domingo, 23 de novembro de 2014

Opinião - À Beira do Lago Encantado

Título Original: A Princess in Distress
Autor: Barbara Cartland
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 172


Sinopse
Marienbad, 1905. A Europa está a preparar-se para a guerra e os países aliam-se uns com os outros e contra outros.

Mariska fica surpreendida e chocada quando o Alto Comando alemão espera que ela faça o papel de espia - e com medo da fúria do marido, caso recuse.
Em Marienbad para informar o rei Eduardo VII dos últimos acontecimentos no palco europeu, Lorde Arkley conhece a bela e infeliz Mariska. Ela é casada com o sádico príncipe Friederich de Wilzenstein, um homem condenado a uma cadeira de rodas pelos efeitos da bomba de um anarquista.
Arkley e Mariska são atraídos para uma assustadora teia de intrigas e espionagem numa história dramática com um final surpreendente.


Biografia
  Mary Barbara Hamilton Cartland nasceu em Birmigham, Inglaterra, em 1901, e foi considerada pela Vogue como “a verdadeira Rainha do Romance”. Com mais de 760 livros publicados, alguns deles adaptados a filmes, a autora começou como colunista de mexericos no Daily Express, publicando em 1923 o seu primeiro livro, Jigsaw. Encontra-se no livro de recordes do Guinness por os seus livros terem vendido mais de 1000 milhões de cópias por todo o mundo. Também escreveu biografias, autobiografias, livros de saúde e cozinha e até músicas de amor. Era presença assídua em eventos onde sempre envergou a sua cor preferida, cor-de-rosa e falava de amor, saúde e problemas sociais.

  Foi condecorada como Dame Commander da Ordem do Império Britânico pela rainha Elizabeth II em 1991 pela sua contribuição para a cultura britânica. Casou duas vezes, tendo o primeiro casamento acabado num escandaloso divórcio, o que não a coibiu anos mais tarde, de condenar a enteada da filha, a princesa Diana, pelo fim do casamento dela com o príncipe Charles. Os últimos anos da sua vida foram marcados pela sua forte posição conservadora. Faleceu em 2000, estando enterrada em Hatfield, debaixo de uma árvore plantada por Elizabeth I. Deixou ainda, cerca de 160 manuscritos que serão postumamente publicados.

  À Beira do Lago Encantado foi publicado em 1978 e é das suas obras menos conhecidas. Está é a primeira vez que é traduzido para outra língua.


Opinião
  Barbara Cartland é a musa entre as musas. Poucas autoras da actualidade não a apontam como uma das suas inspirações. É das romancistas mais publicadas do mundo. Razões mais do que suficientes para que eu, uma fã incontestável de romances históricos, devorasse as curtas páginas de À Beira do Lago Encantado. Assim que iniciamos esta leitura é quase perceptível o porquê do sucesso desta autora. A sua escrita evoca outros tempos, outros costumes. Envolve-nos em doçura, cavalheirismo e contos de fadas. Fala-nos de amores à primeira vista, honra e veneração. É uma mulher de outra época a encantar-nos com um mundo com que já só sonhámos. Este livro tinha então, todos os ingredientes para nos maravilhar, contudo, não chegámos sequer a apreender a história quanto mais a imensidão do talento desta autora.

  À primeira vista, temos uma narrativa cheia de promessas. Romance, espionagem, drama, todos os motivos para uma história galante e romântica de sonho. Somos deslumbrados com os pequenos pormenores históricos com que a autora nos presenteia. Somos levados a acreditar que seremos deliciados com uma história de amor digna de príncipes e princesas. Mas o que realmente encontrei desiludiu-me. Apesar do detalhe da época, das personalidades que encontrámos nesta história, incluindo uma portuguesa, o resto da narrativa é, a falta de um termo melhor, vazia. 

  Nas curtas páginas deste livro nada é desenvolvido. A questão da espionagem é referida mas nunca aprofundada, sendo apenas dado ao leitor uma pequena noção do que se passa, de quem não gosta de quem e porquê. O romance nunca acontece. O casal encontra-se três ou quatro vezes, nunca tem um momento considerado íntimo ou que de facto os tenha aproximado. Basicamente, ele acha-a linda, ela acha-o galante e depois de dois encontros ele declara-se. As personagens em si são estereótipos do que um cavalheiro, uma dama, um rei e um vilão deviam ser. Não há nada que os evidencie, nada de pessoal que os caracterize. E o final acaba por ser uma rápida resolução para o felizes para sempre. Ou seja, foi uma leitura rápida, insípida e facilmente esquecível em que o leitor nunca é permitido a conhecer de facto o que se desenvolveu à sua frente.

  À Beira do Lago Encantado não foi, para mim, a melhor maneira de conhecer Barbara Cartland, para muita pena minha que tinha uma enorme curiosidade pelos livros desta autora.

8 comentários:

  1. tinha alguma (pouca) curiosidade mas agora...não nop! :P

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  2. Chiça penico mas não há um livro mesmo bom publicado pela Quinta Essência? O.O Tirando o Lado perdido que foi excelente o resto tem sido ou muito morno ou um terror :|

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    1. Bem, tirando este eu nem me posso queixar muito do que li este ano da QE... Mas também não foram muitos.

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  3. Epá, já tinha lido a sinopse deste livro algures e parecia interessante para o género. Afinal, acho que é melhor manter-me a léguas...
    Beijinho

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  4. Já me tinham dito que nos livros desta autora é tudo muito platónico e as histórias muito simples. Nem me dei ao trabalho de comprar. O que me espanta é a ASA apostar nestes flops (ou melhor dizendo, nestas tentativas de nos enfiar o barrete). Mas pensando bem nem me deveria admirar pois trata-se da mesma editora que destruiu a trilogia da Paullina Simons, aldrabando-a, com recurso ao corte e costura e deixando um monte de pessoas que estavam delirantes por ler o último livro de mãos a abanar. Quem quiser ler o último vai ter que terminar a trilogia em inglês e isso podemos agradecer à Asa..

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    1. Primeiramente, quero chamar a atenção para o facto de que este livro é da Quinta Essência, não da ASA. Apesar de pertencerem ao mesmo grupo editorial, a Leya, não são a mesma coisa.

      Quanto à Barbara Cartland, apesar de ter ouvido o mesmo, também penso que a aposta foi mal feita. Publicar o mais fraco e menos conhecido livro da autora no meio das centenas que ela escreveu não foi, de todo, um golpe de génio. Eu pelo menos não penso voltar a ler nada dela.

      Quanto ao assunto Paullina Simons, esse sim da responsabilidade da ASA, reitero o que tenho vindo a dizer: foi uma vergonha. Uma autora deste calibre ser tão mal tratada numa editora como esta é de nos deixar estupefactos. Serei uma das que lerá o último livro em inglês, certamente.

      Esperemos que tenha sido uma situação única, pois seria muito triste voltar a acontecer quando a ASA tem apostado em excelentes autores nos últimos anos.

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