domingo, 20 de julho de 2014

Opinião - Lago Perdido

Título Original: Lost Lake
Autor: Sarah Addison Allen
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 280


Sinopse
Uma história bela e arrebatadora sobre amores antigos e novos, e o poder das ligações que nos unem para sempre...

A primeira vez que Eby Pim viu Lago Perdido foi num postal. Apenas uma fotografia antiga e algumas palavras num pequeno quadrado de papel pesado, mas quando o viu soube que estava a olhar para o seu futuro.
Isso foi há metade de uma vida. Agora Lago Perdido está prestes a deslizar para o passado de Eby. O seu marido George faleceu há muito tempo. A maior parte da sua exigente família desapareceu. Tudo o que resta é uma velha estância de cabanas outrora encantadoras à beira do lago a sucumbirem ao calor e à humidade do Sul da Georgia, e um grupo de inadaptados fiéis atraídos para Lago Perdido ano após ano pelos seus próprios sonhos e desejos. É bastante, mas não o suficiente para impedir Eby de abrir mão de Lago Perdido e vendê-lo a um empreiteiro.
Este é por isso o seu último verão no lago… até que uma última oportunidade de reencontrar a família lhe bate à porta.



Biografia
  Nasceu e cresceu em Ashville, Carolina do Norte e nunca esqueceu as suas raízes, situando sempre os seus livros no belo e quente Sul. Sarah Addison Allen adora livros e boa comida e na faculdade estudou Literatura porque pensava que era fantástico ter um diploma só por ler ficção e seria como licenciar-se em comer chocolate. É loucamente supersticiosa e misteriosamente tem Pocahontas na sua árvore genealógica segundo o pai.

  Escreveu o seu primeiro livro aos dezasseis, obra que nunca verá a luz do dia por ser demasiado horrível e o seu primeiro livro publicado foi um romance Harlequin sobre o pseudónimo Katie Gallagher. Mas foi com Jardim Encantado que ficaria conhecida.

  Lago Perdido é o seu quinto romance e foi publicado no início deste ano, estando traduzido para búlgaro e português.


Opinião
  Há algum tempo que não lia um livro desta autora e, a verdade, é que por mais que o tempo passe, existe um encanto nas suas histórias que se mantém sempre inalterado, daí que tenha sido com muitas saudades, mais do que expectativas, que me atirei à leitura do seu mais recente romance. Lago Perdido é uma viagem entre os erros do passado e as esperanças do futuro, é um regresso à infância, aos sonhos e à felicidade, é o ponto de partida para um futuro sem medos nem arrependimentos. Mais uma vez, Sarah Addison Allen embrenha-nos numa narrativa doce e delicada, numa história preciosa sobre a família, a amizade e o amor, demonstrando-nos que o futuro não tem de ser um espelho do passado nem nos obriga a ir com a corrente. É sim a nossa oportunidade para nos superarmos.

  A forma como perdemos uma pessoa que amámos, aquela que mais amámos na vida, pode marcar-nos de forma inultrapassável, pode mudar o rumo da nossa vida para sempre, transformando-nos numa concha daquilo que poderíamos ter sido. Esta história é sobre isso, sobre as perdas pelas quais fazemos luto o resto da vida, as perdas de que nos sentimos culpados, as perdas que não estávamos preparados para ter. Mas é também sobre amizades, ligações criadas num local ou momento, pessoas que nos amparam, que nos ajudam a sobreviver, pessoas que estão lá mesmo que não demos conta disso. Ao longo destas páginas, aprendemos como devemos sempre sorrir e acreditar, como um lugar nos pode mudar ou guardar recordações felizes, como pessoas nos podem devolver a vida que julgávamos perdida.

  É numa narrativa plena de doçura, do calor sulista e do cheiro dos bolos acabados de fazer, que somos apresentados às personagens carismáticas que, com vidas tão diferentes e interessantes, cada uma com as suas qualidades, vícios e hábitos estranhos, nos vão ensinar como a vida nos dá segundas oportunidades. Desde Lisette à Selma, de Wes a Devin, todas elas têm algo a dar-nos, sejam feitiços de amor, sejam receitas antigas ou mesmo cartas perdidas. É no seio deste grupo bizarro e adorável, que o Lago Perdido brilha e nos trás as maiores promessas.

  Contudo, sinto que faltou alguma da magia habitual dos livros anteriores. Apesar de haver uma tentativa com o aligátor, a verdade é que sem ele, a história poderia ter decorrido da mesma maneira e a sua presença, por vezes, parecia um pouco inadequada e fora de contexto, algo que nunca tinha acontecido com os outros elementos mágicos de Allen. Não que tenha gostado menos do livro por causa disso mas não deixo de me sentir um pouco triste por me ter faltado algo que só esta autora consegue introduzir com bastante naturalidade nas suas histórias: um elemento estranho, mágico que comanda as vidas de todos.

  Mesmo assim, foi com alegria que me embrenhei na leitura de Lago Perdido pois, apesar de não estar à altura dos outros livros da autora, a verdade é que eu já tinha muitas saudades da escrita e do estilo único de Sarah Addison Allen.


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