segunda-feira, 7 de abril de 2014

Opinião - Dias de Esplendor, Dias de Sofrimento

Título Original: Days of Splendor, Days of Sorrow (#2 Transformar-se em Maria Antonieta)
Autor: Juliet Grey
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 328


Sinopse
Paris 1774.
Na tenra idade de dezoito anos, Maria Antonieta ascende ao trono francês ao lado do marido, Luís XVI. Mas por detrás da extravagância da jovem rainha, com vestidos de seda elaborados e vertiginosos penteados, escondem-se medos profundos em relação ao seu futuro e ao da dinastia Bourbon.
Das dores do casamento à alegria de conceber uma criança, da paixão por um militar sueco, Axel von Fersen, ao devastador Caso do Colar de Diamantes, Maria Antonieta tenta elevar-se acima dos boatos e rivalidades do seu círculo. Mas a revolução floresce na América e uma ameaça muito maior paira junto dos portões dourados de Versalhes, que pode afastar a monarquia francesa para sempre.

Opinião
  Escritora especializada em realeza, Juliet Grey divide o tempo entre a escrita e decorar textos para aos inúmeros papéis que representa enquanto actriz de teatro clássico, sejam virgens, feiticeiras ou vilãs. Apaixonada pela vida da última rainha de França, Maria Antonieta, não é de espantar que seja sobre ela a sua primeira trilogia, que iniciou em 2011. Vive entre Nova Iorque e Washington D.C..

  Dias de Esplendor, Dias de Sofrimento é o segundo volume da trilogia e foi publicado em 2012 e está traduzido para três línguas.

  Depois dos sonhos vem a desilusão. Depois da bonança vem a tempestade. Depois da conquista vem a destruição. Apesar de sabermos que a tragédia é inevitável, apesar de sabermos que não haverá final feliz, apesar de sabermos que o destino está traçado, é difícil não nos deixarmos embalar pela vida de Maria Antonieta pela voz soberba e deliciosa de Juliet Grey, que num relato cativante, consegue transportar-nos para a França tumultuosa e luxuosa do século XVIII e para a vida da ingénua, escandalosa e controversa última rainha de uma das maiores monarquias europeias. Depois de um primeiro volume envolvente e rico quer em detalhes quer em narrativa, heis que chegámos àquele em que os dias de glória chegam e que a revolta desfará sem piedade. Dias de Esplendor, Dias de Sofrimento leva-nos pelos melhores e piores dias de Maria Antonieta, uma das rainhas mais odiadas e incompreendidas da História.

  Das paixões às modas, do desejado delfim à revolução, das conquistas as perdas, este é um relato requintado, extravagante e ricamente detalhado do reinado de Maria Antonieta. Enquanto observámos o panorama social, politico e económico da França tingir-se do vermelho da fúria, da revolta, da fome e do ódio, vemos também as flores-de-lis brilharem no seu mais puro dourado e debruadas do rosa de uma rainha jovem, ingénua e influenciável, que escondia os seus desgostos e falta de carinho em vestidos exagerados e penteados assoberbados. Do dia da sua subida ao trono à queda trágica, vemos a menina crescer de delfina a procura de aceitação a rainha que dita as regras, assistimos à sua dor disfarçada de orgulho, às suas amizades dedicadas mas infelizes de escolha, às suas tentativas de fidelidade e amor, num desenrolar de pequenas vitórias, deslizes e derrotas, que fizeram a sua vida brilhar de esplendor até ao sofrimento que haveria de tomar tudo o que conhecia.

  Sem esquecer a volatilidade de uma corte que não podia ser desprezada, de um povo quebrado e de uma família que se achava divina, a autora enriquece a trama com deliciosos pormenores sobre a rotina dos Bourbon e da mais luxuosa corte europeia, desde os detalhes dos vestidos e adornos, à espectacularidade dos palácios, das escandalosas festas aos rituais rígidos da realeza, passando pelos escândalos que levaram à queda e às pequenas alegrias que não serviram de salvação. Com notável cuidado, Juliet dá nos um retrato mortal e imperfeito desta rainha, que tanto tentou adornar uma vida de infelicidade, mostrando-nos as várias fases da sua vida, as suas tentativas de mudar e crescer, a sua relação com o marido, Luís XVI, o seu amor platónico (ou não) pelo oficial sueco, a passagem de menina e delfina a mulher e rainha, o seu papel de filha, esposa e mãe, sempre influenciada, sempre atacada, sempre desprezada, quer pela família, quer pelos amigos, quer pelo povo.

  Com uma vida que deslumbrou meio mundo por séculos, Maria Antonieta tem aqui, a sua representação mais humana, sem julgamentos nem defesas muito menos, mas uma tentativa para que a possamos compreender, por trás dos luxos, escândalos e atitude fria. Sem esconder os seus defeitos e muitas falhas, esta narrativa apresenta-nos também o que poucos quiseram ver ou compreender acerca da pequena austríaca, que demasiado ingénua, sonhadora e frívola, nunca esteve à altura do peso da responsabilidade que lhe incumbiram. Sem exceder-se, a autora tem um cuidado notável para com os acontecimentos históricos mas, também, em não arranjar vilões nem fadas madrinhas, contando uma história por muitos conhecida, de uma forma impecável, cheia de emoções e mortalidade.


  Seguindo a tradição de Transformar-se em Maria Antonieta, este segundo volume é um regalo para os olhos e uma tentação para todos os que não resistem a uma tragédia antecedida de escândalos e esplendor. Mais uma vez, Juliet Grey afirma-se como uma autora e, só espero, não ter de esperar muito mais pelo final grandioso desta trilogia.


As minhas Opiniões da Trilogia

1 comentário:

  1. Olá! Passei pelo blog e gostei muito e já estou a seguir! Comecei o meu blog agora recentemente e gostaria muito se pudesses passar por lá e talvez seguir! Ainda está no ínicio mas vai crescendo :)

    Este livro deve ser mesmo interessante pois a Maria Antonieta é na verdade a personagem histórica que eu mais gosto!!
    XO, johnsreportblog.blogspot.com

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