quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Opinião - Não Digas Nada

Título Original: The Good Girl
Autor: Mary Kubica
Editora: Topseller
Número de Páginas: 336


Sinopse
Um thriller psicológico intenso e de leitura compulsiva, Não Digas Nada revela como, mesmo numa família perfeita, nada é o que parece.

Tenho andado a segui-la nos últimos dias. Sei onde faz as compras de supermercado, a que lavandaria vai, onde trabalha. Nunca falei com ela. Não lhe reconheceria o tom de voz. Não sei a cor dos olhos dela ou como eles ficam quando está assustada. Mas vou saber.

Filha de um juiz de sucesso e de uma figura do jet set reprimida, Mia Dennett sempre lutou contra a vida privilegiada dos pais, e tem um trabalho simples como professora de artes visuais numa escola secundária. 

Certa noite, Mia decide, inadvertidamente, sair com um estranho que acabou de conhecer num bar. À primeira vista, Colin Thatcher parece ser um homem modesto e inofensivo. Mas acompanhá-lo acabará por se tornar o pior erro da vida de Mia.


Biografia
Mary Kubica tem um Bacharelato em História e Literatura Americana pela Universidade de Miami (Ohio). Vive em Chicago com a família, e gosto de fotografia, jardinagem e tomar conta de animais no abrigo local.

Não Digas Nada é o seu primeiro livro e foi publicado este ano. A sua primeira tradução é a portuguesa.


Opinião
  Quem segue o blogue sabe que raramente leio policiais/thrillers. É preciso muito para um livro do género me chamar a atenção e, a estreia de Mary Kubica, com as suas críticas fantásticas, conseguiu-o, tendo a honra de ser o primeiro thriller que li este ano. Não Digas Nada parecia-me enganadoramente simples, um livro que iria causar emoções fortes e tecer uma teia de segredos cuja resolução seria bombástica. Esta era a minha expectativa para ele. E, durante algum tempo, graças à escrita envolvente e intensamente emocional de Kubica, eu acreditei que ele assim seria, aliás, durante algum tempo, ele assim o foi e nunca, deixou de ser uma leitura de tal maneira viciante que era impossível pousá-lo. Mas, infelizmente, as minhas perspectivas não foram tão preenchidas como esperava.

  Inteligentemente, a autora leva o leitor ao antes e ao depois do acontecimento que move a trama, pela perspectiva das várias personagens. Isto faz com que o leitor esteja sempre em suspenso, sempre a tentar juntar as peças do puzzle e foi, sem dúvida, o que mais gostei deste livro, a sua estrutura. Depois, para mim, existem dois momentos nesta história. Aquele em que o mistério se adensa, em que os segredos estão tão bem escondidos que nem os vemos. Esse primeiro momento está cheio de perguntas, de dúvidas, é o momento em que estámos tão presos à trama, tão curiosos que não conseguimos largar o livro. É o momento em que nada é o que parece e as pistas são pouco óbvias. E depois há o segundo momento. Nesse, o mistério deixa de o ser, as pistas estão bem visíveis e torna-se claro o que realmente se passou. E foi nesse momento, apesar de estar viciada na leitura, em que perdi o interesse, ou pelo menos, deixei de sentir aquele empolgamento das primeiras páginas.

  E essa é a razão porque este livro foi quase perfeito. Quase, porque a dada altura a narrativa torna-se óbvia e pouco intensa. E depois, porque realmente escapou-me as contradições das personagens e as razões das suas acções. Não os consegui compreender, não me pareceram plausíveis ou racionais o suficiente. Mas não deixei de gostar da forma como a autora explora o síndrome de Estocolmo, o que foi a segunda melhor parte deste livro. Ou seja, foi uma história de altos e baixos para mim, com a diferença que começou empolgante e acabou sem me causar qualquer emoção ou surpresa.

  Quanto às personagens, apesar de serem um pouco clichés, acabei por sentir alguma ligação com elas, talvez graças aos POV’s que nos são dados. Senti pena de Eve, por ser uma mulher que foi perdendo tudo ao longo da vida apesar da sua vida aparentemente perfeita e por tentar remediar as coisas, mesmo que talvez tarde mais. Senti-me fascinada com o Colin pelas suas mudanças de personalidade, mesmo que não entendesse algumas das suas atitudes. E por isso, senti-me também fascinada com a sua interacção com a Mia, apesar de só no final perceber como era possível.

  Não Digas Nada podia ser um livro perfeito. Não foi mas mesmo assim, penso que Mary Kubica vai ser daquelas autoras que vou voltar a experimentar, nem que seja para ver se ela consegue fazer melhor, porque mesmo com as falhas, a verdade é que há coisas muito bem conseguidas neste livro. 

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