segunda-feira, 19 de maio de 2014

Opinião - Promised

Título Original: Promised (#3 Birthmarked)
Autor: Caragh M. O'Brien
Editora: Roaring Brook Press
Número de Páginas: 217


Sinopse
After defying the ruthless Enclave, surviving the wasteland, and upending the rigid matriarchy of Sylum, Gaia Stone now faces her biggest challenge ever. She must lead the people of Sylum back to the Enclave and persuade the Protectorat to grant them refuge from the wasteland. In Gaia's absence, the Enclave has grown more cruel, more desperate to experiment on mothers from outside the wall, and now the stakes of cooperating or rebelling have never been higher. Is Gaia ready, as a leader, to sacrifice what--or whom--she loves most?


Opinião
   Depois de uma viagem pelos Estados Unidos a ter feito pensar nas alterações climáticas e, consequentemente, políticas e sociais que o nosso mundo está e irá continuar a sofrer, Caragh começou a escrever uma história e em 2010 abandonou o trabalho de professora para se dedicar a ela a tempo inteiro.

  Essa história seria Birthmarked, o primeiro livro da sua trilogia distópica dedicada à genética, cujo final, Promised, foi publicado em 2012, nomeado para dois prémios e está traduzido para três línguas.

   Depois de um glorioso Prized, este terceiro volume prometia uma maior evolução e desafio por parte da narrativa, terminando em beleza uma trilogia que apesar de mediana, vinha a ganhar qualidade de livro para livro. Mas Caragh M. O’Brien voltou a ter problemas e, infelizmente, Promised retrocedeu para o mesmo caminho de Birthmarked, sendo estrangulado pelas mesmas falhas que o primeiro volume. Espantosamente, a autora conseguiu de novo aquele mistério que ficará por resolver com esta trilogia. O facto de, apesar de ser mediana em qualidade, de nunca o seu potencial ser devidamente utilizado ser, contudo, uma história viciante a que o leitor se agarra como se não houvesse amanhã. Isso é algo que não se pode retirar a esta autora e é isso (e o segundo volume da trilogia) que cimenta a minha esperança nela.

  Concentrando-se mais uma vez na genética, a autora volta a cativar-nos com o seu conhecimento sobre o ADN, utilizando os seus problemas de forma brilhante na construção da história, o que, para mim, é o grande ponto desta história. Neste volume, a autora decidiu enveredar pela questão das barrigas de aluguer e no tratamento da hemofilia, mas de alguma forma acabou por tratar o assunto de uma forma mais subtil e menos conscienciosa do que havia feito nos restantes livros. Somos apresentados a esta nova realidade de uma forma linear, nunca conhecendo todas as vertentes nem a total dimensão desta escolha. Uma pena, já que estas questões haviam sido a melhor e mais complexa parte da sua trilogia.

   Ao regressar à primeira sociedade que nos apresentou, o Enclave, a autora acabou por levar a história e as suas personagens a um retrocesso. Seria de esperar que, com a experiência, a idade e o tempo, as personagens pesassem melhor as suas decisões e actos a longo prazo, demonstrando o crescimento psicológico que tiveram no volume anterior mas, infelizmente, parece que isso se lhes apagou da memória, provocando uma sequência de decisões irracionais e ridículas que os levaram a um ponto sem saída. Mesmo em termos de moral, esta funciona apenas na teoria. Na práctica, parece que há uma política de olho por olho, dente por dente, enquanto parece existir ainda, espantosamente, uma aura de ingenuidade e inexperiência em volta de todos.

   Resulta disto, uma narrativa que, apesar de emocionante em termos de acção, afinal tudo acontece ao longo deste livro e, principalmente nos últimos capítulos, acaba por andar sempre à volta do mesmo. Se alguns momentos conseguem apresentar tensão e emoção, despertando o leitor completamente para o que está a acontecer perante os seus olhos, outros momentos há em que só nos perguntámos o que raio se passará na cabeça deles. Mesmo assim, como já havia dito, há algo de viciante na história de Caragh, e ao fim de três livros o motivo continua a ser um mistério para mim. 

   Gaia, a protagonista, é a principal razão para me apetecer bater com a cabeça na parede. Apesar do seu coração gigante, a moça é tão parvinha que só me apetece perguntar-lhe o que lhe aconteceu aos neurónios. Ela não aprende, ela continua sem ver o que se passa à sua frente, ela tenta mas não consegue ser uma líder, nem é material para o ser. Reside nela a maior fraqueza de Birthmarked. Contudo, já Leon, o par de Gaia, é talvez das minhas personagens distópicas masculinas preferidas, não só pela sua complexidade, como pela dualidade perfeita entre certo e errado que a autora lhe conseguiu incutir. Os melhores e mais emocionantes momentos deste livro deveram-se em exclusivo a ele e, se Gaia é a falha desta história, Leon é o seu maior trunfo. Quanto às personagens secundárias, noto uma clara melhoria na capacidade da autora para desenvolvê-las. Entre novas personagens, personagens do primeiro livro e personagens do segundo livro, a autora conseguiu um elenco vasto e conciso, ao qual só gostava que ela tivesse dado mais atenção.


   Uma promessa que não se cumpriu, Promised é um final morno e feliz de uma trilogia que nunca viu todo o seu potencial aproveitado e que se deixou derrapar um bocadinho neste último livro.


As minhas Opiniões da trilogia

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