sábado, 28 de junho de 2014

Opinião - O Palácio da Meia-Noite

Título Original: El palacio de la medianoche (#2 Niebla)
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 280


Sinopse
No coração de Calcutá esconde-se um obscuro mistério....

Um comboio em chamas atravessa a cidade. Um espectro de fogo semeia o terror nas sombras da noite. Mas isso não é mais do que o princípio. Numa noite obscura, um tenente inglês luta para salvar a vida a dois bebés de uma ameaça impensável. Apesar das insuportáveis chuvas da monção e do terror que o assedia a cada esquina, o jovem britânico consegue pô-los a salvo, mas que preço irá pagar? A perda da sua vida. Anos mais tarde, na véspera de fazer dezasseis anos, Ben, Sheere e os amigos terão de enfrentar o mais terrível e mortífero mistério da história da cidade dos palácios.



Biografia

  Nascido em 1964 em Barcelona, Carlos Ruiz Zafón nasceu sobre o signo chinês do dragão numa cidade onde estes vigiam muitos dos monumentos e, talvez por isso, coleciona estas figuras desde pequeno, tendo uma colecção com mais de 400 dragões. Tal como o animal mítico, Carlos é uma criatura nocturna, pouco sociável e pouco amigo de cavaleiros andantes. Escritor há vinte anos, começou com livros YA até que em 2001 publicou o seu primeiro livro de literatura adulta e o seu maior sucesso, A Sombra do Vento. Desde 1994 que vive em Los Angeles e escreve roteiros para filmes para além dos seus livros.

  O Palácio da Meia-Noite é o segundo volume da trilogia da Neblina e foi publicado cinco anos depois de O Príncipe da Neblina e três depois daquele que seria o último volume da trilogia. Está traduzido em mais de vinte línguas.



Opinião
  Numa cidade antiga, cheia de mistérios, fantasmas e histórias, uma alma condenada aguardou pacientemente e, agora, virá finalmente em busca da sua vingança. Uma história de terror juvenil, na mesma linha de O Príncipe da Neblina, O Palácio da Meia-Noite é contudo um livro que se pode ler como stand-alone já que a sua história nada tem a ver com a do primeiro volume de A Neblina. Carlos Ruiz Zafón, o mestre espanhol que tem vindo a apaixonar leitores, apresenta-se aqui ainda como autor inexperiente, sendo visível o seu talento mas ainda não a sua maturidade, tal como havia acontecido no livro anterior a este, levando a uma leitura satisfatória mas não genial. Contudo, é o dom de brincar com as palavras de Zafón, que dá a este livro algo de chamativo que poderia não existir.

  É, aliás, perceptível nestas páginas o talento, a beleza e profundidade da escrita única deste autor, podendo-se entrever um suspiro de algo muito melhor e que, ainda no seu estado bruto, consegue claramente, disfarçar as falhas de O Palácio da Meia-Noite. Não que esta não seja uma leitura fluída e enigmática, capaz de satisfazer o leitor e até arrepia-lo nalguns momentos, contudo, falta-lhe um certo poder hipnótico, uma capacidade de nos fazer prender a respiração, necessárias a uma leitura fantasmagórica como esta. Até porque a história por trás deste livro é interessante o suficiente para nos levar a querer lê-lo e tem a dose certa de adrenalina, sem dúvida.

  Aquilo que para mim acaba por falhar nesta leitura é a rapidez da narrativa que leva a consequente falta de pormenor e desenvolvimento, não dando ao mistério a força necessária para que este se sustenha, retirando-lhe todo o factor surpresa que acaba por nunca alcançar o leitor, tal é óbvia a identidade do vilão. Uma pena, já que existe uma aura fantasmagórica e incendiária nesta história que, com um pouco mais de cuidado, poderia torna-la em algo pujante e mesmo brilhante.

  O que falta em complexidade ao desenvolvimento, encontra-se no entanto bem explícito nas personagens. Cada um dos sete jovens que formam a Chowber Society, e Sheeren, têm algo para dar, entregando-nos as suas capacidades, problemas e qualidades, sonhos e terrores, com uma ingenuidade e entrega muito próprias da sua idade. São eles, donos de uma profundidade provocada pela vida que tiveram, que acabam por avivar estas páginas graças ao seu sentido de amizade, honra e fidelidade.


  Apesar de ter sido lido num ápice, O Palácio da Meia-Noite soube-me a pouco, mas a promessa que ele contém continua a fazer-me querer ler os livros deste autor com a mesma vontade.



As minhas Opiniões da Trilogia

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