quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Opinião - Will e Will

Título Original: Will Grayson, Will Grayson
Autor: Jonh Green e David Levithan
Editora: ASA
Número de Páginas: 308


Sinopse
Evanston não fica muito longe de Naperville nos subúrbios de Chicago, mas os jovens Will Grayson e Will Grayson bem que podiam viver em planetas diferentes. Quando o destino os leva à mesma encruzilhada, os Will Graysons veem as suas vidas a sobreporem-se e a seguirem novas e inesperadas direções. Com um empurrão de amigos novos e velhos - incluindo o enorme e enormemente fabuloso Tiny Cooper, jogador ofensivo na equipa de futebol americano da escola e autor de musicais - Will e Will embarcam nas suas respetivas aventuras românticas e na produção épica do musical mais extraordinário da história.


Biografia
  David Levithan publicou o primeiro livro em 2003, tendo neste momento dezoito livros publicados, alguns em colaboração com outros autores, para além de ter colaborado em várias antologias. É também editor fundador da PUSH, uma chancela da Scholastic Press. Nos tempos livres tira fotografias.

  John Green publicou o seu primeiro livro em 2005, tendo neste momento publicados cinco livros. Já participou em várias antologias e é co-fundador do The Vlog Brothers, com o seu irmão. Todos os direitos dos seus livros estão vendidos para Hollywood, excepto Will e Will, tendo este ano estreado A Culpa é das Estrelas, e estão a decorrer as gravações de Cidades de Papel.

  Will e Will é um livro conjunto dos dois autores e foi publicado em 2009. Está traduzido para onze línguas e ganhou três prémios.


Opinião
  Juntar dois grandes nomes da literatura juvenil actual num livro é razão suficiente para criar expectativas no leitor. Grandes expectativas, aliás. À partida, espera-se logo uma história marcante e, quando se conhece um dos autores e se sabe do que ele é capaz, espera-se, sem dúvida, uma obra que nos fará reviver a adolescência em toda a sua glória, desilusões e temores incluídos. Principalmente, quando este livro fala de um tema ainda tabu quase: a homossexualidade. Eu tinha essas expectativas para Will e Will. Afinal estamos a falar de John Green, um autor que adoro, e de David Levithan, que colhe elogios por onde passa. Mas, a verdade, é que passado quase um mês de ter lido este livro, ainda sinto um sabor amargo quando penso nele. Talvez as expectativas fossem demasiado elevadas, talvez tenha concebido na minha cabeça uma ideia totalmente diferente do que Will e Will seria. Talvez, tenha sido isso e mais alguma coisa. Mas a horrorosa realidade, é que ao contrário de tantos outros leitores, fiquei desiludida com este livro. Não, fiquei muito desiludida com este livro. 

  Contada a duas vozes, esta história tem dois lados completamente diferentes, um cómico e outro deprimente, que se complementam. Alias, se há elogio que este livro merece, é a forma como Levithan e Green se equilibram, apesar dos estilos notoriamente diferentes. Cabe a Green a parte cómica da história, capítulos onde podemos encontrar novamente as suas piadas e crises existenciais, as teorias filosóficas que só um adolescente greeniano pode ter, onde de uma forma exageradamente divertida, como sempre, Green nos faz reflectir sobre as transformações da adolescência. Já Levithan apresenta-se na parte depressiva da narrativa, numa escrita de humor negro e agressiva que, espantosamente, me conquistou na primeira frase. Existe uma autenticidade em Levithan, uma honestidade tal, que somos imediatamente arrebatados. Com este autor não há fingimentos ou piadas. Há sim, uma crueza transparente que soa quase lírica aos meus ouvidos. Sim, adorei conhecer Levithan mas este autor conseguiu fazer uma coisa que não ajudou à leitura deste livro. Fez-me notar os clichés já usados e abusados por Green. Fez-me perceber que começo a sentir-me saturada da mesma fórmula, que neste livro acaba por soar a forçada.

  Há, por isso, para mim dois momentos no enredo deste livro. O momento Will Grayson levithano, por exemplo, magoou-me. Fez-me chorar, deprimir, reflectir em como os outros nos podem destruir ou tornar mais fortes. Demonstrou, de uma forma dolorosa e real, o que sente e pensa um adolescente que não entra no estereotipo. Criou em mim uma tempestade de emoções que nunca poderá ser ultrapassada, porque é a realidade. Não uma forma cor-de-rosa de ver a vida. Mas a, por vezes, dura realidade que quem é diferente enfrenta todos os dias. É a tal honestidade que Levithan imprime em cada palavra e soa a cada frase. Contudo, se nos capítulos de Levithan fui literalmente atropelada por um camião de emoções os capítulos de Green foram um tormento. Porque tristemente, não me deram nada, não me fizeram sentir nada. O que encontrei nessa parte da história foi uma visão cor-de-rosa, irrealista e irritantemente estereotipada, para além da já comum fórmula deste autor. Sinceramente, fez-me sentir revoltada nuns momentos, e completamente apática noutros.

  O que me leva ao cerne do meu problema com este livro: Tiny Cooper. Este é, na realidade, o verdadeiro protagonista desta história. E é das personagens que mais detestei na minha vida. Tiny Cooper é o vórtice sobre o qual a história gira, infelizmente. É também, uma caricatura demasiado exagerada para o meu gosto. Como se isso não bastasse, é a criatura mais egoísta, egocêntrica e vazia que já li. E a razão das razões para a leitura deste livro ter sido uma tortura. Salvou-me o Will Grayson de Levithan, essa personagem soberba e real que merecia um livro só dele. Sim, ele é deprimido. Sim, ele é agressivo. Mas há tantas camadas neste Will, tantas maravilhosas e complexas camadas. Mas, infelizmente, em vez de o ver ter um final feliz, vi-me a braços com um final que... bem definitivamente não me encheu as medidas.

  Will e Will foi assim, uma leitura que me provocou várias reacções completamente opostas entre si. E, infelizmente, as coisas boas não conseguem apagar as más memórias que esta história me deixou.

2 comentários:

  1. Homónima, lê o Every Day do Levithan. É um dos meus livros favoritos de sempre... tão cru e original quanto emotivo. Quanto a este, confesso-me curiosa. Ainda li uma página ou duas mas achei que a tradução não estava ao nível da pureza da escrita dos autores e por isso vou ler em Inglês, o que faz com que ainda não o tenha lido... mas é, realmente, uma pena não teres gostado. Espero não sair, também, desiludida desta leitura.

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    1. Vou acrescentar à wishlist =D Gostei muito da escrita dele, aliás foi a única coisa que gostei...

      Espero que não Homónima, já basta uma em trauma =s

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