domingo, 17 de agosto de 2014

*A Rainha Manda...* The Winner's Curse, Marie Rutkoski


  Com algum atraso, finalmente apresento-vos a leitura de Julho e terceira desta rubrica conjuta com a p7 do Bookeater/Booklover, The Winner's Curse de Marie Rutkoski.

  Tal como havia explicado neste primeiro post, depois de lidos os livros, cada uma de nós faz algumas perguntas à outra, agregadas a temas,  sobre o livro que escolhemos para ela. Estas são as perguntas que a p7 me fez, e aqui, podem encontrar as que lhe fiz sobre a sua leitura, Transformar-se em Maria Antonieta, de Juliet Grey.

  Este mês não seleccionaremos uma leitura para Agosto devido ao atraso desta e porque está a ser um mês muito ocupado de leituras (a culpa é toda minha que me meto a ler tudo e mais alguma coisa). Mas em Setembro regressámos com a rubrica, podem ficar descansados, até porque nos estámos a divertir imenso a "mandar" uma na outra.





p7: Kestrel: uma jovem que não se insere na sua sociedade, não deixando de ser uma personagem fascinante. Que dizes dela e do seu percurso?
A Kestrel é uma protagonista que me cativa. Primeiro por ser mais inteligente e erudita que a maior parte das protagonistas. Ela lê, toca piano, brilha em jogos de tabuleiro e estratégia e consegue ver tudo o que se passa a sua volta, apanhar todas as pistas e ver o melhor caminho por onde ir, como mais ninguém. Para além disso, é uma rapariga forte de vontade mas doce e meiga, mas isso não quer dizer que não enfrente os seus inimigos com todo o sangue frio de um general. Sabe quando tem de fazer sacrifícios e quando tem de perder e exactamente como se serve uma vingança. 
Por isso mesmo admiro-a. Afinal ela passa do oito para o oitenta e por mais confusa que esteja com a sua situação e sentimentos, ela não perde a cabeça. Mesmo quando é a senhora nunca age como menina mimada, fútil e cruel e, quando isso muda, tenta ser o mais forte possível, mesmo que isso lhe mexa com os nervos e só lhe apeteça virar tudo do avesso.

p7: O Arin vê-se numa posição única, capaz de mudar o destino do seu povo, mas encantado por um membro do povo que oprime o seu. Conseguiste identificar-te com a sua posição?
Sim, apesar de saber que talvez não teria aguentado tanto com ele aguentou. O Arin é uma personagem complexa a meu ver, e para isso ajuda a situação em que ele está. Ele é um escravo em cujas costas está o destino do seu povo, perdeu a família e o seu país para um povo que oprime e quase apagou a sua herança cultural e isso faz com ele traga muito ódio e ressentimento dentro dele mas quando se apaixona pelo inimigo, ele tenta equilibrar quem é e o que sente, muitas vezes não da melhor maneira possível. Ele sabe que é um amor impossível mas mesmo assim não consegue desistir dela mas também não consegue desistir da sua herança e por isso trai e mente bem como tenta proteger todos a sua volta.
A posição dele não é fácil mas no lugar dele sei que também não conseguiria separar as águas entre o dever e o amor, e é essa multiplicidade de sentimentos tão opostos que fazem com que o Arin seja uma personagem tão complexa e ao mesmo tempo tão fascinante, pois ele prova que nada é apenas preto e branco.

p7: Algum outro personagem que queiras destacar? Porquê?
Este livro está repleto de personagens cativantes cujos destinos não só me preocupam como penso que no segundo livro nos reservarão algumas surpresas. Por isso é difícil destacar uma só personagem mas a fazê-lo, teria de falar de Tarjan, o pai de Krestel. Apesar de não aparecer muito, o general é uma personagem difícil porque consegue confundir-nos e deixa-nos a pensar quais serão os seus verdadeiros pensamentos. Afinal ele perdeu a mulher pela glória, a filha dedica-se a uma arte que ele não aprova quando ainda por cima tem tanto potencial para a guerra, onde ele gostaria de a ver brilhar e essa capacidade estratega da filha faz com que, acabe por mostrar o seu amor por ela de uma forma distorcida, levando-a lutar por cada migalhinha que ele lhe dá. 

É um homem que vive da guerra e para a guerra, que não aceita falhas nem derrotas e, muito menos, um mundo que não seja como ele o idealizou. Escolho-o porque ele influencia muito a Krestel, tanto para o bem como para o mal, e cheira-me que as coisas não se tornarão mais fáceis mesmo com a escolha dela.



p7: Muitas relações entre os personagens são definidas pelo precário equilíbrio entre povo opressor, os Valorian, e povo oprimido, os Herrani. Em que medida achas que estas relações e este equilíbrio fazem avançar ou recuar a narrativa?
Eu acho que é a base deste livro, o equilíbrio entre os povos Valorian e Herrani e as suas culturas, sendo algo que a autora transmite brilhantemente ao longo da narrativa e que permite uma grande dinâmica na sua leitura. Ao longo das páginas és colocada em imensas situações onde te é apresentado o melhor e o pior de cada cultura, as suas características, a sua política e a sociedade e, podes mesmo vê-las tanto no lugar do vencedor como do vencido. As interacções entre pessoas de ambos os povos, o facto da autora te tentar mostrar que não há um melhor que o outro e que a vitória é feita de sorte e que poderia ser possível eles viverem em sintonia se conseguissem, é o mais fascinante nesta leitura e penso que aquilo que a faz realmente desenvolver, mesmo na parte romântica. E caramba, é tão giro e fascinante ver as diferenças entre povos!

p7: A meio da história há uma reviravolta que inverte a perspectiva dos personagens. Agradou-te? Mudou também a tua perspectiva? O que significou para os personagens e para a sua história?
Agradou sim porque não mudou mas mostrou uma completa e totalmente nova perspectiva da narrativa da qual não estava à espera. Afinal acaba por levar a história por um rumo completamente diferente (e muito mais complicado parece-me) que muda radicalmente a vida das personagens, colocando-as em situações de perigo e pressão que nos permitem conhecê-las melhor. Ao vermos as posições trocadas, acho que acabámos por nos aperceber ainda mais do sentido da expressão "A História é dos vencedores" e de como isso muda a vida das personagens e a sua forma de estar na vida.




p7: Baseado num conflito de culturas, The Winner’s Curse apresenta algumas questões complexas neste aspecto. Que achaste?
Que isso tornou a leitura imensamente fascinante. De um lado tens um povo bélico, práctico e arrogante mas conhecido também pela sua beleza e que dá pelo menos uma certa liberdade de escolha a mulher (mesmo que seja entre carreira militar e casamento). Do outro, tens um povo dedicado à cultura e às artes, pacífico e comerciante mas a dada altura apercebes-te que também houve uma assimilação de cultura das duas partes. O Arin usa os jogos e livros de guerra dos Valorian para se tornar um melhor guerreiro, a Krestel adora música e conhece as obras dos Herrani, admira até a sua arte. E essa assimilação faz-nos pensar que talvez estas duas culturas não são assim tão diferentes, mas que se equilibram entre elas.

p7: E sobre o conceito de Winner’s Curse, gostaste de como foi incorporado no livro?
Sim, foi mais uma das coisas que adorei neste livro. A autora explica no final do livro que Winner's Curse é um conceito económico que tem a ver com quanto mais dás por algo, quanto mais o queres, mais podes perder e isso é exactamente o que acontece aos protagonistas. Quanto mais a Krestel e o Arin se querem, quanto mais eles dão por algo, maior é a sua queda nos conflitos que isso lhes traz. Aliás, a Krestel acaba por pagar muito mais do que aquilo que deu pelo Arin. Ela acaba por perder tudo aquilo que conheceu, mas isso não significa que ela o queira menos, muito pelo contrário. 
Acho que é mais um dos conceitos fantásticos que a autora usa na sua história e algo que ela incorpora muito bem.




p7: A escrita da Marie Rutkoski é um pouco elaborada. Agradou-te? Achaste-a adequada à história contada?
Não achei a escrita da Marie assim tão elaborada. É elegante sim, mas não vive dos floreados e exageros, o que faz com que seja concisa e nada complicada de se ler. A autora consegue apresentar-te a história e o mundo sem descrições demasiado longas ou aborrecidas e mesmo nos momentos de menos acção, o leitor fica completamente preso à história.

Para quem tiver curiosidade acerca deste livro, pode ainda ler a minha opinião.

2 comentários:

  1. Olá!! Passei-te uma tag no meu blog que se chama Quimar, Reler, Reescrever! :)

    johnsreportblog.blogspot.com

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