sexta-feira, 16 de maio de 2014

Opinião - A Amante do Papa

Título Original: The Scarlet Contessa
Autor: Jeanne Kalogridis
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 464


Sinopse
Filha do duque de Milão e mulher do conde Girolamo Riario, Catarina Sforza foi a guerreira mais corajosa do Renascimento italiano. Governou os seus territórios, travou as suas lutas e teve sempre os amantes que lhe apeteceu, sem consequências até ter um caso com Rodrigo Bórgia. A sua história notável é contada pela dama de companhia, Dea, uma mulher conhecida por ler as cartas de sorte. Enquanto Dea tenta descobrir a verdade sobre o assassínio do marido, Catarina, sozinha, rechaça os invasores que tentarão roubar-lhe o título e as terras.
No entanto, Dea lê as cartas e estas revelam que Catarina não pode fazer frente a um terceiro e último invasor: César Bórgia, filho do corrupto papa Alexandre VI, que tem umas velhas contas a ajustar com Catarina. Encurralada na fortaleza de Ravaldino enquanto os canhões de Bórgia atingem as muralhas, Dea passa em revista o passado escandaloso e os combates de Catarina para compreender o destino de ambas, e Catarina tenta corajosamente aniquilar o exército inexpugnável de Bórgia.


Opinião
  Jeanne nasceu na Florida em Dezembro de 1954, e desde aí que adora livros. Estudou Russo e Microbiologia, e depois foi secretária dois anos, acabando por regressar aos estudos, onde se formou ainda em Linguística e Linguística Computacional, esta última apenas por diversão. Durante oito anos foi professora de Inglês na universidade até desistir para se dedicar à escrita a tempo inteiro.

  Publicou o seu primeiro livro em 1994, e é mais conhecida pelos seus romances históricos e fantásticos, tendo já publicado dez livros nessa categoria mas também na ficção científica já que escreveu Star Trek sob o pseudónimo J.M. Dillard.

  A Amante do Papa foi publicado em 2010 e está traduzido para português, italiano e russo.
Jeanne Kalogridis é daquelas autoras que nos espantam, pois são capazes de nos envolver em tramas ricas em detalhes, cuidadosamente escritas e estudadamente belas, de tal forma, que não podemos fazer mais do que admirá-la e deixar-nos arrebatar pelas suas palavras. Mas, também é uma daquelas autoras com um potencial imenso que não é aproveitado no seu máximo. A Amante do Papa é mais uma prova disso. Uma leitura rica e poderosa que poderia ser muito melhor, não fosse uma tendência natural da autora de sair da ficção histórica para o esotérico, tendência essa que a meu ver não ajuda, antes pelo contrário. Por isso, apesar de todo o potencial, este livro fica um passo de ser uma das grandes obras de excelência neste género.

  Em plena época das artes e das mentalidades, no belo e brilhante Renascimento, mulheres tiveram vidas lendárias, e a sua fama caminhou lado a lado com a vida dos homens que as conheceram. Entre elas, Catarina Sforza, a guerreira, a inimiga dos Bórgia, a bela, independente e mordaz condessa que não se ajoelhou perante ninguém. É sobre ela esta história, desde a sua infância à queda de Rivaldino às mãos de César Bórgia, pela voz de uma personagem fictícia que acompanha Catarina de perto durante toda a sua vida. Recontando os momentos mais importantes da vida desta mulher, para sempre ligada aos papas e às grandes famílias da sua época, a narrativa apresenta-nos esta mulher, através dos factos e dos mitos, e a sua transformação ao longo da vida, causada quer pelos homens que amou ou odiou, pelo seu amor ao poder ou pela sua mordacidade, sinceridade e inteligência.

  Numa trama cuidada e requintada, a autora consegue apresentar-nos uma Catarina tão mítica quanto real, conseguindo um equilíbrio perfeito entre ambos. É ela que brilha durante toda a narrativa, com a sua complexidade, a sua personalidade forte, a sua incapacidade de ser apenas o querem que seja. A sua caracterização é o ponto alto desta história, o que me fez ter imensa pena da autora não lhe dar mais destaque como ela merecia. O cuidado da autora nos detalhes, não só factuais, como locais e descrição física, tornam este livro um quadro riquíssimo, não só de uma mulher, como de uma época e de todos aqueles que a conheceram. Infelizmente, a autora perdeu algum tempo a acrescentar algum esoterismo fantasioso, que quanto a mim, apenas tira mérito à trama.

  A presença do tarot, ou cartas de sorte, não me fez confusão, fez-me sim, a importância e a dimensão fantasiosa que a autora deu a alguns acontecimentos e personagens, criando uma situação que além de não ter trazido nada para a história, apenas a empatou e quebrou o ritmo da narrativa. Penso que a autora tinha um livro extremamente bom e o estragou um pouco com isso.

  As personagens, tal como todo o enredo, são fortemente caracterizadas, sendo cada uma delas devidamente apresentadas e com a respectiva importância para a história. A autora decidiu não alterar em demasia aquilo que a História nos conta sobre elas, por isso, conseguimos facilmente identificar a personagem do livro com a figura real. A única personagem que me incomodou, foi a narradora, Dea, por parecer demasiado perfeita e boazinha, e também, por ocupar demasiado tempo de atena.


  A Amante do Papa é um misto de coisas boas e outras menos boas, mas não deixa de ser uma leitura agradável. Espero um dia, poder ler um livro desta autora com todo o seu potencial. Ainda não perdi a esperança em ti Jeanne!

2 comentários:

  1. Este não é, de todo, o meu estilo de livro, mas tenho-o visto tanto na blogosfera literária que fiquei curiosa. No meu entender, não há mal em fantasiar um pouco, mesmo em romances históricos, desde que isso sirva para para tornar a história mais interessante - o que não parece ser o caso.

    Uma das partes mais importantes da escrita é saber o que cortar, pode ser que a autora o faça de uma forma mais adequada no próximo livro :)

    Bárbara
    http://bloguinhasparadise.blogspot.pt/

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    1. O problema Bárbara, não é ela fantasiar nos factos. É mesmo acrescentar algo de fantasia, neste caso New Age estranho, nos livros =s E atenção, eu adoro Fantasia enquanto género! Mas neste tipo de livros faz-me confusão, porque não percebo o porquê de então não escreverem uma fantasia histórica em vez de ficção histórica. Parece-me que enganar um bocadinho o leitor...

      Espero que sim, até porque ela tem uma escrita maravilhosa =)

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