quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A Rainha Manda... *Espera por Mim*


    Digam olá... ao último A Rainha Manda... deste ano.

  Calma, não deprimam. A rubrica vai apenas entrar em férias de Natal, já que eu e a p7 precisámos, urgentemente, de ler alguns livros super, hiper, mega importantes, até 2014 acabar. E quando digo alguns, garanto-vos, NÃO são poucos. 

  Mas antes disso acontecer, temos de vos falar das nossas leituras de Outubro (sim o hiatus também vai acontecer por causa deste atraso gigante). A leitura escolhida pela p7 do Bookeater/Booklover para mim foi, Espera por Mim, de Gayle Forman. E sim, ela adora-me, a sério. Mesmo quando escolhe livros que SABE que me vão matar lentamente... Mas enfim, continuemos!

  Tal como havia explicado neste primeiro post, depois de lidos os livros, cada uma de nós faz algumas perguntas à outra, agregadas a temas,  sobre o livro que escolhemos para ela. Aqui encontrarão as perguntas que a p7 me fez, e aqui, podem encontrar as que lhe fiz sobre a sua leitura, Rebel Angels, de Libba Bray.




p7: Fala-me do Adam e do percurso dele neste livro. (E do percurso dele desde o fim do livro anterior, na verdade.)
  Oh o Adam.. Pobre, pobre Adam. É quase desconcertante ver o quanto ele mudou desde o final de Se Eu Ficar. Para quem conheceu o rapaz cheio de sonhos e garra pelo qual a Mia se apaixonou, é triste encontrá-lo tão desiludido com a vida neste livro. Desiludido, cínico e completamente perdido. Basicamente, ele consegue tudo o que sempre quis mas a única coisa que lhe falta acabou por ser a mais decisiva, tornando-o um ser frio incapaz de exteriorizar todos os sentimentos que o preenchem como antes. 
  Não que goste dele menos, exactamente por o adorar é que como custou tanto vê-lo/lê-lo assim nesta sequela. Acho que ninguém se apercebeu do quanto o catástrofe da família da Mia o magoou também, que ele também perdeu a família nesse dia e, por isso, foi um bocadinho doloroso ver o quanto isso o transformou.


p7: Queres falar de algum dos outros personagens e de como afectam a história do Adam?
  Obrigada pela rasteira... Há uma personagem de que gostava de falar mas seria um grande spoiler para o primeiro livro. Vou só dizer que me senti tão magoada por uma certa personagem como o Adam, mas ao mesmo tempo, foi tão bom revê-la e ver o quanto cresceu e aprendeu ao longo dos anos. Sinto-me orgulhosa, principalmente, por essa personagem ter aprendido que é preciso superar a dor para depois se puder viver, que às vezes, é preciso adiar para se saber o quanto se precisa de alguma coisa. Doeu muito isso mas também a tornou mais forte e mais preparada para a felicidade.




p7: A base da narrativa é muito simples, uma noite em Nova Iorque, mas acaba por ser o mote para o Adam rever alguns momentos na sua vida e avaliar o passado, presente e futuro. Achaste a sua evolução credível?
  Sim, bastante. Como disse na primeira pergunta, nós conhecemos o Adam de Se Eu Ficar. O Adam carismático, rebelde, idealista, romântico, cheio de sonhos e vontade de lutar. E é engraçado, enquanto revemos o passado com ele, perceber como ele se tornou assim, como as pessoas e a vida o influenciaram. E, quando olhámos para um passado mais recente, mais facilmente percebemos o quanto ele se entrega às pessoas, e como perdê-las, sem que ele possa expressar a sua dor convenientemente, o leva ao Adam do presente.
  Aliás, se o Adam não tivesse sofrido a transformação que sofre, não seria o Adam. Afinal, encontrámos um rapaz que nunca pode fazer o luto pela família do seu coração, que perdeu tudo por causa do acontecimento trágico que deixou demasiadas sequelas com as quais ele nem sequer foi permitido lidar...
  E depois, podemos espreitar o Adam que perdoou e foi perdoado, o Adam que pode, finalmente, exprimir todas as dores nefastas que guardou durante três anos. E esse Adam, não sendo a criatura por quem facilmente nos apaixonámos, consegue com o que o amemos ainda mais. É um melhor Adam, um que aprendeu que os sonhos às vezes não precisam de ser magnificientes, precisam apenas de ser simples felicidade.




p7: Este é um livro contemporâneo, e por isso o worldbuilding não é um ponto focal, mas posso perguntar – a autora fez um bom trabalho em tornar credível o cenário e a situação? Gostaste da Nova Iorque retratada? Que achaste do ambiente em que o Adam se movia?
Sim fez. Aliás, o que raios é que a Gayle não consegue tornar credível, diz-me? 
Gostei de vermos os vários lados de Nova Iorque. Afinal é uma cidade multicultural, cheia de facetas e recantos, e a Gayle permite-nos ver isso, quer através de descrições emblemáticas, quer através de locais desconhecidos mas absolutamente aconchegantes... ou tristes dependendo do momento.
Acho que é uma das razões porque ele deprimiu tanto. O mundo do espectáculo não é fácil e acho que a Gayle foi inteligente ao retratá-lo. Sim, tens a fama, as luzes e a ribalta mas isso pode sugar-te a vida, o espírito, até os amigos. Tens a perseguição, o afastamento da normalidade, tanta coisa banal que para eles passa a não existir porque as pessoas acham-se com direito a invadir a intimidade dos outros só porque aparecem nas revistas e nos palcos... Penso que, mostrar o glamour e  também enclausuramento da vida dos famosos, ajudou a que tívessemos uma percepção melhor da vida do Adam e do seu estado de espírito.



p7: Já conheces a escrita da Gayle Forman. Sabes que ela escreve emocionalmente, mas estavas à espera da intensidade desta história?
Estava e não estava. Sabia que ia sofrer bastante, mas não pensei que Espera por Mim chegasse sequer aos pés do Se Eu Ficar nesses termos. E o que acabou por acontecer foi que, de uma forma diferente, este livro acaba por ser ainda mais emocional porque, não sei se se percebe o quero dizer, não tens a obrigação de sofrer. Não que sejas obrigada a sofrer no Se Eu Ficar, mas tens uma situação que é, à partida, imensamente emocional e que irá magoar-te. Neste livro, a Gayle consegue que percebámos que as consequências, às vezes, são ainda mais dolorosas que o impacto inicial. E para mim, isso é o que faz deste livro algo absolutamente lindo, apesar de doloroso, e uma das razões porque considero a Gayle uma autora absolutamente fantástica. Porque ela sabe como nos tocar profundamente, mesmo onde não sabemos que vai doer.





Para quem tiver curiosidade acerca deste livro, pode ler a minha opinião.


Passo a apresentar-vos as futuras leituras de Janeiro...


A Rainha Manda...
A p7 este mês escolheu para mim o The Assassin's Curse  da Cassandra Rose Clarke:

"Escolhi este livro porque a protagonista, Ananna, é simplesmente deliciosa. A Ananna é a herdeira de um clã de piratas, e não quer que os pais a casem com o herdeiro de outro clã. Então, dá-lhe para fugir antes do casamento, e a família do noivo manda um assassino atrás dela. Só que as coisas correm mal, abrindo a porta a uma série de peripécias.

Quero que a Patrícia conheça a Ananna e o misterioso assassino, e que se divirta com as suas peripécias; e que seja apresentada a este mundo fantástico, que é um pouco diferente do habitual, e tem tudo para a fascinar.

Boa sorte com The Assassin’s Curse, Patrícia!
"



Eu escolhi para a p7 North and South da Elizabeth Gaskell e a explicação está no blogue dela.



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