Título Original: Letters from Skye
Autor: Jessica Brockmole
Editora: Editorial Presença
Número de Páginas: 256
Sinopse
Março de 1912. A jovem poetisa Elspeth Dunn nunca saiu da remota ilha escocesa de Skye, onde vive, e é com grande surpresa que recebe a primeira carta de um admirador do outro lado do Atlântico. É o início de uma intensa troca de correspondência que culminará num grande amor. Subitamente, a Europa vê-se envolvida numa Guerra Mundial, e o curso normal das vidas é abruptamente interrompido. Junho de 1940. O Velho Continente vive mais uma vez o tormento de um conflito mundial e uma nova troca epistolar incendeia os corações de dois amantes, desta vez o de Margareth, filha de Elspeth, e o do jovem piloto da Royal Air Force por quem se apaixonou. Cheio de glamour e de pormenores de época, este romance faz a ponte entre as vidas de duas gerações - os seus sonhos, as suas paixões e esperanças -, e é um testemunho do poder do amor sobre as maiores adversidades.
Opinião
Apaixonou-se por ficção histórica desde que teve idade
suficiente para continuar a ler os livros de Laura Ingalls Wilder depois da
hora de dormir e agora escreve as suas próprias histórias. Norte-americana,
viveu na Escócia e Nove Mil Dias e uma só
Noite é o seu livro de estreia. Foi publicado o ano passado e está
traduzido para nove línguas.
Desde que foi publicado que este livro não me saía do
pensamento, por isso, foi com alguma satisfação que finalmente lhe peguei e me
deixei embrenhar por esta leitura tão delicada e emocional. Jessica Brockmole
traz-nos, em forma de cartas, um romance belamente escrito que, apesar de se
passar em tempos de guerra, acaba por se dedicar mais à relação de dois seres
humanos que, de mundos diferentes mas com gostos parecidos, se apaixonam pela
alma um do outro antes de verem os respectivos sorrisos, do que à destruição e
mudança que o mundo à sua volta sofria. Nove
Mil Dias e uma Só Noite não é, assim, uma história de guerra, mas uma
história de amor que sobrevive a todas as adversidades.
Não é fácil transmitir sentimentos, acções ou o que seja, em
estilo epistolar, mas Jessica consegue-o com relativo sucesso, num dos casos, contando-nos
uma história que nem o tempo nem a guerra consegue destruir, uma história real,
cheia de erros humanos e longe do arrebatamento das paixões ilusórias, que nos
permite viver e acreditar neste amor, feito de palavras, momentos e
sacrifícios. Cada carta de Elspeth e David é um hino à amizade, à aceitação, ao
encontro das almas gémeas, cheias de sentimentos que transbordam das páginas
fluidamente e que nos arrebatam, nos fazem torcer por este amor feito de proibido
e palavras, até ao fim, tão doce e cheio de esperança.
Contudo, este livro acabou por não corresponder às altas
expectativas que lhe tinha conferido. Alguns pormenores fizeram com que esta
não fosse uma leitura tão adorada quanto queria ou esperava, a começar pela
história secundária, a da filha de Elspeth, Margaret, que me foi um tanto
indiferente e, mesmo tendo influência na história principal, para mim não
trouxe nada de novo, já que a sua própria relação romântica careceu da
intensidade da do outro casal, sendo mais uma quebra na narrativa do que outra
coisa, pois só me apetecia despachar os seus capítulos para chegar aos de
Elspeth. Outra coisa que me fez alguma confusão foi o tamanho do livro, ou
melhor, das cartas, que para correspondência trocada em tempos de guerra e numa
altura em que era o maior meio de comunicação e cuja demora a chegar ao destino
era imensa e improvável, são demasiado curtas e por vezes sucintas. Não me
parece verosímil que alguém enviasse uma carta com três palavras da Escócia
para a América em 1914. Teria sido preferível a autora escrever algo maior ou
evitar este tipo de situações.
Já situar o romance em ambas as guerras mundiais pareceu-me
mais uma questão de chamar a atenção que outra coisa, visto que esta é uma
história que se poderia ter passado noutra época ou guerra pois poucos são os
pormenores históricos. Eu sei que o livro está em forma epistolar, mas se as
cartas fossem maiores a autora poderia ter dado um maior enquadramento de época
ou geografia ao leitor, pois não teria feito mal nenhum e teria retirado esta
sensação de que me faltou algo.
Quanto às personagens, sinto-me dividida. Adorei David, pela
sua personalidade marcante, pelos seus gestos tanto como adorei Elspeth pela
sua singularidade. Juntos, formam um casal que merecia mais páginas e um maior
cuidado, senão um pouco mais de dedicação à sua bela história. Já Margaret e
Paul, foram-me, tal como a sua história, indiferentes. Gostava de ter conhecido
mais de Harry ou Finlay, duas personagens que a autora poderia ter incluído mais
na narrativa.
Demasiado curto para todas as emoções que acarreta, Nove Mil Dias e uma Só Noite não foi uma
estreia perfeita mas contém uma promessa que nenhum leitor poderá ignorar.


Olá =)
ResponderEliminarGostava muito de ler este livro, mas estou na dúvida. Gostei muito de ler a tua opinião, pois assim posso decidir de modo mais refletido! Ainda não tinha lido nenhuma opinião e a tua está muito boa.
Bjs e boas leituras =)
Olá Maria!
EliminarObrigada e espero que a opinião te tenha elucidado e a decidir =)
beijinhos e boas leituras