sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A Rainha Manda... *The Assassin's Curse*


  E estámos de volta à rubrica mais fixe de sempre!

  Depois de um hiatus gigantesco,  A Rainha Manda dá o primeiro ar da sua graça neste ano de 2015, com as últimas leituras escolhidas em 2014. 

  Para mim, a p7 do Bookeater/Booklover escolheu como leitura o The Assassin's Curse da Cassandra Rose Clarke. Obrigada por teres sido uma querida quando eu te escolhi um livro tão complexo!

  Tal como havia explicado neste primeiro post, depois de lidos os livros, cada uma de nós faz algumas perguntas à outra, agregadas a temas,  sobre o livro que escolhemos para ela. Aqui encontrarão as perguntas que a p7 me fez, e aqui, podem encontrar as que lhe fiz sobre a sua leitura, North and South, de Elizabeth Gaskell.




p7: Ananna, a destemida pirata de 17 anos: sente-te à vontade para usar este espaço para discorrer sobre esta jovem extraordinária.
  Oh a Ananna roubou-me o coração no momento em que saltou para cima do camelo e disse bye bye! Como poderia não gostar de uma protagonista que usa o cérebro, salva em vez de ser salva, e ainda revira os olhos a cada cinco minutos? Para além de que ela tem resposta para tudo. Mas o mais engraçado, é que ela não é propriamente essencialmente badass. Claro que ela dá cabo do couro de quem lhe aparece à frente e não pensa duas vezes antes de fugir de um destino que não quer, para além de não andar a choramingar pelos cantos mas, a Ananna também é doce e ingénua por vezes, também é impetuosa e perde a noção do perigo. Ou seja, não é a super-mulher, é uma miúda que está a aprender a ser uma grande líder.
  É refrescante quando te deparas com personagens assim, tão cheias de vitalidade e com tanta consciência delas mesmas como a Ananna.

p7: Naji, o assassino misterioso: que tal foi ir descascando as camadas deste personagem aos poucos?
  Descascando? Eu tenho a sensação que ainda nem a meio das camadas de cebola vou! Bem, é frustrante por um lado, porque ele é como um túmulo fechado a sete chaves, para além de taciturno e de ter um arzinho de superioridade no início que irrita profundamente. Para além de não contar nada de nada senão arrancado a ferros. Credo! Contudo, das poucas camadas que já arranquei, o Naji é daquelas personagens que me faz querer protegê-lo da maldade do mundo porque debaixo da capa de mauzão está um menino perdido e pouco amado que acha que o mundo não se preocupa com ele. Por isso, é uma personagem que me provoca mais carinho que a Ananna. Ela sabe o lugar que ocupa no mundo, ele nem por isso, por mais que se tente convencer do contrário. E eu quero que ele se abra e que sinta as coisas!

p7: Queres destacar algum dos outros personagens?
  Posso falar mal da Leila aqui? Posso? É que a tipinha é tão irritante. Não desculpa, este não é o termo certo. O termo é: daquelas pessoas que te fazem espumar da boca e te fazem querer tortura-la até ela suplicar por misericórdia para depois a espezinhares com um sorriso maléfico nos lábios. Ok, acho que isto soou muito forte. 
  O problema é que a Leila é daquelas pessoas perfeitas que acham que o mundo tem de ser como elas e não se importa de magoar as pessoas. Mesmo que essas pessoas a amem. E não há nada que me ponha a ver vermelho à frente mais depressa que isso. Portanto, quero destacar o quanto a odeio. Profundamente.



p7: Parte da piada do desenvolvimento do enredo assenta na evolução da relação da Ananna e do Naji, gostaste de a acompanhar?
  Sim! Eu tenho uma coisa por relações enemies to lovers, e esta é das mais adoráveis. Primeiro porque eles andam ali às voltas um com outro como gatos assanhados, depois ignoram-se e, finalmente, começam a prestar atenção um ao outro. Muita atenção. É tão giro vê-los a desenvolver uma relação de confiança passo a passo, de uma forma tão lenta e tortuosa. Aliás, por mais que esteja frustrada, adoro como a autora fez as coisas evoluir a seu tempo e não forçou nada. Cada momento tem o seu tempo e espaço. 
  Por isso sim, gostei de acompanhar a forma deliciosa como a autora construiu a relação de duas pessoas tão diferentes cujos caminhos se cruzam pelos piores motivos para uma em que eles são companheiros de armas, depois amigos e, talvez, algo mais.

p7: O desenvolvimento desta história foca-se numa maldição e em como os protagonistas tentam quebrá-la, ao mesmo tempo que explora o mundo apresentado. Na tua opinião, este equilíbrio foi bem executado?
  Sem dúvida. O facto da maldição os obrigar a correr meio mundo para descobrirem a solução acaba por obrigar a autora a apresentar várias vertentes e personagens, cenários, histórias. Basicamente tudo, numa linha simples e cheia de acção onde conseguimos apreender o essencial deste mundo, ao mesmo tempo que nos cativa e motiva, e isso foi algo muito importante nesta leitura.




p7: Este mundo apresenta cenários bem diferentes, e locais nem sempre muito explorados no género fantástico, pelo menos com esta vividez. Gostaste de conhecer o mundo de The Assassin’s Curse?
  Tenho uma coisa para te confessar: eu adoro cenários exóticos, principalmente quando parecem saídos de As Mil e Uma Noites. Para além de ter uma paixoneta por piratas desde pequena. Por isso, os cenários deste livro foram perfeitos para mim, principalmente porque a autora dá-nos a essência desses cenários com tanta vividez mas, ao mesmo tempo, deixa os detalhes para a nossa imaginação explorar. 
E o factor diferença contou muito. Parece que não, mas são cenários raramente explorados hoje em dia na literatura, com muita pena minha, porque só pelo seu exotismo dão logo outro ar à história.

p7: Que me dizes do sistema de magia, presente no dia-a-dia, mas discreto, repleto de maldições e equilíbrios, onde uma palavra tem tanto peso como um ser de outro mundo?
  Acho-o muito curioso e que facilmente a autora poderia ter feito asneira com ele, porque engloba muitas coisas diferentes. É como se ela tivesse pego no vodu, na magia à Mil e Uma Noites  e outras coisas às quais não tenho nome para dar, deitado tudo para um caldeirão, misturado e bem vamos benzer-nos e ver o que vai sair daqui. Espantosamente, correu bem, muito bem, porque cada tipo de magia acaba por nos ajudar a captar a essência de uma personagem ou de uma ideia deste mundo. A magia de sangue faz-nos perceber a negritude do passado do Naji, a magia do mar faz-nos perceber a ligação dos piratas ao elemento onde vivem, e por aí adiante.
  Por isso, apesar de parecer uma salganhada, acabou por ser algo muito bem pensado e estruturado.



p7: Por fim, que achaste da escrita de Cassandra Rose Clarke? Encheu-te as medidas?
Oh se encheu! A escrita da Cassandra é tão fluída e viciante, para além de que ela tem uma imaginação muito fértil. A juntar isso o humorzinho negro e a capacidade leve para drama queen, diria que ela tem uma escrita surpreendentemente fantástica.


Para quem tiver curiosidade acerca deste livro, pode ler a minha opinião.

Passo a apresentar-vos as próximas leituras...



A Rainha Manda...
A p7 este mês escolheu para mim o Scarlet da A.C. Gaughen:

"Escolhi este livro como parte de um plano maléfico para torturar a Patrícia. Muahahahah!

(Estava a brincar. Mais ou menos.)

Na verdade, é um livro que me marcou e que adorei, e por isso simplesmente quero ver o que a Patrícia acha dele. Tem uma adaptação bem gira da lenda do Robin dos Bosques, com umas reviravoltas curiosas; e a Scarlet é uma protagonista extraordinária, que vale mesmo a pena conhecer.

Se a Patricia ficar fã, óptimo; se a história a torturar mesmo que uma fracção do que me torturou, ainda melhor. (Consideremos isso uma pequena retribuição pelo livro... hmm... trabalhoso... que me escolheste para o mês anterior. Ehehehe)"



Eu escolhi para a p7 It Happened One Autumn da Lisa Kleypas e a explicação está no blogue dela.


6 comentários:

  1. Hum... esta troca de ideias fez-me ter vontade de ler esse livro de piratas e maldições :)
    Vou já colocar na lista para ler.
    Beijinho

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    1. Oh ainda bem!! É tão giro Neptuno *.* acho é que ele de momento já está esgotado =s a editora dele fechou e acho que entretanto já não há exemplares mas se quiseres eu empresto-te ;)

      beijinhos

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  2. Só uma nota: o link que tens para o post onde poderíamos ver as respostas da p7 sobre o livro que a "mandaste" ler é deste mesmo post, ou seja somos recambiados para uma página com este post outra vez...
    Beijinho

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    1. Obrigada por me teres avisado! Já está corrigido =)

      beijinhos

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  3. Epá, tenho o Scarlet para ler.
    Ainda bem que alguém o leu e gostou, pois acabei de ver uma opinião no youtube menos favorável :/
    Bjinhos
    Sandra do blogue Vidas Desfolhadas
    http://vidasdesfolhadas.blogspot.pt/

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    1. A P7 adora o Scarlet! Só tenho ouvido maravilhas desde que a convenci a comprá-lo xD

      beijinhos e boas leituras!

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