terça-feira, 18 de novembro de 2014

Opinião - Orgulho e Prazer

Título Original: Pride and Passion
Autor: Sylvia Day
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 284


Sinopse
Após a morte do pai, Eliza Martin torna-se uma das herdeiras mais desejadas pelos caçadores de fortunas. Todos a elogiam e enganam, mas ela resiste. Até que começa a sofrer uma série de acidentes que ameaçam a sua vida e se vê obrigada a recorrer a uma pessoa que se infiltre entre os seus pretendentes para descobrir quem está por trás da trama. Alguém que não dê nas vistas, que saiba dançar e seja calmo.

O atraente e sedutor detetive Jasper Bond é demasiado grande, demasiado bonito e demasiado perigoso. Quem iria acreditar que uma intelectual como Eliza se deixaria seduzir por um homem de ação? Mas a combinação da teimosia dela e do mistério é irresistível para Jasper. Deixar a sua cliente satisfeita é uma questão de orgulho. Mostrar-lhe que é o homem de que ela precisa será um prazer...


Biografia
  Autora de mais de vinte romances premiados e traduzidos em mais de quarenta línguas, Sylvia Day é uma das romancistas de maior sucesso da actualidade, sendo também uma das mais lidas globalmente. Presidente actual da Romance Writers of America, Sylvia começou a escrever em 2001 mas foi com a sua série Crossfire, onze anos depois, que o seu nome ficou na boca do mundo. Considerada a rival mais directa de E. L. James, Sylvia já recebeu inúmeros prémios e, para além dos livros que já publicou, participou também em várias antologias e escreveu outros tantos contos. Participa em diversas conferências de leituras bem como em workshops e, para além de escrever como Sylvia Day, tem dois pseudónimos, escrevendo romance erótico em vários géneros. Crossfire tem os seus direitos para cinema vendidos à Lionsgate.

  Publicado em 2011, Orgulho e Prazer é um dos quatro romances históricos que a autora escreveu antes de Crossfire, e está traduzido para oito línguas.


Opinião
  Foi preciso Pecado, para Sylvia Day se redimir aos meus olhos mas, a questão mantinha-se: pazes feitas ou golpe de sorte? Orgulho e Prazer era por isso, uma leitura em que depositava expectativas e algum receio, uma leitura que tanto podia ser maravilhosa como revelar-se pouco tentadora. A verdade é que escusava de me ter preocupado. Mais uma vez, a autora entrega-nos uma história de paixões e luxúria, que nos cativa tanto pela crueza das suas palavras como pela elegância com que as utiliza, palavras que conseguem ser escaldantes e doces na mesma medida. Apesar de não ter gostado tanto deste livro como do que li anteriormente, já não posso escapar à evidência de que, às vezes, consigo apreciar, e muito, esta autora.

  Numa narrativa dominada pelo romance e pelo mistério, o leitor é envolvido numa trama fluída à qual não faltam confrontos, segredos e escândalos. As páginas voam quase sem darmos conta, recheadas de momentos que nos fazem corar mas, também, de momentos que nos permitem celebrar o amor na sua forma mais honesta. Eliza e Jasper são duas pessoas completamente diferentes que se atraem como ímanes, que aprendem a complementarem-se, a aceitarem-se, sem reservas. São um casal com ideias fixas e personalidades fortes que não se deixam dominar um pelo outro mas, tenho pena da rapidez com que a autora os atirou para os braços um do outro. Gostava de ter visto a relação deles a crescer passo a passo, penso que teria sido mais credível que toda a paixão e possessividade imediata que sentimos quase desde o início e que acabou por nos permitir apaixonar por este casal como eles se apaixonaram.

  As outras razões que me deixaram de pé atrás nesta história foram, primeiro, a excessiva importância dada ao passado de Jasper para depois não acontecer nada de bombástico. Levámos imenso tempo a vê-lo com sede de vingança para no final nunca haver um momento em que ele enfrenta verdadeiramente o passado, o que não me parece muito plausível. Gostava que ele tivesse tido realmente um momento para fazer as pazes consigo mesmo. A outra, é a forma como a autora quase coloca de lado o mistério que apresentou o casal, acabando por não o explorar devidamente ao longo do enredo. Contudo, neste caso, a situação salva-se nas últimas páginas, em que se dá uma reviravolta completamente inesperada. Mesmo assim, gostava de ter visto um melhor equilíbrio entre o romance e o mistério.

  No entanto, este livro não deixa de ser uma leitura envolvente, afinal, está recheado de personagens carismáticas que, podendo não ser apaixonantes, também não são de todo detestáveis. Eliza, por exemplo, rapidamente merece o nosso respeito pela sua inteligência e respostas sempre directas, bem como pelo facto de não se deixar dominar por homem nenhum na sua vida. Já Jasper, sinto que entrou mais no perfil cliché de protagonista possessivo e dominador, apesar de nas páginas finais se redimir. Mas adorável é o tio de Eliza. Que personagem mais divertida e no meio da sua pseudo loucura, o mais sensato de todos, sem dúvida.


  Orgulho e Prazer, apesar das suas falhas, acaba por nos proporcionar umas horas de puro entretenimento, o que muitas vezes, é apenas o que necessitamos.

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