terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Opinião - The Assassin's Curse

Título Original: The Assassin's Curse (#1 The Assassin's Curse)
Autor: Cassandra Rose Clarke
Editora: Strange Chemistry
Número de Páginas: 298


Sinopse
Ananna of the Tanarau abandons ship when her parents try to marry her off to another pirate clan. But that only prompts the scorned clan to send an assassin after her. When Ananna faces him down one night, armed with magic she doesn't really know how to use, she accidentally activates a curse binding them together. 

To break the spell, Ananna and the assassin must complete three impossible tasks--all while grappling with evil wizards, floating islands, haughty manticores, runaway nobility, strange magic...and the growing romantic tension between them.


Biografia
  Cassandra Rose Clarke formou-se em Inglês e Escrita Criativa, dando actualmente aulas sobre composição e retórica. É dona de dois gatos e fez de Oráculo numa adaptação de Rei Édipo inspirada em Star Wars.

  Publicou o primeiro livro em 2012, The Assassin's Curse, vencedor do YALSA's 2014 Best Fiction for Young Adult.


Opinião
  O meu fascínio por piratas vem de há muito tempo. Os livros de Emilio Salgari e o tenebroso A Ilha do Tesouro, suscitaram-me cedo o gosto pelas aventuras no mar, gosto que o franchising Piratas das Caraíbas e a série Velas Negras só viria a intensificar. Sou, aliás, daquelas pessoas que pensa que já não há livros suficientes sobre piratas, ou não tenho a sorte de os encontrar. Foi fácil então convencerem-me a ler este The Assassin's Curse, um livro sobre piratas e assassinos cheio de magia que se revelou uma leitura entusiasmante, impossível de se largar, que evoca os perigos e aventuras dessas saudosas histórias que me encantaram na infância. Cassandra Rose Clarke é detentora de uma imaginação fértil e de uma escrita fluída e viciante, que impregnada de humor e um leve drama, tem a capacidade de nos transportar para as páginas do seu livro, fazendo-nos esquecer o mundo real por umas deliciosas horas de diversão. Por isso não se espantem se, enquanto estiverem a ler, forem capazes de sentir o sabor salgado do mar ou a secura do deserto. Prometo-vos que é algo normal quando se trata deste livro.

  Com subtileza, é nos apresentado um mundo que vai buscar múltiplas culturas e conhecimentos, onde não falta magia de todos os géneros nem heróis e vilões de todos os tipos. Um mundo complexo e bem construído mas que deixa o suficiente em branco para que possamos dar rédea solta à nossa imaginação, esta história tem um pouco de Mil e Uma Noites, um pouco de Barba Negra, e outras coisas que nada têm a ver. Mas essa aparente salganhada acaba por resultar numa narrativa cheia de acção e percalços, com muitos momentos hilariantes e onde o mistério nunca acaba, pois cada revelaçãozinha só dá azo a uma curiosidade ainda mais insana. Cada aventura, fuga, luta, zanga, e sabe-se lá que mais tragédia que acontece, permite-nos descobrir um pouco mais desta história bem como das personagens. É engraçado como, apesar do ritmo viciante que esta leitura tem, o desenvolvimento da relação entre os protagonistas acaba por ser tortuosamente mais lenta, o que surpreendentemente, em vez de nos aborrecer, só nos leva a deliciar-nos ainda mais com Naji e Ananna, inimigos mortais que se exasperam até à medula.

Deixem-me falar aliás, de como o Naji é desesperante. Um túmulo sobre tudo o que a ele concerne, o assassino é capaz de nos irritar profundamente mas, conforme vamos descobrindo coisas sobre o seu passado e as suas fragilidades e temores, acabámos por lhe ganhar um certo carinho e uma necessidade de o proteger que, por mais que ele tente se fazer de mau, não evapora nem um bocadinho. Nem quando ele é parvo e esconde o que não deve. Já a Ananna, a nossa pirata, é impulsiva, resmungona e não precisa que ninguém a salve, pois é desenrascada e corajosa que chegue. É tão refrescante ter uma protagonista que não se deixa abalar por nada, mesmo quando a sua fé é perigosa e inconsciente. Apesar de serem tão diferentes, a Ananna e o Naji acabam por se complementarem e é muito interessante ver como a sua relação vai evoluindo conforme se conhecem melhor. As personagens secundárias são mais misteriosas mas não menos carismáticas, e para o mal ou para o bem, todas acabam por ter o seu papel nos destinos do assassino e da pirata.

  The Assassin's Curse é uma mistura entre velhas histórias e originalidade, o que lhe vale uma “personalidade” marcante e carismática que vicia o leitor nas suas páginas, tão bem criadas e desenvolvidas pela autora, Cassandra Rose Clarke, um talento escondido que merece e deve ser descoberta.

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