sábado, 2 de agosto de 2014

Opinião - Dark Metropolis

Título Original: Dark Metropolis (#1 Dark Metropolis)
Autor: Jaclyn Dolamore
Editora: Disney-Hyperion
Número de Páginas: 304


Sinopse
Cabaret meets Cassandra Clare-a haunting magical thriller set in a riveting 1930s-esque world.

Sixteen-year-old Thea Holder's mother is cursed with a spell that's driving her mad, and whenever they touch, Thea is chilled by the magic, too. With no one else to contribute, Thea must make a living for both of them in a sinister city, where danger lurks and greed rules.
Thea spends her nights waitressing at the decadent Telephone Club attending to the glitzy clientele. But when her best friend, Nan, vanishes, Thea is compelled to find her. She meets Freddy, a young, magnetic patron at the club, and he agrees to help her uncover the city's secrets-even while he hides secrets of his own.

Together, they find a whole new side of the city. Unrest is brewing behind closed doors as whispers of a gruesome magic spread. And if they're not careful, the heartless masterminds behind the growing disappearances will be after them, too.

Perfect for fans of Cassandra Clare, this is a chilling thriller with a touch of magic where the dead don't always seem to stay that way.



Biografia
  Educada em casa de uma forma muito hippie, Jaclyn Dolamore passou a infância a ler tantos livros quantos o seu corpo magrinho conseguisse carregar da biblioteca, e a elaborar jogos de fingir com a irmã. Dispensou a faculdade e passou os últimos oito anos de trabalho em trabalho enquanto desenvolvia as suas capacidades culinárias e buscava o sonho de uma vida: escrever.

  Apaixonada por história, vestidos vintage, David Bowie, desenho e comida orgânica, Jaclyn publicou o seu primeiro livro, Magic Under Glass em 2009.


  Dark Metropolis, o seu último livro, foi publicado em Junho deste ano.


Opinião
  Quando um livro passado em 1927, cheio de zombies e comparado ao estilo de Cassandra Clare, cruza o meu caminho, só há uma coisa a fazer: lê-lo. E rezar, com todo o fervor, para que ele corresponda às expectativas. Com uma aura triste e decadente, sombria e nostálgica, Dark Metropolis é como as águas profundas que, calmas na superfície, escondem uma escuridão impenetrável nas profundezas, escuridão à qual a escrita delicada e pausada da autora acrescenta um tom de despedida e, contraditoriamente, um tom de guerra contra a morte. Por vezes distante, por vezes tocante, este livro não merece a comparação com os de Cassandra Clare, mas não deixa por isso de ser uma leitura que merece a nossa atenção. Muito pelo contrário. 

  Estranha e fascinante, esta é uma leitura que apesar de pausada se faz rapidamente devido ao mistério e morbidez que a envolve, sendo caracterizada pela tentativa de originalidade numa narrativa marcada por magia, diferenças sociais e vida depois da morte. Num mundo que parece o nosso mas no qual vamos descobrir muitas diferenças, é com ânsia crescente que nos deixámos envolver nas suas páginas, que marcadas pela decepção e desespero, nos levam a descobrir a as mais recônditas esperanças e as ambições mais maléficas que o coração humano é capaz de esconder. Por entre o brilho dos clubes e os sombrios túneis debaixo de uma cidade efervescente ainda assombrada pela guerra, vidas entrelaçam-se numa sequência de consequências que virará o mundo de pernas para o ar.

  Contudo, esta é uma história ainda muito em bruto, que precisava de ser polida. Apesar de termos a informação que a história se passa em 1927, a verdade é que tirando o facto de se falar nas guerras e nos clubes nocturnos, nada nos indica que existe um tempo histórico concreto, seja em pormenores de vestuário, rotinas ou tradições, o que deixa o leitor perdido numa leitura já de si estranha. Também em termos de worldbuilding Dark Metropolis falha. Pouco ou nada nos é explicado e, se é verdade que percebemos o que se passa, também é verdade que não sabemos os porquês, os comos ou o que seja para este mundo ser como é. Falta-lhe complexidade e simplicidade ao mesmo tempo, falta-lhe emoção e ligação com o leitor, algo para o qual o fim abrupto e fechado não ajuda.

  São as personagens no fim, as suas histórias pessoais, que acabam por nos fazer olhar para este livro de outra maneira. Tristes e perdidas, tentando conquistar um lugar num mundo cheio de dificuldades, Freddy, Nan e Thea comovem-nos pelas suas desventuras e pela forma como tentam fugir a uma realidade demasiado cruel. Principalmente Nan, uma personagem a que preciso de dar destaque pela sua força, pela capacidade de luta mesmo quando nada parece merecer a pena.

  Dark Metropolis é assim, uma leitura da qual gostámos à primeira vista, uma leitura que nos deixa curiosos mas que quando analisada acaba por apresentar mais falhas que virtudes.

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