segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Opinião - A Arca

Título Original: The Thread
Autor: Victoria Hislop
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 416


Sinopse
 Tessalonica, 1917. No dia em que Dimitri Komninos nasce, um incêndio devastador varre a próspera cidade grega, onde cristãos, judeus e muçulmanos vivem lado a lado. Cinco anos mais tarde, a casa de Katerina Sarafoglou na Ásia Menor é destruída pelo exército turco. No meio do caos, Katerina perde a mãe e embarca para um destino desconhecido na Grécia. Não tarda muito para que a sua vida se entrelace com a de Dimitri e com a história da própria cidade, enquanto guerras, medos e perseguições começam a dividir o seu povo. Tessalonica, 2007. Um jovem anglo-grego ouve a história de vida dos seus avós e, pela primeira vez, apercebe-se de que tem uma decisão a tomar. Durante muitas décadas, os seus avós foram os guardiões das memórias e dos tesouros das pessoas que foram forçadas a abandonar a cidade. Será que está na altura de ele assumir esse papel e fazer daquela cidade a sua casa?


Opinião


  Nasceu no Kent e quando era criança queria ser jogadora de ténis. Tem medo de livros de cozinha e é óptima a cantar. Gasta o dinheiro todo em lições de grego, no tempo livre lê. Trabalhou na publicação, como relações públicas e jornalista. Hoje é autora de romances. 

  O seu primeiro romance, A Ilha, foi publicado em 2005 e foi número um de vendas na lista do Sunday Times por oito semanas consecutives. Vendeu mais de duas milhões de cópias por todo o mundo. O seu terceiro romance, A Arca, foi publicado em 2011 e traduzido para dez línguas. Foi o último livro da autora a ser publicado em Portugal, há dois anos.

  Foi já há dois anos que li um livro desta autora, o primeiro e único, uma leitura forte emocionalmente e que me marcou por dias. Tanto tempo depois, por um acaso, peguei neste A Arca, preparada para mais uma narrativa carregada de dor e esperança, de perdas e lutas diárias, uma história que me marcasse e me deixasse a pensar. Infelizmente, A Arca falhou de alguma forma, não tendo correspondido àquela primeira leitura de que me lembro com saudade. A escrita de Hislop mantêm-se fluída, límpida e apaixonada mas nesta história faltou muita da emoção, não permitindo criar uma ligação com a história ou as personagens da mesma maneira que havia acontecido com a leitura de O Regresso.

  À primeira vista, não há nada que justifique este lapso. Tal como em O Regresso, a autora volta a apostar numa época dramática, de destruição, morte e tensão, na história de uma cidade e três povos que vêm o seu destino mudar conforme a vontade de outros, que perdem tudo e tentam lutar contra um destino que já está traçado. Entre os clamores da revolução, sangues irmãos e inimigos derramados e a ambição demasiada, a autora conta-nos a história de uma cidade que em poucas décadas é desfeita por um incêndio, uma invasão e um terramoto, que vivia na paz religiosa e política, marcada por tantas línguas e cultos, um centro económico e cultural, que às mãos dos seus filhos e estrangeiros vai perdendo a sua identidade e é estrangulada pelo luto das partidas.

  Enquanto artista que consegue pintar-nos a tragédia, Hislop mostra que há talentos que não se perdem. O seu retrato de Tessalonica, dos judeus, cristãos e muçulmanos que aí viviam, das vidas que se perderam, das casas e ruas que construíram uma história, é avassalador e consegue transportar-nos para essa época, consegue marcar-nos de alguma forma, consegue com que não esqueçamos. Mas, a narrativa acaba por ser muito rápida, com demasiadas quebras de enredo pelo meio, faltando-lhe alguma profundidade quer nas descrições quer na construção das personagens e nas ligações entre si, o que causou a tal falta de emoção. Acaba por ser a cidade e não as pessoas que dominam toda a narrativa, acaba por ser a história factual que importa e não a humana, algo que eu sei que a autora é capaz de fazer mas que neste livro falhou redondamente.

  As personagens acabam por ser ou demasiado boas ou demasiado más, não havendo nenhuma que se destaque no enorme rol de personagens que esta história contém. As suas vidas acabam por ser trágicas com momentos bons demasiado certeiros para o desenrolar da narrativa, causando-nos uma certa indiferença. Num enredo quase belamente construído, esta falha acabou por lhe custar a perfeição.

  A Arca levou-me a matar as saudades de uma autora única mas não me permitiu recordar toda a sua magnitude. Espero que a editora não a esqueça e que o próximo livro traga de novo toda a sua capacidade de contadora de histórias.


As minhas outras opiniões da autora

2 comentários:

  1. Mas tu ainda não leste o melhor!!!!! tens de ler a ilha asap! eu adoro esta autora, já li os 3 e concordo, este foi o que menos gostei.

    "Espero que a editora não a esqueça" boa sorte para nós! -_-

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    Respostas
    1. Pois não!!! Eu sei ;_;

      Pois já passaram dois anos -.-'

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