sábado, 26 de abril de 2014

Opinião - Prized

Título Original: Prized (#2 Birthmarked)
Autor: Caragh M. O'Brien
Editora: Roaring Brook Press
Número de Páginas: 264



Sinopse
Striking out into the wasteland with nothing but her baby sister, a handful of supplies, and a rumor to guide her, sixteen-year-old midwife Gaia Stone survives only to be captured by the people of Sylum, a dystopian society where women rule the men who drastically outnumber them, and a kiss is a crime. In order to see her sister again, Gaia must submit to their strict social code, but how can she deny her sense of justice, her curiosity, and everything in her heart that makes her whole?



Opinião
  Depois de uma viagem pelos Estados Unidos a ter feito pensar nas alterações climáticas e, consequentemente, politicas e sociais que o nosso mundo está e irá continuar a sofrer, Caragh começou a escrever uma história e em 2010 abandonou o trabalho de professora para se dedicar a ela a tempo inteiro.

  Essa história seria Birthmarked, o primeiro livro da sua trilogia distópica dedicada à genética. Prized é a continuação, publicada em 2011. Ganhou um prémio e está traduzido para seis línguas.

  Depois de um primeiro volume viciante mas, em qualidade, apenas satisfatório, com algumas falhas que provocavam alguma comichão no leitor, não eram muitas as expectativas para este Prized mas, a verdade é que, contrariando a tradição de um segundo livro mais fraco, este acabou por se revelar muito superior ao seu antecessor. Caragh M. O’Brien conseguiu superar os problemas de Birthmarked e, desta vez, criar uma narrativa, que apesar de não ser perfeita, mostra a capacidade da autora em criar sociedades plenas de realismo e em compreender as relações humanas, principalmente, entre homens e mulheres. Talvez das distopias mais interessantes que já li, Prized continua a história de Birthmarked mas de uma maneira melhorada e mais excitante.

  Mais uma vez, temos uma sociedade distópica cuja base e problemática é a genética e reprodução, que são afectadas pelo ambiente e local em que a sociedade reside e pelas drogas que tomam, provocando graves problemas no desenvolvimento dos fetos e, consequentemente na sociedade, bem como, de alguma forma, enclausura os habitantes de Sylum dentro dos seus limites. Nota-se o cuidado e estudo da autora em cada pormenor e como tentou manter as coisas simples mas de forma que fizessem sentido para um leitor não habituado a estes temas.

  Para além disso, apostou numa sociedade matriarcal muito própria, em que as mulheres mandam e os homens são submissos e, ao mesmo tempo, as mulheres são rebaixadas ao seu papel mais baixo, o de esposa e mãe, enquanto os homens podem em determinadas ocasiões exercer os seus direitos sobre eles e, em caso de uma gravidez fora do casamento, é a mulher, apesar do seu papel precioso, a ser punida. A forma como a autora estruturou esta sociedade, usando para criar as leis coisas simples como o toque, demonstra a sua profunda compreensão das relações e emoções entre homens e mulheres, tornando esta sociedade uma pequena delicia em termos sociais e comportamentais.

  Em termos de enredo, a história tem mais pontos altos e mais situações de tensão que o livro anterior, o que o torna de imediato mais viciante, apesar de Birthmarked ter o mesmo passo rápido de leitura. As questões morais que são levantadas ao longo da narrativa servem para o leitor tentar compreender a situação e posição das personagens e deixam-nos a pensar no que faríamos no seu lugar, enquanto nos envolvem ainda mais na história. Para mim, a única falha ainda visível neste livro é a forma como a autora às vezes não consegue lidar com as dúvidas das personagens e as suas relações e, em casos de morte, ir sempre pelo mesmo caminho. Mas, no global, são falhas a que conseguimos fechar um bocadinho os olhos.

  Quanto às personagens, a Gaia tanto consegue irritar-me como estou a louvá-la no minuto a seguir, isto porque ela segue muito a consciência por um lado, e tenta sempre practicar o bem e facilitar as coisas com muita calma mas tem uma tendência nata para se revoltar nos piores momentos e perder a coragem nos que não devia. Gaia, eu preciso que acertes o timing! Já o Leon, consigo compreender na perfeição o seu estado de espírito neste livro, já que passou por muita coisa e a Gaia não facilita. Falta de timing lá está. Mas ele continua a ser a minha personagem preferida. Moço, estou a torcer por ti! Já o pessoal de Sylum, gostei muito das libbies e da Peony, tenho uma relação estranha com a Matriarca e estou dividida quanto aos irmãos Chardo. Sim, o Peter é um idiota e o Will é um querido… mas não é o Leon.


  Numa perspectiva e temática diferente, Prized é uma continuação genial de um livro mediano que merecia uma maior atenção dos leitores, nem que seja pelos seus temas e por este segundo livro.


As minhas Opiniões da trilogia

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