domingo, 4 de maio de 2014

Opinião - The Devil in the Corner

Título Original: The Devil in the Corner
Autor: Patricia Elliott
Editora: Hachette Children's Books
Número de Páginas: 400


Sinopse
Penniless, and escaping the horrors of life as a governess to brutal households, Maud seeks refuge with the cousin-by-marriage she never knew. But Juliana quashes Maud's emerging friendships with the staff and locals - especially John, the artist commissioned to restore the sinister Doom in the local church. John, however, is smitten with Maud and makes every effort to woo her.

Maud, isolated and thwarted at every turn, continues to take the laudanum which was her only solace in London. Soon she becomes dependent on the drug - so is this the cause of her fresh anxieties? Or is someone - or something - plotting her demise?

Is the devil in the corner of the Doom a reality, or a figment of her imagination?



Opinião
  Nasceu em Londres mas cresceu entre a Europa e o Extremo Oriente, em países como Singapura e Malásia. Começou a escrever aos seis e o seu primeiro livro (de cinco orgulhosas páginas) foi como treinar o seu novo cão. Mais tarde, trabalhou no ramo editorial londrino e numa livraria para crianças em Nova Iorque e hoje, para além de escritora, dá Literatura Infantil num curso de educação. Regressou a Londres.

  Patricia Elliott publicou o seu primeiro livro em 2002 mas já tinha ingressado na escrita em dois projectos anteriores. Tem oito livros publicados, sendo o mais recente, The Devil in the Corner, publicado este ano.

  Uma mansão sombria, uma jovem assombrada pelo passado e um quadro secular são os ingredientes para esta trama que pretendia envolver-nos em mistério e espelhos. Com uma escrita intrigante e envolvente, Patricia Elliott poderia ter tornado The Devil in the Corner numa novela gótica que se destacasse e, até meio da narrativa, quase que o conseguiu. O que começa como um intricado puzzle de segredos obscuros, obsessões e vingança, arrepiante e sedutor, termina morno e sem graça, muito por culpa da extensão da narrativa e da incapacidade da autora de usar as peças que tinha de uma forma inteligente.

  Inicialmente, este livro prendia-nos pelas pistas assustadoras que deixava no ar, pelo medo e tensão que marcavam a narrativa, pelo horror que se sentia nas entrelinhas. Imaginava-se uma história onde não havia santos nem heróis mas apenas vilões, loucos e insanos, marcados pelo passado, cheios de cicatrizes provocadas pelas perdas e dores, corroídos de inveja e sedentos de vingança, dominados por algo que existe apenas dentro deles próprios. Num ambiente obscuro e demente, adivinhava-se uma história de arrepiar que começou a tomar forma, pacientemente, sedutoramente, até que se esfumou sem razão.

  A meio da narrativa, a autora perdeu o rumo da história e a partir daí o leitor é deixado à deriva num enredo estagnado e mal construído. As várias pistas deixadas nas entrelinhas nunca são explicadas, sem razão aparente, e somos deixados com uma série de acontecimentos sem motivo que levam a um final desmotivante e sem graça. Faltou organização, mas, mais do que isso, faltou saber usar as peças que tão brilhantemente no início, a autora havia disposto. O romance insonso domina a narrativa, quando poderia até nem ter existido, os crimes são inexplicáveis e as personagens sofrem mudanças tão bruscas que se tornam outras completamente diferentes.

  Do conjunto de personagens sem graça, destacava-se a protagonista, Maud, que no início nos cativava pelo seu ar de menina assombrada e levemente alucinada que, lentamente, deveria ter-se tornado uma personagem psicótica e brilhante mas que acabou por ser completamente estragada pela autora que conseguiu mudá-la de tal maneira que de repente a Maud já não era a Maud. Edie poderia tê-la substituído se, mais uma vez, a autora soubesse como a levar do ponto A ao ponto B mas isso nunca aconteceu.


  Uma história desperdiçada, The Devil in the Corner é um fantasma cinzento e translúcido do que poderia ter sido um monstro de loucura e beleza. Infelizmente não o é e a sensação de tristeza e aborrecimento que nos invade quando o terminámos.

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