quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Opinião - Legend

Título Original: Legend (#1 Legend)
Autor: Marie Lu
Editora: 1001 Mundos
Número de Páginas: 296


Sinopse
Outrora conhecida como a costa ocidental dos Estados Unidos, a República é agora uma nação em guerra permanente com as vizinhas, as Colónias.
Nascida numa família de elite num dos distritos mais abastados da República, June, aos quinze anos, é um prodígio militar. Obediente, entusiasmada e dedicada ao seu país, está a ser aperfeiçoada para fazer parte dos círculos mais elevados da República.
Nascido num dos bairros de lata do Setor Lake da República, Day, também com quinze anos, é o criminoso mais procurado da República. Mas talvez os seus motivos não sejam tão maliciosos quanto parecem. Pertencendo a mundos muito diferentes, não há motivo algum para que os caminhos de June e Day se cruzem - até ao dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado, e Day se torna o principal suspeito. Agora, apanhado no derradeiro jogo do gato e do rato, Day corre pela sobrevivência da sua família, enquanto June tenta desesperadamente vingar a morte do irmão.
Contudo, numa reviravolta chocante, os dois descobrem a verdade daquilo que verdadeiramente os levou a encontrarem-se, e a que ponto a nação de ambos está disposta a chegar para manter os seus segredos.
Repleto de ação imparável, suspense e romance, o fascinante primeiro romance de Marie Lu irá certamente comover e arrebatar os leitores
.


Opinião

  Autora de livros YA, Marie Lu tem um especial apreço por distopias, o que é irónico, já que ela nasceu em 1984 mas, a sua heroína é J.K. Rowling e não Orwell como seria de pensar. Deixou Pequim em 1989 para ir viver para os Estados Unidos da América onde ainda hoje vive, na cidade de Pasadena, Califórnia, local onde por acaso se passa a série, A Teoria do Big Bang (mais ironias). Trabalhou como directora artística numa empresa de videojogos.

  Desde os quinze anos que Marie tem guardado Day, o co-protagonista de Legend na mente até que, em 2009, ao ver Les Misérables, o conflito de Valjean vs. Javert lhe deu uma ideia e dela nasceu Legend. Publicado em 2011, recebeu um prémio, foi nomeado para três e está traduzido para vinte e três línguas.

  Por onde começar? Como vos explicar o fascínio que, horas depois de o ter terminado, Legend ainda tem sobre mim? Esta era uma daquelas leituras em que as expectativas não eram muitas. Era mais uma distopia a ler na longa lista que tenho desde que comecei a ler este género. Era só mais uma. Só que Marie Lu trocou-me as voltas por completo, deixou-me totalmente cativada pela sua história e a desesperar por mais. Como? Bem, não foi pela escrita da autora, que é tremendamente simples e directa para o meu gosto. Então o que tem Legend para me ter tirado o sono? Não é uma história devoradora, não, mas é daquelas que se infiltra na nossa mente e, quando damos conta, já estamos completamente viciados, totalmente vidrados. Simplesmente apanha-nos e nós, não temos vontade nenhuma de o largar até acabar.

  Num mundo inspirado pela República Comunista da China, altamente militarizado e propagandista, as pessoas são controladas, avaliadas e usadas conforme a sua utilidade para a República e descartadas se esta assim entender. Neste mundo organizado e lustroso, a total obediência e cegueira são a única forma de se sobreviver e, a hipocrisia, é aquela que tudo controla. Contudo, por trás da fachada de perfeição, existem mentiras, abusos e uma conspiração da qual apenas vislumbrámos o início. Este pode parecer um conceito simples e, de facto a autora falha ao não o aprofundar mais, mas a perspicácia com que nos apresenta a sua sociedade, deixando-nos a tentar adivinhar exactamente o que se passa, aguçando a nossa curiosidade com pistas e não revelando tudo desde o início, apenas faz com que ficámos a salivar por mais.

  O enredo, dividido em duas perspectivas que nos apresentam os dois lados desta sociedade, o que ajuda bastante à sua compreensão e torna a leitura muito mais interessante, é rico em acção e surpresas, rápido e fulgurante mas, o segredo desta distopia não está na violência ou nos momentos mais arquejantes como outras distopias. Esta é uma narrativa mais psicológica, mais subtil, em que vamos apreendendo as ligações entre momentos e personagens através de pormenores e não de grandes revelações, conseguindo a nossa atenção sem desvendar muito do que está para vir. Mesmo assim há momentos de tensão e perigo, inteligentemente colocados pela autora, que nos distraem na altura certa para depois nos apanhar completamente desprevenidos.

  A dicotomia entre o bandido e o agente da lei que foi a grande inspiração desta história é, contudo, a chave do sucesso deste livro. June e Day, criados em lados opostos e defensores de ideias diferentes, são os perfeitos antagonistas. Brilhantes e perspicazes, inimigos mortais, colocam em andamento uma caça de gato ao rato deliciosa, não só pelas suas personalidades fortes e independentes, pelas suas mentes quase gémeas mas, principalmente, pelas muitas parecenças que têm. June é gelo onde Day é fogo. Ela é paciente, dura e sensata. Ele é incontrolável, emocional e perigoso. Juntos, são irresistíveis e deixam o leitor rendido a seus pés.

  Marie Lu não é um nome de se descartar nas distopias. É sim, um nome a recordar, pois esta autora tem em Legend uma promessa. Uma promessa fascinante que pode bem deixar-nos completamente presos a si. Não a subestimem, eu nunca mais o voltarei a fazer. 

2 comentários:

  1. Andava de olho neste. Depois da tua opinião tornou-se obrigatório.
    :)
    Bjinhos

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  2. Também fiquei intrigada com a história deste livro. Já o li e espero acabar a trilogia ainda este ano ;)

    Boas leituras

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