domingo, 29 de junho de 2014

Opinião - A Minha Outra Metade

Título Original: For Once im My Life
Autor: Marianne Kavanagh
Editora: Topseller
Número de Páginas: 304


Sinopse
Esta é Tess. Uma rapariga jovem, obcecada por roupas vintage, presa a um trabalho que detesta. Ainda assim, tem como namorado desde a faculdade Dominic, um belo contabilista, e tem um apartamento fantástico que partilha com a sua melhor amiga, Kirsty.
Mas se a sua vida pessoal corre tão bem assim, porque é que se sente destroçada sempre que lhe perguntam pelo futuro?

Este é o George. Um músico de jazz brilhante que passa quase tanto tempo a apaziguar as brigas entre os membros conflituosos da sua banda, como passa a preocupar-se com o seu pai enfermo, e a tentar alcançar as muito altas expetativas da sua namorada corretora. Para um tipo que sempre acreditou no romance, o lado prático e deprimente da vida dos vinte e tais surgiu-lhe como um choque. Sempre à beira de chegar a algum lado melhor, ele procura algo mais… e alguém especial.

Tess e George podem muito bem ser as duas metades de algo perfeito e completo. Se ao menos os seus caminhos se cruzassem…

Siga Tess e George através de uma década de maus namoros, jantares e festas caóticas, aniversários mágicos, empregos sem-saída, relações desiguais, e muitos recomeços. A Minha Outra Metade é uma comédia moderna de costumes, de amizades e de desencontros deliciosamente inteligente.


Biografia
  Trabalhou nalgumas das revistas de maior renome da Grã-Bretanha, tendo sido a última, a Marie Claire onde foi vice-editora antes de abandonar o trabalho para estar mais tempo com a família. Desde aí é editora freelance e escritora, continuando a contribuir para revistas e jornais britânicos, e tem mesmo uma coluna semanal no site Parentdish.

  Primeiro livro de Marianne Kavanagh, A Minha Outra Metade foi publicado no início deste ano. Está traduzido para três línguas.


Opinião
  Almas gémeas e os encontros e desencontros do destino, é o mote para um romance do qual esperava muita doçura e romantismo, aliado a alguma excentricidade e diversão e, de facto, A Minha Outra Metade tem tudo isso, tendo sido uma leitura fluída e adorável, mas contudo, não foi o que esperava, tendo-me deixado, confesso, um pouco desiludida. Com uma escrita terna e divertida, aliada ao amor delicado de Tess e George, Marianne Kavanagh tinha tudo para agradar aos leitores mais sonhadores, só que isso acabou por não acontecer, resultando este livro numa história mais murcha e perdida do que se poderia pensar.

  Uma história de amor e desencontros que irá durar dez anos é o que nos promete a premissa deste livro, até aí tudo bem. O problema é que, Tess e George, apesar dos amigos em comum e de todos os eventos a que foram, nunca se encontraram, nunca se viram, nunca trocaram uma palavra. Nada. A narrativa divide-se assim, nas perspectivas de ambos, separados, nos seus problemas, relacionamentos, sonhos e amizades, perspectivas essas que nem abarcam esses dez anos de vida inteiramente, já que há anos que são saltados e outros em que se dá apenas um acontecimento, até que finalmente eles se conhecem e apaixonam-se instantaneamente. Ora, apesar de a leitura ser de facto agradável, o que acaba por acontecer é que, até ao momento do encontro, a narrativa é desequilibrada, tendo muitas quebras de ritmo, e acabando por não apaixonar o leitor, que mesmo depois do casal se conhecer, apesar de eles serem adoráveis e mesmo almas gémeas, não consegue dar-lhes credibilidade.

 Aliás, tenho a dizer que adorei a Tess e o George. São ambos apaixonados, doces, exuberantes e talentosos, mas acabam por se deixar arrastar pela vida, deixam os outros tomarem decisões por eles, não batalham, deixam de sonhar até, finalmente, darem de cara um com o outro. E isso, aliada à rapidez e superficialidade da narrativa a partir desse momento, é o que me enche de pena em relação a esta história porque eles tinham tudo para ser um casal fabuloso e isso perde-se algures. Já as personagens secundárias, um leque vasto e excêntrico de amigos e familiares, podiam ter sido tão mais interessantes se melhor desenvolvidas. O resultado é uma total falta de ligação do leitor à história e aos que lhe dão vida, pois não há nada que nos leve a importar-nos verdadeiramente.


  A Minha Outra Metade poderia ser um conto de fadas dos nossos tempos. Uma história de amor quase imortal, onde todos nós poderíamos reconhecer-nos, capaz de nos fazer sonhar. Mas acaba por ser um suspiro da linda história de amor que Marianne Kavanagh não soube embelezar.

Sem comentários:

Enviar um comentário