domingo, 26 de outubro de 2014

Opinião - Tatiana & Alexander

 Título Original: Tatiana&Alexander (#2 O Cavaleiro de Bronze)
Autor: Paullina Simons
Editora: ASA
Número de Páginas: 584+224


Sinopse

Tatiana
Com apenas dezoito anos, Tatiana está grávida e só. O seu marido, Alexander, foi acusado de espionagem e preso pela infame polícia secreta de Estaline.Alexander é um herói de guerra condecorado que carrega um segredo fatal. Nascido na América, vive encurralado desde a adolescência na União Soviética, para onde imigrou com os pais, que queriam viver o ideal comunista. Mas o brutal regime do país rapidamente destroçou os seus sonhos. Para se proteger, Alexander serviu o Exército Vermelho e fez-se passar por cidadão soviético. Para ele, a II Guerra Mundial é já uma causa perdida: tanto a derrota como a vitória significam a morte.
As notícias que dão conta do triste destino de Alexander levam Tatiana a fugir para a América. Quando chega a Nova Iorque, ela é uma jovem viúva com um filho pequeno nos braços e um passado doloroso. Pouco tempo depois, tem um emprego, amigos e a vida com que nunca ousou sonhar. Mas a dor pela perda de Alexander nunca a abandona. Algures dentro de si e contra todas as evidências, ela continua a ouvir a voz do seu grande amor...
Uma história épica de amor e guerra. Um hino ao poder dos sentimentos e da fé humana.
Tatiana é a sequela do bestseller mundial O Grande Amor da Minha Vida. 

Alexander
Tatiana tropeçou no degrau e quase caiu. De joelhos ao lado dele, fez o que pensava não poder voltar a fazer em toda a sua vida: tocou em Alexander. E beijaram-se. Beijaram-se como se fossem de novo jovens nos bosques do Luga. Beijaram-se até esquecerem a guerra e o comunismo, a América e a Rússia. Beijaram-se e afastaram tudo, deixando ficar apenas o que restava – fragmentos de Tania e Shura.
A viver na América com o filho, Tatiana tentou esquecer a mágoa pela perda do seu grande amor, Alexander. A sua vida seria perfeita se essa memória não estivesse presente a cada momento de cada dia. E quando uma improvável réstia de esperança de encontrar Alexander vivo se apodera dela, Tatiana não hesita. 
Deixa o pequeno Anthony aos cuidados da amiga Vikki e parte para uma derradeira e perigosa viagem à Alemanha. Em jogo está tudo o que construiu e a sua própria vida. Se for encontrada, Tatiana sabe que não escapará. É uma mulher marcada. 
Mas mais impossível do que o seu sonho é a incapacidade de aceitar a vida sem Alexander. Mais forte do que o medo é a promessa que fizeram um ao outro há tantos anos atrás: “viveremos juntos ou morreremos juntos.” 
Tatiana e Alexander protagonizam uma das grandes histórias de amor da ficção contemporânea. Um inesquecível relato de paixão, guerra, coragem e sobrevivência.



Biografia
  Paullina Simons nasceu em Leninegrado em 1963, em plena União Soviética. Quando tinha 10 anos, mudou-se com a família para os E.U.A e assim que aprendeu inglês começou a dar forma ao seu sonho de ser escritora. Graduou-se em Ciência Política na Universidade do Kansas, trabalhou como jornalista financeira e tradutora e, foi com a publicação do seu primeiro romance Tully, que finalmente alcançou o seu sonho de infância.

  Entre os treze livros que já publicou, encontra-se a sua trilogia mais conhecida, que teve até direito a um livro de cozinha. Foi com essa trilogia que Paullina alcançou um êxito imenso e onde a autora pode transmitir a influência das suas origens, as histórias que ouviu dos avós, sobreviventes da época mais pesada do seu país natal e a fuga de um mundo opressor para viver um sonho. 

  Tatiana e Alexander correspondem ao segundo volume da trilogia, que foi publicado originalmente em 2003. Está traduzido para onze línguas.


Opinião
  Há histórias de amor que nos marcam profundamente, esvaziam-nos e preenchem ao mesmo tempo, fazem-nos sorrir e chorar com a mesma rapidez. São amores capazes de queimar como o fogo e durar como uma estrela. Amores que vencem tudo, mesmo a fome, mesmo a guerra… até a morte. Depois de O Grande Amor da Minha Vida, pensava que não seria possível o meu coração quebrar-se novamente, pensava que desta vez seria mais fácil. Estava tão, mas tão enganada. Em Tatiana e Alexander, Paullina Simons volta a devastar-nos, volta, mais uma vez, a tecer sangue e amor por entre as páginas de uma história cheia de paixão e frio, esperança e desilusão. Uma história capaz de destruir sonhos mas, também, de os construir sobre as cinzas. Um amor intemporal, escrito por um gelado, um livro, uma guerra.

  De um lado, a desolação dos campos gelados da Rússia, manchados pelos corpos esquecidos, pelos gritos nunca ouvidos, escondidos pela neve interminável. Aqui há fome e desespero, almas mortas antes dos corpos tombarem, esperança há muito enterrada por debaixo do sangue derramado. Esta é a guerra que alguns preferiram esquecer, outros esconder. A dos homens sem importância, perdidos desde sempre para a nação a que chamavam mãe, carne dispensável. Homens outrora galardoados pela coragem são condenados a morrer lentamente por causa de uma traição invisível. Não são ninguém, não são nada, senão instrumentos da pátria sedenta de vitória. E o leitor é quebrado, esfaqueado, torturado por esta visão de branco puro manchado pelas vergonhas dos homens. É obrigado a ver heróis vergarem, desistirem enquanto vivem apenas, já, das memórias felizes do passado, do amor que lhes deu tudo e do qual desistiram para que este pudesse sobreviver. Aqui está a morte e a esperança, o amor que desistiu para que o outro vivesse.

  Do outro lado, há as ruas largas, atarefadas e vivas da América, terra dos sonhos, destino de fuga, heroína da salvação. Aqui se sobrevive, para aqui se refugia. É nela que se quer esquecer e voltar a viver, que a esperança renasce e os pesadelos vão esmorecendo. Mulheres pensam no futuro, dão à luz, criam e salvam. Voltam a aprender a sorrir, descobrem novos sabores e sons, vestem sobre a pele novos tecidos. Mas não esquecem, jamais esquecem. Nas noites sozinhas relembram um passado gelado mas quente de um amor que não pode ser igualado. Acreditam ainda, amam ainda, por mais que tentem andar em frente. Não desistem, não baixam os braços, mesmo que isso signifique voltar, mesmo que signifique desistir, mesmo que seja a morte e não o amor que as esperam. E, egoistamente rejubilámos quando ela escolhe a loucura e a morte, à uma vida feliz mas sozinha, sempre à espera do inalcançável. Aqui, está a vida e a esperança, o amor que sobreviveu para salvar o outro.

  Página a página, parágrafo a parágrafo, aprendemos sobre a guerra, sobre a sobrevivência. Conhecemos os dois lados de um mundo quebrado, destruído pela ambição e loucura dos homens. Numa narrativa impressionante, magnífica e bela, somos levados ao extremo das emoções, sentimos na pele as dores e alegrias daqueles que conseguiram viver para contar a sua história. E somos assoberbados por um amor que nunca se desfaz nem nas amarras da distância nem do tempo. Voltámos, como naquele primeiro momento em que os seus olhares se cruzam, a apaixonarmo-nos por Tatiana e Alexander, tal como se eles se apaixonam sempre que voltam para os braços um do outro. Eles que crescem e se magoam, que quase desistem, que sobrevivem minuto a minuto com uma dor excruciante na alma, mas que nunca, nunca, esquecem o amor que os fez sorrir quando o seu mundo se desfez em pedaços de cinzas, carne desfeita e lágrimas.

  Esta é uma história de amor, sim. Das mais belas, intensas e apaixonantes que alguma vez lerão. Escrita com uma paixão e saudade imensas, escrita na dor e na morte, esta é a história de uma menina que se tornou mulher e mãe de coragem, e de um homem que foi oficial, amante e traidor, e se levantou da tumba pela vida que sonhou e ainda não viveu. É a história de duas almas que se cruzaram, se prometeram e não poderão ser separadas. Mas é também, a história de uma guerra e de um país. De uma nação desfeita em corrupção e traidora dos seus, de uma guerra que matou sem piedade, seja ao tiro, seja a fome. É a história de um povo que sonhou com anos de glória, que se atreveu a acreditar e foi assassinado pelos seus sonhos de igualdade. E Paullina dá-nos tudo isto, amor e ódio, desistência e esperança, vida e morte, num relato tão frio quanto quente, tão doce quanto amargo. 

  Apenas o início, Tatiana e Alexander é uma promessa de sonhos. É o culminar de um passado destrutivo, de um presente desfeito e o caminho para o futuro incerto mas feliz. Glorioso, terno, este livro é a sequela perfeita para um livro que havia desfeito e conquistado os seus leitores. É o antecessor daquele, que esperámos, seja o final feliz com que sonhámos a mais de mil páginas. E, Tatiana e Alexander, ainda só agora, começaram a contar-nos a maior história de amor dos nossos tempos.


As minhas Opiniões da Série
O Grande Amor da Minha Vida

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