe da Neblina

Título Original: El Príncipe de la Niebla (#1 Trilogia Neblina)
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 208


Sinopse
 Um diabólico príncipe que tem a capacidade de conceder e realizar qualquer desejo... a um preço muito elevado.
O novo lar dos Carver, numa remota aldeia da costa sul inglesa, está rodeado de mistério. Respira-se e sente-se a presença do espírito de Jacob, o filho dos antigos donos, que morreu afogado.
As estranhas circunstâncias dessa morte só se começam a perceber à medida que os jovens Max, a irmã Alicia e o amigo Roland vão descobrindo factos muito perturbadores sobre uma misteriosa personagem de seu nome… o Príncipe da Neblina.

Opinião

  Nascido em 1964 em Barcelona, Carlos Ruiz Zafón nasceu sobre o signo chinês do dragão numa cidade onde estes vigiam muitos dos monumentos e, talvez por isso, coleciona estas figuras desde pequeno, tendo uma colecção com mais de 400 dragões. Tal como o animal mítico, Carlos é uma criatura nocturna, pouco sociável e pouco amigo de cavaleiros andantes. Escritor há vinte anos, começou com livros YA até que em 2001 publicou o seu primeiro livro de literatura adulta e o seu maior sucesso, A Sombra do Vento. Desde 1994 que vive em Los Angeles e escreve roteiros para filmes para além dos seus livros.


  O Príncipe da Neblina foi o seu primeiro livro. Publicado em 1993, traduzido para vinte e uma línguas, foi vencedor de três prémios literários e é o primeiro volume da Trilogia da Neblina.


  Este é o primeiro livro que leio de Carlos Ruiz Zafón e as expectativas eram muito, muito altas. Não vou dizer que me senti defraudada mas realmente esperava muito mais deste autor depois de todas as coisas boas que tenho ouvido sobre ele e este livro soube- me a pouco mas penso que foi uma boa ideia começar por este e não pelo A Sombra do Vento, que é considerado o seu melhor livro. Apesar de não ter sido magnífico como estava à espera, a verdade é que pelo menos uma coisa correspondeu às expectativas. A escrita do autor, ainda não no seu auge, nem no seu melhor, é já contudo bela, envolvente, dramática e triste, uma escrita que nos envolve e nos obriga a absorver as palavras como se não houvesse amanhã e que dá um brilho a uma história que contada por outro poderia não ser nada de especial.


  Sendo uma narrativa de terror, fiquei um pouco decepcionada com o tamanho do livro e o tempo que a acção demora a acontecer. Em metade do livro não se passa nada e depois passa-se tudo muito depressa. Não que a narrativa não esteja bem pensada porque está mas soou demasiado simples, demasiado cliché e, até por vezes, demasiado repentina. Contudo, muitos dos momentos do livro deixaram-me arrepiada graças às fantásticas descrições mas, tirando isso, a parte de terror precisava de ser mais desenvolvida para puder ser um excelente livro. Quanto ao mistério, foi bastante surpreendente, não estava nada a espera e melhorou em muito o final que foi soberbo.


  As personagens precisavam de mais desenvolvimento e Max não me convenceu enquanto protagonista. Aliás, acho que essa foi uma das fraquezas do livro, as personagens. Não é fácil identificarmo-nos com elas ou sentirmos alguma ligação, o que tira logo um dos pontos fulcrais de uma leitura. Depois o próprio príncipe precisava de uma aura mais sombria, mais assustadora, algo mais real. Em momento algum me pôs a espreitar por cima do ombro ou tive mesmo medo, ou seja, faltou-me as emoções típicas deste tipo de história.


  Não foi um início auspicioso mas sem dúvida que fiquei com a pulga atrás da orelha com os outros livros do autor que espero gostar muito mais. Apesar de tudo, esta não foi uma má leitura, só não correspondeu ao que estava à espera.

5*

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Opinião - Mais Forte que o Desejo

Título Original: Deeper than Desire
Autor: Cheryl Holt
Editora: Quinta Essência
Número de  Páginas: 340


Sinopse
Com a família a atravessar uma grave situação financeira, Olivia Hopkins dispõe-se a conseguir uma proposta de casamento do já maduro conde de Salisbury. Contudo, o plano cai por terra quando ela descobre um livro erótico na biblioteca do conde. O livro incendeia o corpo de Olivia, que não consegue pô-lo de lado, até ser apanhada em flagrante pelo diabolicamente bonito filho do conde, um homem que lhe acelera o coração e lhe preenche o imaginário com pensamentos escaldantes… Phillip Paxton não consegue acreditar na sua boa sorte. O facto de ter apanhado Olivia com aquele livro picante confere-lhe a maravilhosa oportunidade de humilhar o pai que despreza. Servindo-se do livro como isco, Phillip atrai Olivia para uma ligação eletrizante que resulta em ardentes lições de paixão. Phillip não esperava apaixonar-se pela sua encantadora aluna, mas o que começa como um esquema libertino em breve se transforma num romance genuíno e que Phillip protegerá a qualquer custo…


Opinião
  É graduada em música, línguas e educação pela Universidade do Estado de South Dakota e doutorou-se em Direito pela Universidade do Wyoming. Foi professora, cozinheira, empregada de bar, activista política, promotora e juíza de direito administrativo. Ou seja, Cheryl Holt teve uma carreira preenchida e cheia de sucessos, então porquê escrever? Aos 40 anos, advogada de sucesso e mãe, Cheryl quis experimentar escrever policiais mas nenhum dos seus manuscritos vendeu e, em vez desistir, a advogada tentou um género completamente exposto, o romance sensual e, quando deu conta, era a rainha do subgénero que mais vende na ficção feminina.

  Em 1999, Cheryl publicou o seu primeiro livro, The Way of the Heart, e desde aí já publicou mais trinta e três livros, foi nomeada e venceu vários prémios e alguns dos seus livros já foram bestsellers.

  Mais Forte que o Desejo, publicado em 2004, foi traduzido para francês e agora para o português e foi o primeiro livro da autora a tornar-se um bestseller e esteve nomeado para Romance Mais Sensual do ano 2004.

  Um livro com imagens de fantasia…eróticas. Uma família falida que precisa de um bom casamento. Um bastardo que se encanta pela noiva do pai. Estes são os ingredientes do mais recente livro de Cheryl Holt publicado em terras lusas, uma promessa de sensualidade, tentação e emoções proibidas que irá arrebatar a leitora que não dispensa uma boa dose de romantismo com picante. Sendo o primeiro livro que leio da autora, as minhas expectativas não eram muito altas e não esperava de forma alguma ser surpreendida mas, apesar de este ser um livro mediano, com altos e baixos, irei sem dúvida ler outros livros da autora pois a sua escrita elegante e atrevida, os seus vilões sem escrúpulos e a narrativa bem construída e fluída conseguiram aumentar as minhas expectativas em relação aos seus livros. Contudo este livro não é perfeito e ao longo da leitura, apesar de aprazível, parecia sempre faltar algo que não me permitiu gostar tanto como seria possível.

  Primeiro, não sei se é costume nos seus restantes livros, mas neste existem várias histórias para além do romance principal, histórias essas que me agradaram muito, não só pelos temas, como filhos ilegítimos, pedofilia, crianças abandonadas, passados escandalosos ou a necessidade de riqueza ou de um título, como também pela forma como elas encaixam e acabam por fluir naturalmente, envolvendo o leitor em várias tramas interessantes que acabaram por enriquecer a leitura mas que imponham a necessidade de mais desenvolvimento pois o final acabou por ser apressado e deixar muitas pontas soltas e acontecimentos importantes acabaram por ser não acontecer, o que deixou um sabor amargo no fim do livro que poderia ter sido evitado.

  A narrativa é bastante equilibrada em termos de ousadia e romantismo e graças às outras personagens não é demasiado centrada no romance principal mas isso também fez com que a história de Olivia e Philip fosse a menos desenvolvida e coerente, acabando por ter sido a parte menos interessante do livro pois apesar de começar de uma forma bastante aliciante acaba por se desenrolar muito rápido e tornar-se mais melosa e apagada do que seria de esperar. Já a história de Winnie acaba por nos adoçar muito mais e sem dúvida que o requinte de malvadez dos vilões tornaram o enredo mais forte.

  Olivia e Philip acabaram por ser um bom casal mas se Olivia é uma protagonista adequada que por trás da máscara de inocência acaba por ser ousada, já Philip não convenceu. Pela sinopse e pelo início da história parece que ele é um libertino, um mau rapaz e depois ele torna-se apagado, meloso e não era isso que eu estava a espera dele. Já os vilões são bastante fortes, dos melhores que já li neste género. Malvados, requintados e loucos, eles preenchem as páginas e fazem-nos sentir um ódio e raiva tremendos, dificultando até ao fim e recebendo o merecido castigo. 

  Para estreia, Mais Forte que o Desejo não foi o livro perfeito mas vou passar a estar atenta aos livros da autora pois parece-me bastante prometedor o que aqui encontrei. Esperemos que o próximo livro seja melhor.

5*