sábado, 3 de janeiro de 2015

Opinião - A Princesa Branca

Título Original: The White Princess (#5 A Guerra dos Primos)
Autor: Philippa Gregory
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 488


Sinopse
Quando Henrique Tudor conquista a coroa de Inglaterra após a batalha de Bosworth, sabe que tem de se casar com a princesa da casa inimiga, Isabel de York, para unificar um país dividido pela guerra há duas décadas.Mas a noiva ainda está apaixonada pelo seu inimigo morto, Ricardo III. A mãe de Isabel e metade de Inglaterra sonham com o herdeiro ausente, que a Rainha Branca enviou para o desconhecido. Embora a nova monarquia tome o poder, não consegue ganhar o coração de uma Inglaterra que espera o regresso triunfante da Casa de York.O maior receio de Henrique é que um príncipe esteja escondido à espreita para reclamar o trono. Quando um jovem que quer ser rei conduz o seu exército e invade Inglaterra, Isabel tem de escolher entre o novo marido, por quem se começa a apaixonar, e o rapaz que afirma ser o seu amado e perdido irmão: a Rosa de York volta para casa finalmente.


Biografia
  Nasceu no Quénia mas actualmente vive numa quinta no Yorkshire, abandonando os leões, as zebras e as girafas por cavalos, patos e galinhas. Estudou na Universidade de Sussex antes de trabalhar na rádio da BBC e, mais tarde, havia de se doutorar em Literatura do século XVIII na Universidade de Edimburgo. Já deu aulas em quatro universidades, escreve críticas para várias revistas e jornais e regularmente é locutora na rádio e televisão. Para além da escrita, Philippa Gregory dedica-se ainda à caridade, tendo fundado há vinte anos a associação Gardens for the Gambia.
  A série Tudor é a sua série mais conhecida mas recentemente dedicou-se a escrever romances sobre os protagonistas da Guerra das Rosas, tendo a série já seis livros publicados. Está também adaptada a televisão pela BBC com o nome de The White Queen.

  A Princesa Branca é o penúltimo livro da série e incide sobre Elizabeth York, a filha da protagonista de A Rainha Branca. Publicado em 2013, está traduzido para seis línguas.


Opinião
  A minha relação com Philippa Gregory tem tido altos e baixos, e a série A Guerra dos Primos tem sido o ponto de concordância, respeito e admiração nesta relação por vezes tempestuosa. Afinal, posso ver lhe muitos defeitos, mas não posso negar que, quando Philippa se esmera, a sua escrita aliciante e poderosa consegue levar qualquer um a apaixonar-se pela História. E também não posso negar, que se por vezes não concordo com ela, a sua paixão é algo em que facilmente me reconheço. Por isso, esperava de A Princesa Branca o mesmo que recebi nos livros anteriores da série. Narrativas perfeitamente equilibradas entre factos e mitos, contadas através de uma voz apaixonada. Mulheres cheias de devoção, amor e personalidade, que se impuseram nas suas histórias e desequilibraram os nossos corações várias vezes. Mas, infelizmente, este livro pecou.

  Numa narrativa com uma linguagem formal, por vezes demasiada, voltámos a encontrar-nos numa época complicada, em que a paz não está completamente garantida, em que os aliados ainda estão reticentes e o povo comedido por anos de traições. E em que a solução é unir inimigos de morte numa relação próspera da qual terá de nascer uma dinastia de ouro. Quando se trata da política, das intrigas de corte e das ambições pessoais, Gregory tem um talento especial para nos apresentar os meandros e segredos, o que nunca foi dito ou confirmado, tornando suspeitas em realidades plausíveis, e meras pistas em verdades incontestáveis. Sim, ela sabe costurar factos e lendas como ninguém, consegue tornar as lendas tão reais aos nossos olhos que, por vezes, até nos esquecemos que não o são. E, neste livro, ao usar o caso do príncipe da Torre, esse seu talento brilhou deveras, de tal maneira, que desta vez vou ter de dar a mão à palmatória e assumir que foi bem feito, muito bem feito.

  E, é por isso mesmo, que me custa tanto que, quanto aos factos, corrompidos sem necessidade, a autora acabe por falhar, quando podia simplesmente, ter seguido os factos reconhecidos e tornado esta leitura muito mais agradável e apelativa. Esta já era uma narrativa suficientemente dramática sem se lhe inserir ainda mais violência e dramatismo, o que a tornou exagerada e lhe retirou toda a emoção ou sentimentalismo inerentes aos momentos mais fortes. Aliás, senti uma grande repetição de momentos e sentimentos, sem falar em diálogos, ao longo da leitura, que acabou por a tornar aborrecida por vezes, quando não havia necessidade. E, quando isso não acontecia, podia-se ter vislumbres do quão melhor este livro podia ter sido, se escrito com mais fogo e impetuosidade, com mais amor. A narrativa foi muito parada e com grandes saltos temporais que mesmo assim acabaram por abarcara um curto espaço de tempo da vida de Elizabeth York, o que acabou por dar a sensação de que as muitas páginas deste livro podiam ter sido melhor aproveitadas.

  Mas, são talvez as personagens, as grandes culpadas da falta de brilho deste livro. Elizabeth York é tão apagada em relação à mãe e à sogra, tão pobre de espírito e confusa em emoções, tão fria e ingénua, que fico perplexa como é que uma autora como Gregory tornou uma personalidade histórica tão interessante numa personagem tão vazia. Para mim, ela é a grande falha deste livro, já que é a sua voz que nos conta a história. Quanto à Henry VII, sinto que ele foi um pouco deturpado e, senão era perfeito, também não o imagino da forma como é caracterizado. Acaba por ser a louca e devota Margaret Beaufort, mais uma vez, a personagem do livro. Aliás, quando o acabei não consegui deixar de pensar que é mesmo a melhor personagem de Gregory.

  A Princesa Branca foi uma chama gelada no meio do fogo ardente e apelativo que tem sido esta série. Faltou-lhe paixão e devoção, apesar de ter incidido numa época interessante, conturbada e esquecida da História dos Tudors.


As minhas Opiniões da série

1 comentário:

  1. Hello!
    Apesar de ter percebido que este não é o melhor livro, a tua opinião fez-me ficar com vontade de começar a conhecer a série.
    Gracias!!
    Beijocas

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