sábado, 25 de outubro de 2014

Opinião - O Segredo dos Tudor

Título Original: The Tudor Secret (#1 The Spymaster Chronicles)
Autor: C.W. Gortner
Editora: Topseller
Número de Páginas: 352


Sinopse
No verão de 1553, Brendan Prescott é chamado à corte inglesa dos Tudor para se tornar escudeiro de Robert Dudley. Na mesma noite em que chega à corte, Lorde Robert encarrega-o de entregar secretamente um anel à princesa Isabel.
Frente a frente com a emblemática princesa, e depois de ela se recusar a aceitar a joia, o jovem escudeiro percebe que se encontra no meio de uma trama de conspirações e mentiras. Os Dudley planeiam uma traição mortal contra o rei Eduardo VI e as suas duas irmãs — Maria e Isabel — com um único fim: chegar ao trono.

Destemido e convicto de que o que vai fazer é o melhor para Inglaterra, Brendan Prescott alia-se a Isabel e aos seus protetores. Torna-se assim um agente duplo em defesa da coroa, contra a ambição desmedida dos Dudley.


Biografia
Criado em Espanha e metade espanhol de nascimento, C.W. Gortner vive actualmente em São Francisco, é defensor dos direitos dos animais, preocupa-se com os problemas ambientais e escreve romances históricos. Com mestrado em Escrita na especialidade de Estudos Renascentistas, é conhecido pela extensa pesquisa que faz para os seus livros, tendo mesmo experimentado a vida no castelo espanhol e dançado num salão Tudor. C. W. Gortner já publicou seis romances históricos, traduzidos para catorze línguas, e está neste momento a escrever o sétimo sobre Lucrezia Bórgia.

O Segredo dos Tudor é o primeiro volume da única trilogia do autor. Foi publicado em 2004 e está traduzido para seis línguas.


Opinião
  Depois de O Juramento da Rainha, C.W. Gortner tornou-se um dos meus autores preferidos do género, razão porque só espero dele livros que não sejam menos que notáveis, livros que recriam épocas com rigor mas não deixam de transparecer a paixão do homem pela História. E, O Segredo dos Tudors tinha tudo para isso, ou não tivesse saído da mente que limpou Isabel de Castela a meus olhos, ou não fosse sobre uma das minhas épocas históricas preferidas. Com uma escrita cuidada mas acessível, o autor enveredou pela corte mais traiçoeira de que há memória e criou uma teia de conspirações e segredos digna de um Tudor, uma teia que prende o leitor numa leitura rápida e satisfatória. Sim satisfatória. Não soberba. Infelizmente faltou-me algo neste livro, faltou-me paixão, faltou-me poder, faltou-me a evocação do passado e a preocupação pelos antepassados. Faltou-me aquele mais que tornou o outro livro do autor, uma obra de soberba magnificência. 

  Disfrutando de uma narrativa plena de acção, segredos e conspirações, O Segredo dos Tudors é um exemplo quase, quase, perfeito de como se pode equilibrar rigor histórico com ficção. Numa corte cheia de intrigas e inimigos a cada esquina, onde a ambição é superior ao amor ou a lealdade, sofre-se o medo do passado e a angústia do futuro. Podemos ver com clareza as divisões causadas pela religião, pela política ou, mesmo, pela família. Temos, por isso, um quadro realista, mas simplista tenho de admitir, da realidade de uma corte que andava sobre o fio da navalha. Aproveitando essa aura de desconfiança, o autor aproveita para criar um rumo da história que achei não só suficientemente verosímil, como bem estruturado e justificado dentro da história, apesar de, sinceramente, me ter parecido previsível. 

  Num enredo assim, não podiam faltar os espiões, os códigos secretos, as cartas que têm de desaparecer. Não podia faltar as fugas à morte, as lutas quase perdidas, o sentido de justiça e lealdade de um bom cavaleiro andante. Este livro tem tudo isso, sem dúvida. Mas lá está, faltou-me alguma emoção nessas tantas cenas de reviravolta, faltou-me paixão à causa. E faltou-me garra às personagens. Não que não sejam bem construídas, porque são. São fiéis à imagem que tenho delas, são retratos quase puros no caso das personagens históricas, mas falta-lhes humanidade, falta-lhes cair do pedestal em que a História as meteu. Quanto às ficcionais, sei que poderia ter gostado mais de Brendan Prescott, porque sei que Gortner é capaz de me dar personagens melhores.

  Não sinto tanta dedicação, tanto cuidado a este livro como senti no anterior que li do autor e, por saber do que Gortner é capaz, não apreciei da mesma forma uma história que poderia ter adorado. Sendo assim, O Segredo dos Tudors não é uma desilusão, longe disso, mas não correspondeu, as se calhar demasiado altas, expectativas que coloquei em cima deste autor.



P.S. Nunca o faço mas desta vez tenho de chamar a atenção. A tradução deste livro mete medo. Onde já se viu traduzir-se nomes? E desde quando é que os ingleses usavam a expressão “Dona” Suffolk? 

4 comentários:

  1. Bem, eu por acaso até planeava ler este livro em breve, mas sendo assim, acho que vou começar por aquele que dizes que é muito bom do mesmo ator:) Já sabes da novidade?? Pelos vistos a Cassandra Claro já não vem a Portugal:(:(:( Agora é contentar com os dois livros dela que vão sair e já é pedir muito.

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    1. Eu até acho que seria melhor começares por este, porque é uma boa leitura, e já vais com as expectativas mais baixas para o outro.

      Já sabia já =( e já ter dois livros seguidos é uma sorte!

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  2. Alguns nomes podem ser traduzidos, especialmente se forem nomes de personalidades importantes ou figuras históricas... "Elizabeth" é "Isabel", etc... mas geralmente não se traduzem, não.

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    1. Eu sei mas fica tão mal teres uns nomes traduzidos e outros não =/ Pelo menos a mim fez-me alguma "comichão"...

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