segunda-feira, 14 de abril de 2014

Opinião - Convergente

Título Original: Allegiant (#3 Divergente)
Autor: Veronica Roth
Editora: Porto Editora
Número de Páginas: 416


Sinopse
A sociedade de fações em que Tris Prior acreditava está destruída – dilacerada por atos de violência e lutas de poder, e marcada para sempre pela perda e pela traição. Assim, quando lhe é oferecida a oportunidade de explorar o mundo para além dos limites que conhece, Tris aceita o desafio. Talvez ela e Tobias possam encontrar, do outro lado da barreira, uma vida mais simples, livre de mentiras complicadas, lealdades confusas e memórias dolorosas. Mas a nova realidade de Tris é ainda mais assustadora do que a que deixou para trás. As descobertas recentes revelam-se vazias de sentido, e a angústia que geram altera as vontades daqueles que mais ama. Uma vez mais, Tris tem de lutar para compreender as complexidades da natureza humana ao mesmo tempo que enfrenta escolhas impossíveis de coragem, lealdade, sacrifício e amor. Convergente encerra de forma poderosa a série que cativou milhões de leitores, revelando os segredos do universo Divergente.


Opinião
  Aos 21 anos, Veronica Roth casou e iniciou não só uma viagem pela aventura que é o casamento como também a da publicação, já que no mesmo ano publicou o seu primeiro livro, Divergente, um dos maiores sucessos literários da década. Escrito na vez dos trabalhos de casa, valeu a autora o título de Autora do Ano pelos leitores do Goodreads de 2013 enquanto os três livros da trilogia foram, seguidamente, escolhidos como melhores livros YA de fantasia e ficção científica.

  Convergente é, talvez, o final mais polémico de sempre numa trilogia. Ou pelo menos, aquele que mais escândalo provocou pela Internet fora. Final de uma das trilogias mais adoradas da actualidade, conseguiu, mesmo com as opiniões negativas e a revolta dos fãs, afirmar-se como o melhor do seu género graças aos votos dos leitores. Publicado em Outubro do ano passado, está traduzido para vinte línguas. A adaptação cinematográfica já estreou em todo o mundo.

  Depois de meses a fugir dos spoilers e das opiniões, foi a tremer como varas verdes que peguei neste livro enquanto uma sensação de pânico me assolava. Será que as minhas expectativas sairiam goradas? Será que afinal a autora tinha feito mesmo asneira? A verdade é que, depois de começar, todos os medos se dissiparam e hoje é com um novo respeito que olho para Veronica Roth. Especialista a colocar-se em situações espinhosas e a sair delas como uma senhora, a jovem autora atirou-se sem medos e deu-nos, não um final que agradasse, mas o final perfeito para a sua história, um final que faz todo o sentido e que, por mais que doa, nos deixa com uma sensação de trabalho cumprido. Depois de nos ter arrebatado, arrasado e surpreendido com a sua sociedade distópica brilhantemente construída, com as suas personagens memoráveis e a sua forma de nos demonstrar o pior e o melhor da Humanidade através de escolhas difíceis, seria uma desilusão terminar esta aventura sem o mesmo espírito divergente com que nos apaixonou.

  Levando a história por um percurso completamente novo, Veronica surpreendeu e voltou a demonstrar a ousadia e inteligência que a caracteriza desde o início. Num meio desconhecido, novos desafios são colocados, questões regressam, sacrifícios têm de ser feitos e, mais uma vez, nos apercebemos das fragilidades e das forças que tornam cada personagem aquilo que são. Os valores são questionados, queimados, renascidos, das questões pertinentes, dos vários lados e vertentes, mas a natureza humana nunca pode ser apagada, desfeita, melhorada. Somos quem somos, mesmo que debatamos indefinidamente o quão melhores poderíamos ser. Convergente é isto.  Uma luta entre dever e querer, moral e ética, entre o bom e o mau, o certo e o errado, e a prova, que sejam quais forem os fins, estes não justificam os meios. Demonstra alguma desilusão para com a Humanidade mas também um conhecimento que alguns nunca adquirem.

  Valerá a pena sacrificarmo-nos por amor? Valerá a pena perdermos a vida por algo mais elevado? Valerá a pena chegar ao fim do caminho? Às vezes vale, às vezes é preciso apercebermo-nos do poder dos actos, dos ensinamentos, dos valores. É preciso crescermos, aceitarmo-nos a nós mesmos para sabermos do quanto somos capazes e, principalmente, percebermos que quem vive intensamente, quem crê piamente, quem vive o momento e toma as decisões que têm de ser tomadas, nunca é egoísta, nunca, nem mesmo nos momentos mais impulsivos, descura o valor das perdas, não teme a vida e a morte e, muito menos, foge da última. E é por isso que, por mais que doa, sinto um orgulho imenso de quem se sacrifica, porque demonstra que, com cada experiência, foi capaz de se tornar um ser heroico, um líder, uma chama que arde com toda a força. Obrigada, pela tua força e exemplo e, por no final, teres sido quem eu queria que fosses.

  Habituados a estereótipos, os homens tentam conquistar a liberdade, a escolha mas, a verdade, é que haverá sempre um nome a dar as coisas, haverá sempre um sistema a dividir-nos, uns com mais poder, outros mais insignificantes. Podemos fugir das facções, podemos fugir das mentiras, podemos fugir da tirania, mas haverá sempre, sempre, algo que nos controla e será sempre imperfeito pois a vida é um ciclo, uns acabam, outros começam, todos os sistemas têm o seu auge e o seu fim e nunca poderemos agradar a toda a gente. Podemos sim, tentar ser melhores, viver a vida o melhor possível e habituarmo-nos às perdas, às memórias, ao futuro incerto enquanto lutámos todos os dias para não cair na decadência.


  Um dos melhores finais que alguma vez li, Convergente é um misto de dor, de desilusão mas também de gloriosa esperança, aquela que nos faz arriscar tudo e compreender os sacrifícios. Ainda bem Veronica que seguiste o teu interior e não as ideias do mundo à parte. Não me desiludiste, magoaste-me, mas também me tornaste mais forte.


As minhas Opiniões da Trilogia

3 comentários:

  1. Cada vez mais ansiosa por ler este livrinho...

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  2. Acabei de lê-lo hoje, e sinceramente nem sei o que pensar. Se não fosse aquele final teria sido perfeito. :(
    Ana

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  3. o livro foi perfeito.. mais acho o que o final não precisava ser uma tragedia

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