quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Opinião - Confissões de Maria Antonieta

Título Original: Confessions of Marie Antoinette (#3 Maria Antomieta)
Autor: Juliet Grey
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 376


Sinopse
Versalhes, 1789.

A rebelião crescente chega às portas do palácio, e Maria Antonieta vê a sua vida privilegiada e pacífica rapidamente substituída pela violência.
Uma vez que seus leais súbditos, o povo de França, procuram derrubar a coroa, colocando os herdeiros da dinastia Bourbon em perigo mortal. 

Levados para o Palácio das Tulherias, em Paris, a família real é posta no coração da Revolução. Apesar de alguns aliados fiéis, são cercados por espiões astutos e inimigos ferozes.

No entanto, apesar das ameaças políticas e pessoais contra si, Maria Antonieta permanece, acima de tudo, uma esposa dedicada e mãe, ao lado do marido, Luís XVI, e ao tentar proteger os filhos. 

E, embora a rainha secretamente tente organizar o resgate da família das garras dos revolucionários, acaba por descobrir que não podem fugir nem dos perigos que os cercam, nem escapar de seu destino chocante.


Biografia
  Escritora especializada em realeza, Juliet Grey divide o tempo entre a escrita e decorar textos para aos inúmeros papéis que representa enquanto actriz de teatro clássico, sejam virgens, feiticeiras ou vilãs. Apaixonada pela vida da última rainha de França, Maria Antonieta, não é de espantar que seja sobre ela a sua primeira trilogia, que iniciou em 2011. Vive entre Nova Iorque e Washington D.C.. 

  Confissões de Maria Antonieta é o último volume da trilogia e foi publicado em 2013. Está traduzido para português e checo.


Opinião
  Todos nós sabemos como tudo isto acaba. A revolução, o exílio, a guilhotina. E por isso mesmo, pensei que poderia manter a distância, pensei que seria mais fácil. Mas Juliet Grey trocou-me as voltas e, do seu jeito notável e brilhante, mostrou-me que por sabermos os factos, não quer dizer que não possamos sentir ou importarmo-nos. Confissões de Maria Antonieta é um final arrebatador, doloroso até, um final que nos faz olhar a História e a mulher com outros olhos. Terminando de uma forma soberba uma trilogia inesquecível sobre a rainha mais odiada da França, Juliet Grey ganha o seu lugar inevitável, e muito merecido, entre os meus autores preferidos do género. Dos escândalos e da glória, para o ódio e a derrota, Maria Antonieta vive e respira nesta trilogia, imortalizando-se, não como a rainha detestada, mas como a jovem que não podia vencer as mudanças causadas por séculos de despotismo.

  Longe vão os tempos dos vestidos deslumbrantes, das jóias luxuosas, das festas decadentes. Longe vão os tempos de esperança e vitória. Numa narrativa marcada pela dor e a perda, a desolação e a inevitável tragédia, somos arrastados para a História. Vivemo-la, sentimos as suas rodas moverem-se sem compaixão, e assistimos aos dois lados de um país há muito perdido para a decadência e a incompreensão. Os sonhos de uns são os pesadelos de outros, mas a nobreza dos ideais justificam os meios? O paraíso de um mundo em que somos todos iguais justifica o ódio crescente, o sangue derramado, a destruição em escala? Numa visão transparente e poderosa, podemos ver os tumultos, a alegria das ruas parisienses e o luto e desolação atroz, bem como a incredulidade, que se viveu nas Tulherias. Somos colocados no meio da revolução, vivemo-la, e por muito que a percebamos, damos por nós a questionar-nos, damos por sufocarmos numa anarquia que perdeu o sentido de justiça e perdão.

  É este o poder arrasador de Juliet Grey. Dá-nos a História sem esconder nada, dá-nos o lado dos vencedores e dos perdedores. Dá-nos o lado de um povo cheio de fome, abusado e usado durante séculos, perdido no esquecimento e nas promessas vãs de quem devia protege-lo. Mas também nos dá uma família, que no meio da intriga e conspiração, da traição e incompreensão, aprendeu as suas lições, uma família que aprendeu a amar-se. E oferece-nos, esta mulher mimada e infantil, ingénua e desejosa de amor, que lutou fervorosamente por um lugar, que viveu sobre o escrutínio odioso e o escárnio cínico durante anos e, mesmo assim, nunca perdeu a vontade de viver e amar. Numa narrativa brilhante, inspiradora e notável, onde os pormenores históricos são tão preciosamente usados, aprendemos, principalmente, sobre esta Maria Antonieta, esta rainha exilada, que amou os filhos, o marido e um país que sempre a odiou.

  Trazer humanidade a uma figura histórica não é fácil. Apresenta-la com todas as suas falhas e defeitos e, mesmo assim, conseguir com que vejamos as suas qualidades, também não o é. Mas esta autora consegue-o. Maria Antonieta, a mulher do final, cresceu muito desde o primeiro livro. Viveu na ingenuidade e no luxo, dividiu-se entre as duas casas do seu coração, os dois homens da sua vida. Mas foi uma mãe terna e apaixonada. Tentou ser uma rainha que respeitassem. Aprendeu a amar o homem que foi rei na altura errada. E se a odiámos e desprezámos, se sentimos pena dela, neste livro aprendemos a compreendê-la, a perdoá-la. Chorámos e gritámos com ela, quando perde não o palácio, o luxo e o título, mas sim quando perde o marido e os filhos, a esperança. E mesmo sabendo que a guilhotina caíra, nesse momento, em vez de vazio, sentimos tanto que talvez seja demais.

  Confissões de Maria Antonieta termina de forma gloriosa uma trilogia soberba sobre esta rainha condenada. Uma trilogia que aconselho a todos sem excepção porque Juliet Grey é uma autora que merece ser lida e conhecida. Agora é esperar com ansiedade pelo seu próximo projecto.


As minhas Opiniões da Trilogia

Sem comentários:

Enviar um comentário