sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Opinião - O Prazer

Título Original: The Prince of Pleasure (#5 Notorious)
Autor: Nicole Jordan
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 368


Sinopse
Jeremy Dare North, marquês de Wolverton, é um espião e um libertino. Frio e calculista, no passado tinha sido um jovem apaixonado, disposto a fugir e a deixar tudo pela sua amada. Mas a traição desta levou-o a alistar-se no exército e a fechar para sempre o seu coração. Anos mais tarde, quando a traição ameaça a Coroa, Dare vê-se forçado a recrutar Julienne, o seu primeiro e único amor, para o ajudar a desmascarar um traidor mortífero. Forçada a trair o único homem que amou, Julienne quer apenas esquecer a terna paixão que ambos conheceram em jovens. Porém, quando Dare anuncia publicamente que a tomará de novo como amante, ela responde ao desafio com um da sua autoria: fazer ajoelhar aquele homem arrogante. O reencontro do casal desencadeará muitas paixões e um perigoso jogo de sedução. No final, juntos descobrirão o que Dare negou toda a sua vida: que não existe maior prazer que o verdadeiro amor.


Biografia
  Tendo crescido num ambiente militar, Nicole mudou de casa frequentemente graças às deslocações do pai, acabando por fazer o ensino secundário na Alemanha. Acabaria por regressar para tirar Engenharia Civil no Georgia Tech e hoje mora com o marido nas Montanhas Rochosas mais as suas crianças (os cavalos).

  Com mais de vinte livros publicados, Nicole começou a escrever em 1987 e nunca mais parou. Cinco milhões de livros impressos, vários bestsellers e prémios, já a consagraram como uma das autoras mais lidas do género.

  O Prazer é o último volume da sua segunda série mais popular, Notorious, e a única publicada em Portugal. Está traduzido para cinco línguas e foi publicado pela primeira vez em 2003.


Opinião
  Eu não podia voltar a ignorar o poder de sedução de Nicole Jordan depois de ter lido o sonhador O Êxtase, livro que me relembrou a sua capacidade para escrever histórias cheias de humor e provocação. Por isso, foi com uma grande vontade de me perder por umas horas na escrita escandalosa e romântica desta senhora, que iniciei a leitura de O Prazer, um romance quase à altura das minhas expectativas. Escaldante do início ao fim, surpreendentemente terno e esperançoso nalguns momentos, este livro podia ter sido perfeito. Mas, mesmo não o sendo, é impossível não nos deixarmos arrebatar por um amor que sobreviveu a tudo, como o de Dare e Julienne.

  O romance é tórrido, de tal forma que muitas vezes sentimos o calor transbordar das páginas. É quase uma dança a forma como os protagonistas se enredam um no outro, primeiro por vingança e desejo, depois por amor e rendição. Ao longo de uma narrativa provocante, vamos desfazendo uma teia de mal-entendidos, traições e mentiras, o que culminará, finalmente, em confissões amargas e chocantes, mas também libertadoras. Da primeira à última página, somos arrebatados pela obsessão, pela intensidade da fúria e paixão que Dare e Julienne sentem um pelo outro, para depois sermos surpreendidos pela doçura das suas lembranças e dos seus perdões. Um casal que vai do gelado ao escaldante em segundos, eles são tão intensos que por vezes o leitor até se pode sentir sufocado pelos seus sentimentos extremos.

  Mas esta história não é só feita de lençóis enrodilhados. Temas controversos como a prostituição, a violação e a queda social são abordados ao longo desta história através do passado de uma personagem, que de uma forma admirável, acaba por expor as situações degradantes a que se sujeitou com grande coragem. Esta é, aliás, uma das razões porque gosto desta autora, por abordar assuntos tabu com tanta intensidade mas, neste livro achei que à dada altura já se estava a cair um bocadinho para o exagero. Por outro lado, a parte da espionagem serviu para trazer mais momentos de perigo e acção à história, pois apesar de incluir extorsão e assassinatos, serviu para desanuviar um pouco do romance.

  Não que eu não tenha gostado da Julienne e do Dare. A Julienne é uma mulher directa e corajosa, alguém que não tem pudor em assumir quem é. Já o Dare tem muitas camadas camufladas, ora um sedutor libertino, ora um menino perdido. Mas acabei por não criar uma verdadeira empatia com eles, apesar de funcionarem muito bem como casal, porque a relação deles é tão intensa que por vezes parecia exagerada. Além de que eles demoram imenso tempo a resolverem os problemas um com outro, quando é notário que isso devia ter sido a primeira coisa que deviam ter feito em vez de tornarem os seus sentimentos ainda mais confusos. 

  O Prazer só peca realmente por ser exagerado nalgumas partes. Preferia que a minha atenção tivesse sido conquistada e não exigida. Mas não quer dizer que não o aprecie nem recomende. Pelo contrário, acho que qualquer amante de romance histórico deve ler Nicole Jordan.

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