sábado, 22 de março de 2014

Opinião - Nove Mil Dias e Uma Só Noite

Título Original: Letters from Skye
Autor: Jessica Brockmole
Editora: Editorial Presença
Número de Páginas: 256


Sinopse
Março de 1912. A jovem poetisa Elspeth Dunn nunca saiu da remota ilha escocesa de Skye, onde vive, e é com grande surpresa que recebe a primeira carta de um admirador do outro lado do Atlântico. É o início de uma intensa troca de correspondência que culminará num grande amor. Subitamente, a Europa vê-se envolvida numa Guerra Mundial, e o curso normal das vidas é abruptamente interrompido.
Junho de 1940. O Velho Continente vive mais uma vez o tormento de um conflito mundial e uma nova troca epistolar incendeia os corações de dois amantes, desta vez o de Margareth, filha de Elspeth, e o do jovem piloto da Royal Air Force por quem se apaixonou. Cheio de glamour e de pormenores de época, este romance faz a ponte entre as vidas de duas gerações - os seus sonhos, as suas paixões e esperanças -, e é um testemunho do poder do amor sobre as maiores adversidades.



Opinião
  Apaixonou-se por ficção histórica desde que teve idade suficiente para continuar a ler os livros de Laura Ingalls Wilder depois da hora de dormir e agora escreve as suas próprias histórias. Norte-americana, viveu na Escócia e Nove Mil Dias e uma só Noite é o seu livro de estreia. Foi publicado o ano passado e está traduzido para nove línguas.

  Desde que foi publicado que este livro não me saía do pensamento, por isso, foi com alguma satisfação que finalmente lhe peguei e me deixei embrenhar por esta leitura tão delicada e emocional. Jessica Brockmole traz-nos, em forma de cartas, um romance belamente escrito que, apesar de se passar em tempos de guerra, acaba por se dedicar mais à relação de dois seres humanos que, de mundos diferentes mas com gostos parecidos, se apaixonam pela alma um do outro antes de verem os respectivos sorrisos, do que à destruição e mudança que o mundo à sua volta sofria. Nove Mil Dias e uma Só Noite não é, assim, uma história de guerra, mas uma história de amor que sobrevive a todas as adversidades.

  Não é fácil transmitir sentimentos, acções ou o que seja, em estilo epistolar, mas Jessica consegue-o com relativo sucesso, num dos casos, contando-nos uma história que nem o tempo nem a guerra consegue destruir, uma história real, cheia de erros humanos e longe do arrebatamento das paixões ilusórias, que nos permite viver e acreditar neste amor, feito de palavras, momentos e sacrifícios. Cada carta de Elspeth e David é um hino à amizade, à aceitação, ao encontro das almas gémeas, cheias de sentimentos que transbordam das páginas fluidamente e que nos arrebatam, nos fazem torcer por este amor feito de proibido e palavras, até ao fim, tão doce e cheio de esperança.

  Contudo, este livro acabou por não corresponder às altas expectativas que lhe tinha conferido. Alguns pormenores fizeram com que esta não fosse uma leitura tão adorada quanto queria ou esperava, a começar pela história secundária, a da filha de Elspeth, Margaret, que me foi um tanto indiferente e, mesmo tendo influência na história principal, para mim não trouxe nada de novo, já que a sua própria relação romântica careceu da intensidade da do outro casal, sendo mais uma quebra na narrativa do que outra coisa, pois só me apetecia despachar os seus capítulos para chegar aos de Elspeth. Outra coisa que me fez alguma confusão foi o tamanho do livro, ou melhor, das cartas, que para correspondência trocada em tempos de guerra e numa altura em que era o maior meio de comunicação e cuja demora a chegar ao destino era imensa e improvável, são demasiado curtas e por vezes sucintas. Não me parece verosímil que alguém enviasse uma carta com três palavras da Escócia para a América em 1914. Teria sido preferível a autora escrever algo maior ou evitar este tipo de situações.

  Já situar o romance em ambas as guerras mundiais pareceu-me mais uma questão de chamar a atenção que outra coisa, visto que esta é uma história que se poderia ter passado noutra época ou guerra pois poucos são os pormenores históricos. Eu sei que o livro está em forma epistolar, mas se as cartas fossem maiores a autora poderia ter dado um maior enquadramento de época ou geografia ao leitor, pois não teria feito mal nenhum e teria retirado esta sensação de que me faltou algo.

  Quanto às personagens, sinto-me dividida. Adorei David, pela sua personalidade marcante, pelos seus gestos tanto como adorei Elspeth pela sua singularidade. Juntos, formam um casal que merecia mais páginas e um maior cuidado, senão um pouco mais de dedicação à sua bela história. Já Margaret e Paul, foram-me, tal como a sua história, indiferentes. Gostava de ter conhecido mais de Harry ou Finlay, duas personagens que a autora poderia ter incluído mais na narrativa.


  Demasiado curto para todas as emoções que acarreta, Nove Mil Dias e uma Só Noite não foi uma estreia perfeita mas contém uma promessa que nenhum leitor poderá ignorar. 

2 comentários:

  1. Olá =)

    Gostava muito de ler este livro, mas estou na dúvida. Gostei muito de ler a tua opinião, pois assim posso decidir de modo mais refletido! Ainda não tinha lido nenhuma opinião e a tua está muito boa.

    Bjs e boas leituras =)

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    Respostas
    1. Olá Maria!

      Obrigada e espero que a opinião te tenha elucidado e a decidir =)

      beijinhos e boas leituras

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