quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Opinião - Separação

Título Original: Sever (#3 O Jardim Químico)
Autor: Lauren DeStefano
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 296


Sinopse
Após ter suportado o que há de pior em Vaughn, Rhine encontra um improvável aliado no seu irmão, um inventor excêntrico chamado Reed. Obtém refúgio na sua casa em ruínas, apesar de as pessoas que deixou para trás se recusarem a permanecer no passado. Enquanto Gabriel assombra as memórias de Rhine, Cecily está determinada a continuar ao lado de Rhine, embora os sentimentos de Linden estejam ainda divididos entre ambas.
Entretanto, o crescente envolvimento de Rowan na resistência clandestina obriga Rhine a procurá-lo antes que faça algo de irremediável. Mas o que descobre pelo caminho tem implicações alarmantes no seu futuro e no passado que os pais nunca tiveram oportunidade de lhe explicar.


Biografia
  Durante os primeiros seis anos da sua vida, Lauren acreditou que era uma sereia, algo aliás de que ainda tem suspeitas, e que terá inspirado a sua primeira história sobre uma concha assombrada que comia crianças. Começou por escrever pequenas coisas nos menus infantis dos restaurantes, que guardava na mala da mãe para nunca perder as pequenas histórias que escrevia quando estava entediada. Mais tarde, uma professora entusiasmou-a a pensar numa carreira literária. Estava no quinto ano. Lauren DeStefano sabia que queria escrever, que contar histórias não era um hobbie mas algo para a vida e isso levou a tirar um curso de Escrita Criativa e a terminar o seu primeiro manuscrito completo, Raptada, que depois de 140 rejeições, foi aceite numa editora.

  Hoje, tem cinco livros publicados, duas trilogias, e este ano publicará o final da Internment Chronicles e o início de Pram. Separação é o último volume da sua primeira trilogia, O Jardim Químico, e foi publicado em 2013. Está traduzido para cinco línguas.


Opinião
  Foi numa aura de beleza e desolação que Lauren DeStefano nos arrebatou com esta história sobre a precariedade da vida humana, uma história que nos mostrou que tanto a esperança como o amor podem ser uma ilusão ou uma obsessão. Com uma escrita simples, mas ímpar em beleza, esta jovem autora confrontou-nos com temas fortes e controversos, com um mundo incapaz de sonhar, resignado à sua sina de juventude eterna. Em Separação, não era por isso provável, esperar um final fácil. Marcado por lágrimas, pesadelos e luto, este livro foi doloroso e destruidor, mas também fez renascer uma luz de ânsia pelo futuro. Reflectindo sobre como a sanidade pode ser confundida com loucura, como viver não é sinónimo de felicidade, este final é feito de pequenos momentos de luz etérea e obscuridade permanente, um final triste e saudoso que promete, finalmente, esperança.

  As expectativas que tinha para o final de O Jardim Químico foram quase abaladas pelo seu início, confesso. As primeiras páginas demoram a encarrilar e a narrativa parece um pouco adormecida, até mesmo estagnada. Mas rapidamente a autora volta ao rumo, e no meio de um cenário de decadência e atrocidades, tristeza e horror, somos abalados por revelações assustadoras, revelações essas capazes de destruir o espírito e a mente, revelações que nos fazem duvidar da bondade e do amor num mundo onde esses sentimentos quase não existem. Mas essas revelações respondem também, finalmente, às questões mais importantes e levam a reviravoltas inimagináveis que transformaram rapidamente esta narrativa numa corda bamba, onde o bem e o mal são faces da mesma moeda, onde os sonhos só existem através da morte, onde o futuro exige a destruição para a sua existência.

  As perdas exigidas abalam-nos tanto que quase deixámos de acreditar que o final alguma vez trará algo de bom. São uma lição. A vida é precária e instável, não se sustém por nada, nem pelo amor, nem pela ciência, nem pela esperança. São a prova de que, sejam os nossos ideais bons ou maus, procuremos a salvação ou a devastação, a morte não pode ser evitada, nunca. Contudo, fazem-nos também valorizar ainda mais os dias, as horas, os minutos desconhecidos que temos, fazem-nos querer preenchê-los com uma luta diária por um mundo melhor e sólido, que não seja feito de brilhos pálidos, jóias falsas e sentimentos degradantes. E é essa luta, tantas vezes abalada, mas nunca esquecida, que assistimos nestas páginas. A luta pela liberdade, pela escolha, pela sanidade. Seja pelos melhores ou pelos piores meios, seja com a pior ou a melhor das intenções. 

  Rhine é, sempre, mesmo nos seus maus momentos, uma personagem que nos toma de curiosidade. Uma mistura entre doçura e agressividade, imperfeita por completo, ela deslumbra-nos com a sua convicção inabalável, a sua entrega permanente. Cecily, personagem odiada desde o primeiro momento, conseguiu neste livro ganhar o meu respeito, porque de facto, cresceu e amadureceu, da pior forma possível verdade seja dita. Linden, doce e querido Linden. Tenho pena de só neste livro me ter apercebido do quanto gosto desta personagem, que de todas, se revelou a mais surpreendente. Continuo, mesmo no fim, a não acreditar em Rhine e Gabriel. Para mim, é a única falha nesta trilogia, é o facto da relação principal não convencer e ser tão apagada quando comparada à de Cecily e Linden. E Vaughn, assustador e atroz Vaughn que neste livro nos deixa espreitar a sua humanidade numa jogada perfeita. Quanto à nova personagem, Reed, passou-me um pouco lado e acho que Lauren não a devia ter incluído.

  Separação ainda não foi o livro perfeito de Lauren DeStefano que tão desesperadamente espero. Mas foi o final que queria. Um final que reflecte a essência de uma trilogia que entranha na nossa alma e tanto nos desola como nos deslumbra. Um final triste sim, mas feliz numa esperança finalmente renascida. 


As minhas Opiniões da trilogia

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