sábado, 28 de fevereiro de 2015

Opinião - Scarlet

Título Original: Scarlet (#1 Scarlet)
Autor: A.C. Gaughen
Editora: Walker&Co.
Número de Páginas: 292


Sinopse
Many readers know the tale of Robin Hood, but they will be swept away by this new version full of action, secrets, and romance. 

Posing as one of Robin Hood’s thieves to avoid the wrath of the evil Thief Taker Lord Gisbourne, Scarlet has kept her identity secret from all of Nottinghamshire. Only the Hood and his band know the truth: the agile thief posing as a whip of a boy is actually a fearless young woman with a secret past. Helping the people of Nottingham outwit the corrupt Sheriff of Nottingham could cost Scarlet her life as Gisbourne closes in.

It’s only her fierce loyalty to Robin—whose quick smiles and sharp temper have the rare power to unsettle her—that keeps Scarlet going and makes this fight worth dying for.


Biografia
  A.C. Gaughen é uma noctívaga que continua apaixonada pela Escócia mesmo depois de ter regressado a Boston e que quer ser escritora desde que andava na creche.

  Adora História e ladrões, daí a paixãozinha secreta que tem por Robin Hood. Não é de espantar que o seu primeiro livro seja um retelling do mesmo.

  Scarlet foi publicado em 2012 e foi nomeado para o YALSA Teen’ Top Ten. Não está traduzido em qualquer língua.


Opinião
  O meu fascínio por Robin Hood é antigo, tão antigo que nem sei precisar o momento em que me apaixonei pela história do bandido que roubava aos ricos para dar aos pobres. Contudo, sempre me faltou algo na história: uma presença feminina que fizesse par com os rapazes do bando. Não, não sou fã da Lady Marian e, talvez por isso, Scarlet soava-me como um canto de sereia. Talvez por isso, se tenha revelado, numa centena de adaptações, aquela que me conquistou o coração. A.C. Gaughen não reconta apenas a história quase fielmente como ainda consegue dar-lhe um certo charme, uma certa feminilidade que nos faz querer, não ser uma dama em perigo, mas a moça do bando. Com uma escrita que evoca outros tempos, arcaica mesmo, e que espantosamente tem um certo encanto, a autora leva-nos de volta a Sherwood mas, desta vez, num tom feminista que é uma lufada de ar fresco numa história onde os rapazes dominavam.

  Esta podia ser uma adaptação como as outras. Afinal, a história não foge daquela que é a alma das aventuras de Robin Hood. Roubar aos ricos, dar aos pobres, irritar, fugir e enganar o xerife. O que torna então este livro diferente? Scarlet, obviamente. Detentora de um passado complicado e muito bem escondido, Scarlet é o elemento que proporciona as grandes surpresas numa história que mantém a alma da lenda mas à qual a autora conseguiu adicionar algumas reviravoltas e momentos que nos proporcionam algo bem diferente do que conhecemos. É aliás espantosa a sensação que temos ao longo da leitura, pois nuns momentos parece que sabemos exactamente o que vai acontecer e depois a história, ou a Scarlet, trocam-nos as voltas completamente. E, sinceramente, isso não a torna nem um bocadinho aborrecida, bem pelo contrário, já que nos dá algo novo e inesperado. A narrativa está cheia de acção, suspense e romance, fazendo-nos devorar as páginas sem darmos conta, para além de que, a voz pragmática e impulsiva da Scarlet é absolutamente deliciosa, mesmo nos seus momentos mais casmurros.

  É esse tom feminino, aliás esta personagem absolutamente fenomenal, que tornam este livro a caixinha de surpresas que é. Scarlet é uma personagem complexa, cheia de camadas que vamos descobrindo ao longo do enredo. Impetuosa, teimosa, leal até ao tutano, inteligente e apaixonada, é a miúda perfeita para meter os rapazes na linha. Mas, bem escondida lá no fundo, há uma fragilidade nela que nos faz querer protege-la… mesmo que ela nos atirasse uma faca por isso. E, claro que não podia deixar de vos falar dos rapazes. Aliás, a cereja no topo do bolo que é este livro são as personagens, sem dúvida alguma. Robin Hood é exactamente o que esperava. Misterioso, honrado, um bom líder mas que pelo meio tem momentos com péssimo timing que eu lhe vou perdoar só porque ele é um bom rapaz com uma consciência demasiado grande para alguém ter. Já o Little John, gostei de o ver nesta versão mais namoradeira e convencida mas continuo a querer bater-lhe pelo que fez no fim. E depois temos o Much, que deve ser a única pessoa sã e sensata no bando, graças a todos os santinhos. Quanto aos vilões, deixem-me dizer que o Gisbourne é arrepiante. Completamente assustador.

  A verdade é que eu adorei o Scarlet. Cada bocadinho dele. É, finalmente, uma adaptação do Robin Hood em que me sinto completamente satisfeita. Mal posso esperar para pôr as mãos em cima da sequela.

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