sábado, 29 de março de 2014

Opinião - Birthmarked

Título Original: Birthmarked (#1 Birthmarked)
Autor: Caragh M. O'Brien
Editora: Square Fish
Número de Páginas: 384


Sinopse
IN THE ENCLAVE, YOUR SCARS SET YOU APART, and the newly born will change the future.
In the future, in a world baked dry by the harsh sun, there are those who live inside the walled Enclave and those, like sixteen-year-old Gaia Stone, who live outside. Following in her mother's footsteps Gaia has become a midwife, delivering babies in the world outside the wall and handing a quota over to be "advanced" into the privileged society of the Enclave. Gaia has always believed this is her duty, until the night her mother and father are arrested by the very people they so loyally serve. Now Gaia is forced to question everything she has been taught, but her choice is simple: enter the world of the Enclave to rescue her parents, or die trying.
A stunning adventure brought to life by a memorable heroine, this dystopian debut will have readers racing all the way to the dramatic finish.



Opinião
  Em 2010, a autora que herdou o seu nome gaélico de um lago irlandês que nunca viu, deixou de dar aulas para se dedicar à escrita a tempo inteiro. Enquanto fazia uma viagem pelos Estados Unidos, Caragh começou a pensar nas alterações climáticas e, consequentemente, nas alterações politicas e sociais que daí adviriam nos próximos anos. Semanas depois, Birthmarked começava a ser escrito.

  Primeiro livro da autora, foi publicado em 2011 e dá início à trilogia com o mesmo nome. Está traduzido para francês, alemão, chinês, espanhol, turco, português do Brasil e português de Portugal pela Everest que só publicou o primeiro livro. Foi nomeado para sete prémios e ganhou dois deles.

  Uma distopia que passava quase despercebida, Birthmarked acabou por se revelar uma surpresa, que apesar das suas falhas, deixa uma vontade imensa de continuar a ler os volumes seguintes. Caragh traz-nos uma história que apela aos leitores pelos seus temas, uma história que difere das restantes distopias e que promete um percurso senão admirável, pelo menos surpreendente. Com uma escrita agradável mas que precisava de um bocadinho mais de emoção, a autora traz-nos um novo mundo que entre uma visão futurista e outra mais retrógrada, mostra bem as diferenças advindas de quem detém o poder ou não, de uma sociedade abastada e outra com mais necessidades e dos sacrifícios feitos pelos mais fracos para se puder manter um equilíbrio que está prestes a desfazer-se.

  Os temas de Birthmarked, primam pela originalidade, já que esta sociedade distópica assenta na reprodução e genética e nos problemas que delas advém.  Ao longo da narrativa é abordada a preocupação pelas origens de cada individuo, pela sua educação e bem-estar, fala-se das ligações aos pais biológicos e aos adoptivos, dos sacrifícios feitas pela protecção dos filhos, dos problemas genéticos causados pelos casamentos entre pares com ADN parecido, temas obscuros que assombram esta história e lhe dá um ar sombrio completamente inesperado. A autora foi talentosa na demonstração destes temas e na forma como os inseriu na história, criando uma narrativa de passo rápido e fácil leitura que não deixa de abordar assuntos de relevância. Toda a construção do wolldbuilding está bem estudada, bem como os pormenores que interligam as duas sociedades, as suas diferenças sociais, económicas e políticas. Também no cerne psicológico, a autora deixa-nos a pensar com atitudes e pensamentos de certas personagens e, algumas questões éticas e morais, que além de controversas são bastante estimulantes.

  Mas, como já havia dito acima, esta narrativa não deixa de ter as suas falhas, mesmo assim. Ao longo da leitura pareceu-me sempre que faltava algo. Uma certa profundidade e complexidade, momentos atordoantes e emocionais, que ajudassem o leitor a ligar-se às personagens. Nunca existe uma sensação de perigo ao longo do enredo, a sociedade governante nunca nos consegue realmente assustar e os mistérios são demasiado fáceis bem como se irá desenvolver a história. Falhas, sem dúvida, mas que não retiram o prazer da leitura, apenas não deixa o livro tornar-se em algo mais majestoso.

  Quanto às personagens, mais uma falha da autora. Não que não sejam interessantes mas falta profundidade às relações entre elas, falta emoção às suas personalidades, falta algo de imperfeitamente humano. Gaia, a protagonista, no início é uma jovem muito crédula e perfeitinha, muito inocente mas acaba por crescer ao longo da narrativa e mostrar que afinal tem garras e sabe pensar pela sua própria cabecinha. A relação amorosa demora a evoluir e falta-lhe chama, apesar de Leon ser uma personagem interessante pelas suas dúvidas pessoais e atitudes. Já as personagens secundárias, são imensas e a autora não nos consegue apresentar a todas de uma forma que elas sejam mais do que apêndices para a história, havendo algumas que ainda estou para saber de onde apareceram.


  Caragh M. O’Brien estreia-se de uma forma satisfatória que espero que evolua nos próximos volumes, já que, apesar de imperfeito, Birthmarked não deixa de ser uma leitura que nos faz pensar. 


1 comentário: