sexta-feira, 18 de julho de 2014

Opinião - A Voz

Título Original: The Caller (#3 Shadowfell)
Autor: Juliet Marillier
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 456


Sinopse
A surpreendente conclusão da trilogia que começou com Shadowfell, cheia de romance, intriga e magia.
Há um ano, Neryn nada tinha a não ser um Dom Iluminado que mal compreendia e o sonho vago de que a mítica base rebelde de Shadowfell pudesse ser real. Agora, é a arma secreta dos Rebeldes e a sua grande esperança de fazerem vingar essa revolta secreta contra o rei Keldec, que terá lugar no dia do Solstício de Verão. O destino de Alban está nas suas mãos. Entretanto, Flint, o homem por quem se apaixonou, está no limite das suas forças enquanto espião na corte do rei e acumulam-se as suspeitas da sua traição.
Em jogo, está a liberdade do povo de Alban, a possibilidade de os Boa Gente saírem dos esconderijos e a oportunidade de Flint e Neryn se unirem finalmente.



Biografia
  Neozelandesa de nascimento, de raíz céltica na alma e no coração, Juliet Marillier é, possivelmente, a autora de fantasia mais adorada no nosso país desde o seu primeiríssimo livro, A Filha da Floresta, o início de uma vasta carreira premiada que já conta com dezassete livros e cujo décimo oitavo, o primeiro da trilogia Blackthorn&Grim, será publicado este ano.

  Licenciada em Música e Línguas, amante do folclore, da História e da mitologia, Juliet fez trabalho governamental, tocou numa orquestra e faz parte de uma ordem druídica. É ainda mãe de quatro e avó de seis.

  A Voz é o seu último livro, o final do seu regresso em grande, Shadowfell e a sua primeira edição estrangeira é nossa, tendo sido originalmente publicado no início deste ano.



Opinião
  Despedir-nos de uma história de Marillier é como dizer adeus a amigos queridos, é como fechar um ciclo da nossa vida, é morrer de saudades de um local, de um sentimento. Capaz de nos fazer sorrir e chorar, capaz de nos enfeitiçar com a sua voz de bardo, que tece feitiços e encantamentos e nos leva para um mundo onde sombras e luz se digladiam, esta autora enreda-nos sempre em histórias pelas quais nos apaixonámos e cujos finais enternecem-nos, marcam-nos, e se tornam inesquecíveis. A Voz é mais um desses finais, um final de tormentas e sonhos, uma história encantada onde o felizes para sempre está coberto de cicatrizes mas também de esperança.

 O caminho para a paz é pedregoso, cheio de perigos, de perdas, de desespero. Por isso, é preciso procurar o conhecimento, é preciso descobrir como proteger os nossos amigos e ideais. É preciso manter-nos fiéis a nós próprios e sermos capazes de acreditar, sempre, que a esperança brilha, mesmo que fugazmente, nos lugares mais assombrados. Com o tempo contado e o risco de tudo perder, Neryn e Flint vivem a batalha das suas vidas. Entre o amor e o dever, entre a esperança e o desespero, ambos têm que manter os seus papéis numa causa maior, mesmo que isso signifique perderem-se um ao outro, mesmo que isso signifique sacrificarem-se pela felicidade de um mundo que ambos desejam construir.

  Numa narrativa cheia tanto de coragem e crença como de malvadez e ambição, muitos são os momentos em que quase nos sentimos quebrar pela dor e atrocidades de que a loucura sedenta de poder é capaz de provocar. Vemos amigos cair em nome dos sonhos, vemos magia ser usada com tirania, vemos lágrimas cair em faces contraídas num vazio de sentimentos. Mas também há momentos de luz. Gestos de amizade e confiança, palavras de esperança, olhares de compreensão, são capazes de nos fazer sorrir mesmo nos piores momentos, mesmo quando o coração se contraí de apreensão e a vitória parece muito longe de ser alcançada.

 Numa guerra do bem contra o mal, da tirania contra o livre-arbítrio, somos levados a conhecer o melhor e o pior da alma enquanto somos avassalados pela intensidade das emoções que cada momento e cada gesto nos conseguem provocar. Somos ensinados a compreender que a justiça, a crença e o amor são essenciais à vida e precisos na construção de um futuro, que são a base para a esperança e as razões porque realmente lutámos. Da primeira à última página é isso que predomina, mesmo nos piores momentos, é a capacidade que só Juliet tem de, no lugar mais escuro, fazer brilhar a vida.


  Mais uma vez, é com fervor e carinho que fecho mais um livro desta autora extraordinária. Mais uma vez, faltam-me as palavras para vos explicar a beleza e a intensidade das suas histórias. A Voz não é apenas mais um final encantado, contudo. É o final, também, de uma trilogia que, por trás de uma suposta inocência, é capaz de derrubar mentes e encantar corações.


As minhas Opiniões da Trilogia

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