segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Opinião - O Palácio de Inverno

Título Original: The Winter Palace (#1 Catherine)
Autor: Eva Stachniak
Editora: Casa das Letras
Número de Páginas: 536


Sinopse
Quando Vavara, uma jovem órfã polaca, chega à ofuscante e perigosa corte da imperatriz Isabel em Sampetersburgo, é iniciada em tarefas que vão desde o espreitar pela fechadura até à arte de seduzir, aprendendo, acima de tudo, a ser silenciosa - e a escutar.
Chega, então, da Prússia Sofia, uma frágil princesa herdeira, a potencial noiva do herdeiro da imperatriz. Incumbida de a vigiar, Vavara em breve se torna sua amiga e confidente e ajuda-a a mover-se por entre as ligações ilícitas e as volúveis e traiçoeiras alianças que dominam a corte.
Mas o destino de Sofia é tornar-se a ilustre Catarina, a Grande. Serão as suas ambições mais elevadas e de longo alcance? Será que nada a deterá para conquistar o poder absoluto?


Biografia
  Eva Stachniak nasceu em Wroclaw, na Polónia mas o inglês é a sua segunda língua, já que a sua mãe insistiu que a aprendesse desde cedo. Isso, levou-a ao ensino no Departamento de Inglês da Universidade de Wroclaw, trabalho que abandonou em 1981 quando ganhou uma bolsa da Universidade McGill, no Canadá, onde viria a fazer o seu doutoramento. Aí, trabalhou na rádio e foi assistente universitária de Inglês e Humanidades.

  Publicou a sua primeira história em 1994, um conto chamado Marble Heroes, e o seu primeiro romance Necessary Lies em 2000.

  O Palácio do Inverno foi o seu quinto livro, tendo sido publicado em 2012, e dá início a uma série sobre Catarina, a Grande. Está traduzido para sete línguas.


Opinião
  A Rússia czarista sempre exerceu um forte fascínio em mim. Culpem Anastasia se quiserem. Mas, na literatura, poucas vezes posso dar azo a esse interesse, o que faz com que livros como O Palácio de Inverno, sejam, imediatamente leitura obrigatória. E esta, em especial, foi tudo o que podia ter pedido e mais ainda. Eva Stachniak, escreve com requinte e beleza, deslumbrando-nos através de palavras apaixonadas e descrições que nos cantam à alma. Esta história de paixões e conspirações, é um hino de amor, mas também de desencanto à Rússia do século XVIII. Um retrato soberbo, não só de um país e de uma corte, como dos pecados e segredos de duas das imperatrizes que mais brilharam no palco do poder dos Romanov, este livro é uma delícia que irá conquistar quem o leia. Página à página, história e ficção imiscuem-se na perfeição e, através de uma voz inesquecível, somos levados através dos tempos até ao frio decadente e luxuoso de São Petersburgo, onde a vida de Catarina a Grande, está apenas prestes a começar.

  Nos salões de baile, intrigas são começadas por trás de leques e palavras sussurradas. Vénias são feitas com medo e falsa amizade, verdades são distorcidas para agradar. À secretária do poder, mentiras são descobertas e usadas em proveito próprio, conspirações são urdidas, favores são dados em troca da alma . Nos quartos privados, amores proibidos são acesos e vinganças são sonhadas. A um gesto, pedestais caem, uma palavra certa e, de diamantes são cobertos. Espelhos distorcidos, forram paredes com mil ouvidos. Não existe carinho ou confiança, mas os sentimentos, sejam o mais gelado dos ódios ou a mais ardente das paixões, suscitam uma ambição sem limite. É com um detalhe histórico riquíssimo, que a autora nos presenteia ao longo deste livro, permitindo-nos entrar nas vidas, quer da família imperial, quer da corte, quer dos subalternos, sejam criadas, espiões ou soldados, de uma forma quase íntima. Desde os mitos à verdade inquestionável tudo serve, para tecer um enredo fascinante, onde não faltam intrigas e traições, amores e vinganças. Um enredo onde a paz é ilusão e as batalhas são lutadas dentro de palácios.

  Uma narrativa apaixonante, sem dúvida. Uma história contada com fluidez, que rapidamente nos agarra e enfeitiça. E para torná-la ainda mais magnífica, personagens tão míticas quanto reais. Vis mas solitárias, doces mas poderosas, misteriosas mas enganadoras, sejam ficcionais ou inspiradas em figuras reais, cada uma delas é mais um motivo para lermos este livro. Principalmente quando falámos de Catarina e Vavara. É com um encanto precioso que a autora nos deixa ver Sophie transformar-se em Catarina. De menina tímida e doce, meio infeliz e abandonada, à imperatriz cativante e poderosa, vai um longo caminho de espinhos e desilusões, com alegrias fugazes, caminho que veremos através dos olhos da inesquecível Vavara. Órfã e espia, ela é a voz que nos encanta e desencanta, os ouvidos que tudo sabem, a jovem que se move por passagens secretas e depois pelas portas principais. É Vavara, que acaba por personificar o ofuscamento e, mais tarde, a desilusão que também nos toma.

  Glorioso e decadente. Atrevo-me mesmo a dizer perfeito. Assim é O Palácio de Inverno. Um livro magistral que nos dá a conhecer uma autora de enorme talento. Sem dúvida, um dos melhores livros deste ano.

2 comentários:

  1. Patrícia, mais uma magnífica opinião!!!
    Não páras de aumentar a minha wishlist :p

    beijinhos*

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    1. Obrigada Jojo *.*

      Sempre às ordens =D

      beijinhos***

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