domingo, 1 de junho de 2014

Opinião - O Primeiro Marido

Título Original: The First Husband
Autor: Laura Dave
Editora: Topseller
Número de Páginas: 256


Sinopse

Annie Adams está a alguns dias de celebrar o seu 32.º aniversário e pensa que encontrou, finalmente, a felicidade.
Jornalista, escreve uma coluna semanal sobre viagens e passa a vida a explorar os lugares mais exóticos e interessantes do mundo. Vive em Los Angeles com Nick, o namorado com quem já pensa casar, numa relação aparentemente feliz que já conta com cinco anos. Quando Nick chega a casa e a informa de que, «segundo a terapeuta», talvez precisem de «um tempo», Annie fica destroçada.
Perdida num turbilhão de sentimentos, Annie acaba por conhecer Griffin, um charmoso chef, que de imediato a conquista. E em apenas três meses, Annie dá por si casada, a reconstruir a sua vida numa zona rural do Massachusetts.
Mas quando Nick lhe pede uma segunda oportunidade, Annie fica dividida entre o seu marido e o homem com quem ela sente que deveria ter casado.



Opinião
  Nasceu em Nova Iorque, mas hoje, Laura Dave vive em Los Angeles. Foi jornalista no New York Times, no New York Observer e no Huffington Post, participou em programas da Fox News e da National Public Radio, mas desde 2006 que escreve romances. London is the Best City in America, foi o seu primeiro romance, seguido de The Divorce Party, ambos em vias de serem adaptados ao cinema e, por fim, este O Primeiro Marido, publicado em 2011 e traduzido para a nossa língua e italiano.

  De vez em quando é preciso um romance assim. Algo doce sem ser enjoativo, que nos faça reflectir sobre a vida e, ao mesmo tempo, que nos faça rir dela e valorizá-la. O Primeiro Marido é um desses livros, um livro sobre escolhas, destino e quem realmente somos, levando-nos numa viagem interior sobre sentimentos e pertença. Com uma escrita aconchegante, plena de doçura e humor, Laura Dave dá-nos uma narrativa fluída e amorosa, onde nos perdemos nas peripécias e dúvidas de seres humanos que podiam ser qualquer um de nós.

  Do emprego e relação perfeitas, da calma e certeza, Annie vê-se transportada para um mar de incertezas e acontecimentos inesperados, que a fazem duvidar das suas escolhas, do que realmente quer e quem afinal é. Entre dois amores e duas vidas, Annie terá de olhar fundo dentro de si própria para descobrir o seu futuro. Uma história leve, romântica e divertida, sobre uma mulher amaldiçoada pelo seu filme preferido, este livro faz-nos sorrir página a página, não só pelas peripécias e histórias ridiculamente trágicas, como pela mensagem que transmite, a de que casa é onde estão as pessoas que amámos e que, o mais inesperado e impulsivo dos actos pode ser a melhor decisão das nossas vidas.

  Um role de personagens emotivas, carregadas de defeitos e inseguranças, dão vida a estas histórias singulares, cada uma com os seus próprios problemas e passados que, quando embatem nos dos outros, acabam por se projectar neles. Isso, esta bola gigante de emoções e problemas que se vão repercutindo de pessoa para pessoa, algo tão humano e impossível de conter, tal como muitas vezes o facto de sermos incapazes de ver mais do que o nosso lado, é algo que autora traz de uma forma notável ao seu romance, permitindo-a explorar as várias relações que o ser humano tem e o seu papel em cada uma delas enquanto tenta salvar a sua individualidade.

  Faltou-me, contudo, duas coisas neste livro. Primeiro, ligação às personagens. Não que não me conseguisse reflectir em Annie ou colocar-me no lugar dela, mas foi a única personagem com quem senti isso, sendo me um pouco indiferente os destinos das restantes personagens, com muita pena minha. Depois, acho que apesar do tom leve do livro, as questões sérias poderiam ter sido abordadas de uma outra forma, já que me pareceu tudo um pouco inconsequente e demasiado fácil de resolver. Alguma profundidade e seriedade não teriam feito mal à história, a meu ver.


  Uma comédia romântica sensível e que entretém, O Primeiro Marido é uma leitura que recomendo a quem gostar deste género de livros.


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